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27 de abr de 2012

Resumo: Os perigos da interpretação bíblica


CARSON D.D, Os perigos da interpretação bíblica, Vida Nova, São Paulo: SP, 2007
INTRODUÇÃO
Enfocar falácia, exegética ou de qualquer outro tipo, parece um pouco enfocar o pecado: as partes culpadas talvez fiquem ressentidas e detenham-se de maneira apenas breve para examinar seus erros, sem que haja algo intrigante redentor nessa atitude Antes de prosseguir, quero expor a importância deste trabalho e riscos inerentes a ele, reconhecendo abertamente as muitas limitações por mim.
A importância deste estudo
Este estudo é importante porque, infelizmente, as falácias exegéticas são freqüentemente entre nós, cuja graça e responsabilidade recebidas de Deus são a fiel proclamação de Sua Palavra. A essência de toda a crítica, no melhor sentido dessa palavra tão mal usada, é a justificação de opiniões. Uma interpretação crítica das Escrituras é aquela que possui justificação adequada, em outras palavras, exegese crítica neste sentido é aquela que dá boas razões para as escolhas que faz e as posições que adota. Uma abordagem cuidadosa da Bíblia capacitar-nos-á a "ouvi-la" um pouco melhor. A importância deste tipo de estudo não pode ser superestimada se pretendemos alcançar unanimidade nas questões de interpretação que ainda nos dividem. Por outro lado, claro, os motivos nem sempre são racionais ou podem ser corrigidos apenas com maior rigor exegéticos. Superficialmente, é óbvio que pode haver vários obstáculos de natureza apenas prática para serem transpostos. A princípio, evidentemente, é possível que uma discussão aberta e extensa não consiga mais do que expor a natureza das diferenças ou mostrar como elas estão entrelaçadas com questões mais amplas. No final, porém uma vez que todos esses desvios tenham sido cuidadosa e humildemente examinados, cada um deles tendo levantado difíceis problemas exegéticos, as discussões restantes entre aqueles que possuem uma concepção elevada das Escrituras serão apenas exegéticas e hermenêuticas. A última razão pela qual este estudo tornou-se importante é a mudança no ambiente teológico do mundo ocidental durante os últimos trinta ou quarenta anos. Isso significa que em tais casos uma apologética tradicional é irrelevante. Tendo sido atacados de todos os lados pelas frentes hermenêuticas e exegéticas, e um dos passos a serem dados para retornarmos a discussão é examinar nossas ferramentas exegéticas e hermenêuticas novamente.
Os riscos deste estudo
Se existe razões pelas quais um estudo das falácias exegéticas é importante, há também razões pelas quais tal estudo é arriscado. A primeira delas é o fato de que um negativismo contínuo é espiritualmente perigoso. Se a principal ambição da vida de alguém é descobrir tudo o que está errado, essa pessoa está se expondo à destruição espiritual. Por outro lado, concentrar-se por muito tempo em erros e falácias pode produzir um efeito bastante diferente em algumas pessoas. Para aqueles que já são inseguros quanto a sim mesmo ou estão profundamente amedrontados pelas responsabilidades que pesam sobre os ombros dos que foram comissionados para pregar todo o desígnio de Deus, um estudo assim poderá levá-lo ao desânimo, até mesmo ao desespero. O perigo fundamental em todo estudo crítico da Bíblia encontra-se no que os especialistas da hermenêutica chamam "distanciamento". O distanciamento é um componente necessário do trabalho crítico; contudo, é uma tarefa difícil e, às vezes, penosa. O distanciamento é difícil e pode ser penoso. Mas não posso deixar de enfatizar veementemente que ele não é um fim em si mesmo. Seu correlativo característico é a fusão de horizontes de compreensão.
Os limites deste estudo
Esta não é uma discussão altamente técnica. Por não ser um estudo técnico, não forneço informações bibliográficas extensas. Incluí apenas as obras realmente citadas ou referidas em minha apresentação. Está obra concentra-se em falácias exegéticas, não em falácias históricas e teológicas. Nestas páginas, não há nenhuma discussão sistemática sobre o papel do Espírito Santo em nosso trabalho exegético.
1 –     FALÁCIAS VOCABULARES
Como as palavras são surpreendentes! Elas podem transmitir informações e expressar ou evocar emoções. São os veículos que nos capacitam a pensar. As palavras estão entre os instrumentos básicos de um pregador. Minhas pretensões é simplesmente a registras, descrever e exemplificar uma séria de falácias comuns.
Falácias semânticas comuns
1 –     A falácia do radical
Pressupões que toda palavra realmente tem um sentido ligado à sua forma ou a seus componentes. O significado é determinado pela etimologia, ou seja, pela raiz ou raízes de uma palavra. A busca de significados ocultos associada à etimologia torna-se ainda mais ridícula quando duas palavras com significados totalmente diferentes compartilham da mesma etimologia. Apresso-me em acrescentar três advertências. Em primeiro lugar, não estou dizendo que qualquer palavra pode significar qualquer coisa. Normalmente, observamos que cada palavra isolada tem um determinado campo semântico restrito e, portanto, o contexto pode modificar ou adaptar o significado de um termo somente dentro de certos limites. A segundo advertência é que o sentido de uma palavra pode refletir os significas de seus componentes. O significado de uma palavra pode refletir sua etimologia; deve-se admitir que em línguas sintéticas como grego e alemão, com suas porcentagens relativamente altas de palavras transparentes, isto é mais comum do que em uma língua como o inglês, na qual as palavras são "opacas". Finalmente, não estou sugerindo de forma alguma que o estudo etimológico é inútil.
2 –     Anacronismo semântico
Esta falácia ocorre quando um significado mais recente de certa palavra é transportado para a literatura antiga. Contudo, o problema apresenta um segundo aspecto quando acrescentamos também uma mudança de língua. A terceira faceta do mesmo problema foi arduamente exemplificada em três artigos sobre o sangue, na revista Christianity Today. Os autores realizaram um trabalho admirável explicando as maravilhosas descobertas das ciências sobre o que o sangue pode fazer – em particular, sua função purificadora na medida em que lava as impurezas celulares e transporta alimento para todas as partes do corpo.
3 –     Obsolescência semântica
Em alguns aspectos, esta falácia é a imagem refletida pelo anacronismo semântico. Aqui, o intérprete atribui a certa palavra de seu texto um significado que o termo em questão costumava ter em tempos passados, mas que não é mais encontrado dentro do atual campo semântico da palavra; ou seja, o significado é semanticamente obsoleto. É evidente que algumas palavras simplesmente perdem sua utilidade e desligam-se do uso comum da língua. Algumas mudanças deixam-se demarcar com bastante facilidade. Podemos dizer que as palavras mudam de significado com o decorrer do tempo. Conseqüentemente, devemos suspeitar um pouco quando algum trecho e exegese tenta estabelecer o significado de uma palavra recorrendo, antes de tudo, o seu uso no grego clássico, em vez do emprego no grego helenístico.
4 –    Reivindicação de significados desconhecido ou improváveis
Podemos continuar utilizando o exemplo anterior. Os Mickelsen não só recorrem ao LSJ, mas também deixam de notar os limites que até o LSJ impõe à evidência. Eles dão grande importância à idéia de nascente de um rio, como sendo a "fonte" do rio. Os Mickelsn estão tentando reivindicar um significado desconhecido ou improvável. Tudo isto serve apenas para mostrar que esta quarta falácia pode ser obscurecida por uma razoável habilidade exegética; mas ainda assim continua sendo uma falácia.
5 –     Negligência no uso de material de apoio
Após considerar com o máximo cuidado possível todas as opções das quais tinha algum conhecimento, rejeitei as varias interpretações sacramentais, julgando-as anacrônicas, contextualmente improváveis e discordantes dos temas. De fato, as analogias não são boas, mas minha hesitante defesa desse ponto de vista tem se mostrado tanto inconvincente quanto desnecessária. O segundo exemplo está em minha exposição de caráter popular sobre o Sermão do Monte. Nesta obra, expliquei a famosa discrepância entre a referência de Mateus a um monte e a menção que Lucas faz de uma planura minha apologética tinha um padrão mais ou menos conservador: mesmo um monte possui lugares planos, e assim por diante.
6 –     Paralelomania verbal
Samuel Sandmel cunhou o termo paralelomania para denominar a tendência que muitos estudiosos bíblicos tem de citar "paralelismos" de valor questionável. Uma subdivisão de tal abuso é a paralelomania verbal – a enumeração de paralelismo verbais de alguma obra literária como se esses meros fenômenos demonstrassem elos conceituais ou mesmo dependência.
7 –     A associação entre língua e mentalidade
Há não muito tempo atrás esta falácia deu origem a várias obras. Se for mencionado um livro como Hebrew Thought Compared with Greek em uma sala onde há muitas pessoas lingüisticamente competentes, logo haverá diversas expressões de aborrecimentos e resmungos. A essência desta falácia é a pressuposição de que qualquer língua confina de tal forma os processos mentais de seus falantes que as pessoas são forçadas a ter certos padrões de pensamento e proteger-se de outros.
8 –    Falsa pressuposições sobre significados técnicos
Nesta falácia, o intérprete supõe erradamente que uma palavra sempre ou quase sempre tem um determinado significado técnico – um sentido geralmente derivado de uma subdivisão da evidência ou da teologia sistemática pessoal desse estudioso. Às vezes, a descoberta de um suposto terminus technicus está ligada a argumentos perceptíveis, mas complexos. Um corolário desta falácia é que alguns intérpretes avançarão outro estágio e reduzirão uma doutrina inteira a apenas uma palavra que acreditam ser um termo técnico.
9 –     Problemas envolvendo sinônimos e análise de componentes
Há duas falácias principais e relacionadas que eu gostaria de abordar sob esse título. A primeira surge do fato de que os termos sinonímia e equivalência são tão pouco compreendidos por muitos de nós que nem sempre distinções adequadas são mantidas. O ponto central desta prática tão árdua não é denegrir o trabalho de um erudito bíblico, pois se pode argumentar, por exemplo, que Sanders não pretende considerar a palavra "sinonimicamente", à semelhança da forma rigorosa exigida pelos lingüistas modernos. Para apresentar o segundo problema, devo falar um pouco sobre a análise de componentes. Este tipo de estudo tenta isolar os componentes do significado. Por varias razões, duvido muito que haja uma distinção intencional. Se eu me dispusesse a provar esta questão, teria de discutir o significado de "pela terceira vez", fazer uma exegese detalhada do texto, rever a evidência de que, em geral, introduz expressões sinônimas em termos precisos ou gerais, e assim por diante.
10 –    Uso seletivo e preconceituoso das evidências
Agora, proponho-me a descrever uma falácia um pouco diferente, que pode estar relacionada a matérias de apoio, mas que com certeza não se restringe a isso. Refiro-me a uma espécie de reivindicação de evidências seletivas, o que capacita o intérprete a dizer o que quer, sem realmente ouvir o que diz a Palavra de Deus.
11 –     Disjunções e restrições semânticas injustificadas
Não são poucos os estudos vocabulares que oferecem ao leitor alternativa do tipo "e/ou" e então forçam uma decisão. Em outras palavras, exigem uma disjunção semântica, quando talvez a complementação fosse possível.
12 –     Restrição injustificada do campo semântico
Há muitas maneiras diferentes de se entender mal o significado de uma palavra em determinado contexto, restringindo-se de forma ilegítima seu campo semântico. Isto acontece se erroneamente a declaramos um terminus technicus, recorrendo a disjunções semânticas ou usando de forma inadequada algum material de apoio. Às vezes, deixamos de notar o quanto é amplo todo o campo semântico de uma palavra; assim, quando nos dispomos a fazer exegese de certa passagem, não consideramos a apropriadamente as opções em potencial e, sem perceber, acabamos por excluir algumas possibilidades dente as quais poderia estar a correta. Seja como for, insisto em que restringir de forma injustificada e precipitada o campo semântico de uma palavra é um erro metodológico. A falácia está na crença de que em qualquer caso é possível ter a interpretação correta de uma passagem; muitas vezes isso não é possível
13 –     Adoção injustificada de um campo semântico expandido
Neste caso, a falácia está na suposição de que o significado de uma palavra em determinado contexto é muito mais amplo do que o contexto em si permite, podendo trazer consigo todo o campo semântico do termo em questão. Às vezes, esta medida é chamada "transferência ilegítima da totalidade".
14 –     Problemas relativos ao contexto semítico do Novo Testamento grego
Os tipos de problemas que tenho em mente podem ser revelados fazendo-se algumas perguntas retóricas: até que ponto o vocabulário do Novo Testamento grego é configurado pelas línguas semíticas que, presume-se, dão-lhe a base de longos trechos? Até que ponto o campo semântico normal das palavras do Novo Testamento grego é alterado pelo impacto dos antecedentes semíticos pessoais de algum escritor do Novo Testamento, por sua leitura do Antigo Testamento hebraico, quando pertinente, ou pela influência indireta do Antigo Testamento hebraico sobre a Septuaginta, que por sua vez influenciou o Novo Testamento?
15 –     Negligência injustificada de particularidades distintivas de um grupo de palavras
Neste caso, a falácia está na falsa suposição de que o uso predominante de qualquer palavra em um dos escritores do Novo Testamento é basicamente o mesmo em todos os outros quase nunca isso acontece
16 –     Associação injustificada de sentido e referência
Referência ou denotação é a representação de alguma entidade não-lingüística por meio de um símbolo lingüístico. Nem todas as palavras são referenciais. Nomes próprios sem dúvidas o são. Fica claro, portanto, que os conceitos de sentido e referente podem ser distinguidos. Provavelmente, porém, a maior parte dos eruditos bíblicos usa essas categorias com menos precisão do que os lingüistas. A falta de compreensão destas questões foi um dos impulsos que fez surgir o Theological Dictionary of the New Testamente (dicionário Teológico do Novo Testamento), especialmente os primeiro volumes.
A essência da questão: o conflito com o contexto
Talvez a principal razão pela qual os estudos vocabulares constituem uma fonte de falácias exegéticas particularmente ricas seja o fato de que muitos pregadores e professores bíblicos conhecem a língua grega apenas o bastante para usar concordância ou talvez um pouco mais. Avançar além da lista apresentada neste capítulo e tentar fornecer algumas diretrizes positivas seria modificar o propósito deste livro; assim, paro aqui.
2 –     FALÁCIAS GRAMATICAIS
Seria de esperar que uma lista de falácia exegéticas encontradas no campo gramatical incluísse exemplos muito mais numerosos e diversos do que a relacionada a estudos vocabulares. Todavia, componho este capítulo de forma mais breve que o anterior. Há diversas razões para este decisão. Em primeiro lugar, os estudos vocabulares somam tantas falácias porque muitos pastores formados em seminários têm bagagem suficiente para gerá-las, mas, não para cometer alguns tipos de erros gramaticais. Em segundo lugar, a análise gramatical não tem sido popular nas últimas décadas de estudo bíblico. Muito mais tempo e esforços têm sido consagrados à semântica léxica do que à gramática.
A flexibilidade do Novo Testamento grego
Antes de começarmos este levantamento de algumas falácias gramaticais elementares, é importante lembrar que o princípio da entropia opera tanto em línguas vivas quanto em física. A importância prática deste fato é que a gramática do período grego clássico, relativamente mais estruturada, não pode ser aplicada de uma só vez de maneira legítima ao Novo Testamento grego.
Falácias relacionadas a tempos e modos verbais diversos
1 –     O tempo aoristo
Frank Stagg escreveu um artigo sobre o uso inadequado do aoristo. Stagg via um problema no fato de que, a partir da presença de um verbo no aoristo, estudiosos competentes estavam deduzindo que a ação referida era "definitiva" ou "completa". A dificuldade surge em parte porque o aoristo é freqüentemente descrito como o tempo pontilear. Stagg não tem sido o único a advertir contra o mau uso do aoristo; mesmo assim, ainda é possível encontrar não só pregadores, mas também competentes estudiosos cometendo o erro de conferir-lhe peso excessivo. Contudo, é possível ir longe demais com este tipo de crítica uma questão bem ilustrada em um artigo sobre a obra de Stagg de Charles R. Smith. Não só afirma que Stagg tem sido ignorado, como também procura ir além deste autor, insistindo em que a evidência requer que descartemos para sempre todas as denominações como aoristo global, constativo ingressivo e outras semelhantes. Isso, porém, não é lingüisticamente ingênuo. Smith chega à sua conclusão apresentando contra-exemplos bíblicos para cada tipo de classificação de aoristo mencionada pelos gramáticos; mas tudo o que esses contra-exemplos provam é que nem todo aoristo é usado daquela maneira e não que nenhum aoristo é empregado assim. Todavia, a principal razão pela qual o tempo aoristo pode, em suas relações com contextos específicos, expressar uma imensa variedade de tipos de ação é justamente o fato de ser mais maleável que os outros tempos verbais. Em resumo, delineei duas falácias. Na mais comum, sustenta-se erroneamente que o tempo aoristo sempre traz um significado altamente especifico. Na segunda, afirma-se que o tempo aoristo não pode carregar nenhum peso semântico além do valor semântico não-marcado do aoristo, mesmo quando está em um contexto muito específico.
2 –     A primeira pessoa do aoristo do subjuntivo
Gostaria de usar este item como um caso exemplar – uma amostra do tipo de questão levantada em estudos gramaticais mais avançados. O que gostaria de abordar aqui não é exatamente uma falácia, a menos que possamos incluir sob esse título aqueles rótulos gramaticais tão inadequados que ocultam mais do que revelam. A definição típica de subjuntivo deliberativo de fato abrange três categorias bastante distintas. O verdadeiro deliberativo, como o subjuntivo hortativo, é intramural. A segunda e terceira categorias são pseudodeliberações. O sujeito na primeira pessoa do subjuntivo não faz a pergunta para si mesmo. Meu argumento é triplo: existe ainda muito território gramatical a ser vencido, os resultados podem ser exegeticamente proveitosos e, entretanto, não poucas categorias gramaticais tanto ocultam quanto revelam.
3 –     A voz média
A falácia mais comum ligada à voz média é a suposição de que praticamente todo ponto em que ela ocorre é reflexivo ou sugere que o sujeito age por si só. É claro que os gramáticos competentes não são tão ingênuos, mas ainda assim esta falácia tem aparecido em muitas obras e, normalmente, surge com o propósito de sustentar alguma doutrina preferencial.
4 –     O perfeito perifrástico em Mateus 16.19
O problema tão discutido aqui é como o texto deve ser traduzido. Durante os últimos cinqüenta anos, foram publicadas em periódicas discussões calorosamente redigidas a respeito deste ponto. Quando passamos para questões paradigmáticas, contudo, pode-se progredir. Um exame preliminar da evidência sugere que a força de futuro é provável nos caos onde o particípio perfeito normalmente tem forças de presente, porque o verbo é defectivo. Estas questões não fornecem respostas absolutamente incontestáveis; mas neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras. Evita-se assim a falácia de pressupor que todos os problemas relativos ao significado dos tempos verbais podem ou devem ser resolvidos recorrendo-se apenas a considerações morfológicas e sintagmáticas.
Falácias ligadas a várias unidades sintáticas
1 –     Condicionais
Três falácias merecem ser mencionadas sob este titulo. A primeira é comum. Em condicionais de primeira classe, geralmente chamadas condicionais "reais", com freqüência acredita-se que a prótase é considerada verdadeira, isto é, a coisa suposta é real. Em condicional de primeira classe, a prótase é considerada verdadeira por causa do argumento, mas a coisa realmente suposta pode ser verdadeira ou não. Em segundo lugar, é uma falácia sustentar que condicionais de terceira classe têm alguma expectativa implícita de cumprimento, seja ela duvidosa ou não. Em terceiro lugar, porém, quando um argumento que não há uma "referência temporal" evidente na apódose é futura em seu significado, seja o verbo um aoristo do imperativo, um subjuntivo. Um presente do indicativo, um futuro do indicativo, um aoristo do subjuntivo com îna, ou alguma outra forma.
2 –     O artigo: considerações preliminares
O artigo definido em grego é extremamente difícil de ser classificado de maneira exaustiva. Contudo, existem alguns princípios orientadores, e aqueles que os ignoram ou deixam de entendê-los acabam por cometer muitos enganos. Os gramáticos, claro, compreendem essas questões. Contudo, é espantoso como o mesmo não parece acontecer com muitos comentaristas.
3 –     O artigo: a regra de Graville Sharp
Algumas gramáticas apresentam a regra de forma bastante simplista. A falácia está em considerar esta regra em termos absolutos demais; pois, na verdade, certas condições são necessárias para que uma evidência concreta seja abrangida por esta regra. A falácia consiste em pressupor a validade universal da forma estrita da regra de Granville Sharp.
4 –     O artigo: a regra de Colwell e questões relacionadas
Sabe-se bem agora que em uma oração como kaì yeòv hn ò logov, o substantivo com o artigo constitui o sujeito, ainda que esteja colocado depois do verbo. Entretanto, além dessas limitações, a regra de Colwell pode ser facilmente utilizada de forma inadequada. A falácia em muitas reivindicações populares de Colwell está na crença de que a parte de sua regra que diz respeito a João 1.1 baseia-se em uma análise de todos os predicados anartros que precedem verbos de ligação. Em outras palavras, baseando-se no fato de que um substantivo predicativo precedendo um verbo de ligação é anartro, é uma falácia afirmar que é muito provável que ele seja definido.
5 –     Relação entre tempos verbais
Falácias exegéticas e teológicas surgem nesta área quando são tiradas conclusões sem se prestar a devida atenção às relações entre uma oração e outra, estabelecida pelas formas verbais.
O potencial para uma precisão renovada
Surpreendentemente, nas últimas décadas houve pouco progresso em gramática grega, refletindo em parte padrões decadentes na educação clássica e em parte um desvio de interesse para algum outro ponto. Esta situação pode mudar de maneira bastante rápida com a chegada do programa GRAMCORD, que é um programa de computador que consiste de um texto do Novo Testamento grego e um programa consideravelmente sofisticado que capacita o usuário a buscar qualquer construção gramatical de posicionalmente definida.
3 –     FALÁCIAS LÓGICAS
A natureza e a universalidade da lógica
A questão é lógica no primeiro sentido é natural. Não deve ser descartada como a peculiar e discutível teoria de Aristóteles. Antes é a série de relações que devem ser válidas se qualquer conhecimento e qualquer comunicação de conhecimento proposicional é possível.
Uma seleção de falácias lógicas
1 –     Falsas disjunções: uso inadequado da lei do termo médio excluído
São extraordinariamente comuns e potencialmente muito prejudiciais a uma exegese justa e imparcial. Naturalmente, algumas disjunções formais são apenas recursos estilísticos que não devem ser interpretados como verdadeiras disjunções. A poesia hebraica tende a expor esses recursos e o Novo Testamento também o faz.
2 –     Deixar de reconhecer distinções
Um bom exemplo desta falácia – aquela que argumenta que, por serem x e y semelhantes em certos aspectos, eles são semelhantes em todos os aspectos.
3 –     Uso de evidência seletiva
Um exemplo simples é o uso que alguns cristãos muito conservadores fazem de 1 Coríntios 14.33-36 para argumentar que as mulheres devem sempre manter silêncio na igreja. Elas não devem orar em voz alta, oferecer testemunho ou falar em circunstância alguma. Admite-se que tais versículos poderiam ser considerados dessa forma; mas uma interpretação assim resulta em um conflito inevitável com o que Paulo diz três capítulos antes, onde ele permite que, sob certas condições, as mulheres orem e profetizem na igreja.
4 –     Uso inadequado de silogismos
A falácia consiste em achar que certos argumentos são bons, quando uma breve reflexão mostra que não têm valor algum. Um ensino ocasionado por uma situação local não é universalmente aplicável. O ensino em questão (em 1 Timóteo 2.11-15) é ocasionado por uma situação local. Portanto, o ensino em questão não é universalmente aplicável. Neste caso, a forma do argumento é válida, mas a primeira premissa esta muito generalizada para que se possa acreditar nela.
5 –     Confusão de cosmovisões
A falácia consiste em alguém acreditar que a experiência e a interpretação da realidade individuais de uma pessoa são a estrutura adequada para se interpretar o texto bíblico; na verdade, porém, se examinarmos além do nível superficial, pode haver diferenças tão profundas que descobrimos que estão sendo usadas diferentes categorias, e a lei do termo médio excluído pode ser aplicada. A falácia em questão apresenta a necessidade mais evidente de distanciamento por parte do intérprete. A menos que reconheçamos a distância que nos separa do texto que está sendo estudado, iremos negligenciar diferenças de perspectiva, vocabulário e interesse; e involuntariamente estaremos transferindo nossa carga mental para o texto, sem nos determos para questionar se isso é apropriado. Isso não significa que o conhecimento real seja impossível. Antes significa que o conhecimento real é quase impossível se deixarmos de reconhecer nossas próprias suposições, indagações, interesse e procurarmos fazer concessões, estaremos mais capacitado separa evitar a confusão de nossa própria cosmovisão com as dos escritores
6 –     Falácia de estrutura interrogativa
Esta é uma subdivisão da falácia anterior. Ela faz uma pergunta que impinge uma situação desconfortável sobre o homem a quem a pergunta é dirigida. Todavia, antes que nós, teólogos, agradeçamos a Deus com presunção por não sermos basicamente historiadores, precisamos reconhecer que nós mesmos caímos em muitas falácias devido à forma em que estruturamos as questões.
7 –     Confusão injustificada entre verdade e precisão
Às vezes, a veracidade das Escrituras é depreciada devido à sua demonstrável imprecisão. Contudo, é uma falácia confundir essas duas categorias ou achar que há algum tipo de vinculo entre os dois conceitos.
8 –     Apelo puramente emotivos
É claro que não há nada intrinsecamente errado com a emoção. Contudo, apelos emotivos às vezes mascaram as questões ou escondem as falhas do argumento racional subjacente. Infelizmente, quando mais discutida a questão, mais freqüentes se tornam os apelos emocionais ilegítimos, e às vezes estes aparecem entrelaçados com o sarcasmo. O apelo a argumento emocionais pode abranger os modos pelos quais os dados são apresentados.
9 –     Generalização e demasiada especificação injustificadas
Neste caso, a falácia consiste na crença de que uma proposição particular pode ser generalizada apenas porque se adapta ao que queremos que o texto transmita, ou na crença de que um texto diz mais do que na verdade diz. Infelizmente, às vezes os evangélicos caem na mesma armadilha.
10 –     Influências negativas
Se uma proposição é verdadeira, isto não significa necessariamente que uma inferência negativa a partir dessa proposição também seja verdadeira. A inferência negativa pode ser verdadeira; mas isto não deve ser tomado como certo, e em qualquer caso ela nunca é verdadeira porque é uma inferência negativa.
11 –     Inferências injustificadas
Esta é uma subdivisão particular da quinta falácia deste capítulo. Ela ocorre quando uma palavra ou expressão desencadeia uma idéia, conceito ou experiências associados que não têm nenhuma relação direta com o texto em questão, mas mesmo assim são usados para interpretá-lo. Este erro é surpreendente fácil de ser cometido na pregação textual, negligenciando a velha máxima de que um texto fora de contexto torna-se pretexto para um texto-prova.
12 –     Falsas declarações
É surpreendente a freqüência com que livros ou artigos dão informações falsas; e se nos basearmos demais em tais obras, nossa exegese será mal direcionada. Até mesmo eruditos que geralmente são cuidadosos cometem erros, às vezes porque se baseiam em fontes secundárias incertas, outras porque a própria memória os enganou.
13 –     O non sequitur
Este caso diz respeito a conclusões que "não seguem" da evidência e dos argumentos apresentados. Há muitas formas, com freqüência facilmente apresentadas pelo silogismo.
14 –     Rejeição arrogante
Neste caso, a falácia consiste em pensar que o argumento de um opositor já foi realmente discutido, quando na verdade foi apenas colocado de lado.
15 –     Falácia baseadas em argumentação equívocas
Com este título geral, refiro-me a argumentos que não podem ser considerados errados, mas que mesmo assim são imperfeitos, equívocos, insatisfatórios. Eles alegam proferir mais do que podem. Há diversos tipos de argumentações equivocada. Um intérprete pode fazer a pergunta retórica, contudo a pergunta retórica pode estar baseada na pressuposição implícita, que o autor concluiu antecipadamente para si. Ainda menos recomendável é aquela forma de argumenta que busca com determinação a linguagem mais ambígua possível a fim de assegurar a mais ampla concordância. Outro tipo de argumentação equivocada ocorre quando consciente ou inconscientemente um comentarista expressa sua explanação de forma tal que deixa duas ou mais opções abertas.
16 –     Analogia inadequadas
A falácia aqui esta na suposição de que determinada analogia esclarece um texto ou tema bíblico quando, na verdade, ela é comprovadamente inadequada ou imprópria. Analogias sempre incluem elementos tanto de continuidade quanto de descontinuidade junto com o que se propõem a explicar; mas para que uma analogia seja de alguma forma válida, os elementos de continuidade devem predominar no momento da explicação.
17 –     Uso impróprio de expressões como "obviamente" e outras semelhantes
É perfeitamente adequado que um comentarista use expressões como "obviamente", "nada pode ser mais evidente" ou algo assim, quando ele já dispôs evidências tão irrefutáveis que a grande maioria dos leitores concordaria que o assunto é evidente ou que o argumento é logicamente conclusivo. Contudo, é impróprio usar tais expressões quando argumentos opostos ainda não foram refutados definitivamente, e é uma falácia achar que as expressões em si acrescentam algo significativo à argumentação.
18 –     Reivindicações simplistas de autoridade
Pode-se reivindicar a autoridade de ilustres eruditos, pastores respeitados ou autores célebres, a opinião da maioria e várias outras. A falácia consiste na crença de que recorrer à autoridade de outros justifica determinada interpretação de um texto; na verdade, porém, a menos que as razões de tais autoridades sejam expostas, a única coisa que tais reivindicações demonstram é o que o escritor está sob a influência daquela autoridade importante.
4 –     FALÁCIAS HISTÓRICAS E DE PRESSUPOSTOS
A Bíblia contém muitos dados históricos; e onde os seres humanos limitados e decaídos lidam com a história, falácias de historiadores serão encontradas. A exegese envolve uma linha de pensamente e argumentação sistematizadas, e onde houver tal raciocínio sistematizado, aí também encontraremos falácias de pressupostos.
A influência da nova hermenêutica
Nas atuais circunstâncias, é essencial mencionar a revolução no pensamento provocada pelo surgimento da "Nov hermenêutica". A nova hermenêutica derruba a rigorosa disjunção sujeito / objeto característica da antiga teoria hermenêutica. Em algumas exposições da nova hermenêutica, o significado real e objetivo em um texto é uma miragem, e buscá-lo é algo tão útil quanto procurar uma agulha em um palheiro. Escritores mais sofisticados entendem que o círculo hermenêutico não é vicioso: idealmente, é mais uma espiral hermenêutica. Se é verdade que a nova hermenêutica pode nos ensinar a sermos cuidadosos e auto-conscientes de nossas próprias limitações e preconceitos quando abordamos a Palavra de Deus teremos um grande proveito; mais será prejudicial se servir como fundamento para a "relativização" de todas as opiniões a respeito do que as Escrituras estão dizendo.
Algumas falácias históricas e de pressuposto
1 –     Reconstrução histórica livre
A falácia está em enfatizar demais reconstruções especulativas da história judaica e cristã do primeiro século na exegese de documentos do Novo Testamento. O problema é não temos quase nenhum acesso à história da igreja primitiva durante suas primeiras cinco ou seis décadas à parte dos documentos do Novo Testamento. O problema é tão endêmico para a erudição do Novo Testamento que muitas divisões entre eruditos conservadores e liberais podem ser determinadas em termos desta falácia metodológica. Ainda pior é o fato de tal reconstrução histórica livre muitas vezes estar ligada às abordagens mais extravagantes a fim de formular críticas que geram obras duplamente livre.
2 –     Falácia de causalidade
Falácias de causalidade são explicações falhas das causas dos eventos. Não é difícil encontrar exemplos destas e de outras falácias nos escritos dos eruditos do Novo Testamento.
3 –     Falácia de motivação
Falácias de motivação podem ser consideradas uma subdivisão das falácias causais: "Uma explicação baseada na motivação pode ser entendida como um tipo especial de explicação casual na qual o efeito é um ato inteligente, e a causa é o pensamento por trás disso; ou pode ser concebida em termos não-causais, como um paradigma de comportamento exemplar". A proporção mais alta de falácia de motivação surge hoje em alguns estudos radicais da crítica da redação do Novo Testamento.
4 –     Paralelomania conceitual
Esta é uma réplica conceitual da paralelomania verbal abordada no capitulo 1. Em particular, a paralelomania conceitual é atraente para aqueles que fizeram estudo avançados em um campo especializado, mas que não têm mais do que um sério conhecimento de escola dominical das Escrituras.
5 –     Falácia que surgem da falta de distanciamento no processo interpretativo.
A mais óbvia destas é a transferência de uma teologia pessoal para o texto. Contudo, se às vezes transferimos nossa própria teologia para o texto, a solução não está em retroceder para tentar a neutralidade, procurando tornar a mente uma tábua rasa para que sejamos capazes de ouvir o texto sem preconceitos.
5 –     REFLEXÕES FINAIS
Oportunidades para outras falácias
1 –     Problemas relativos ao gênero literário
Há muitos. Nossas definições modernas de "parábola" ou "alegoria" podem não ser exatamente o que os escritores antigos queriam dizer com esses termos. Como podemos estruturar nossas perguntas sobre gênero por meio do gênero sendo estudado? Muitos entram em choque com a necessidade de equilíbrio entes vínculos e desconexões quando dois trechos literários estão sendo comparados.
2 –     Problemas relativos ao uso que o Novo Testamento faz do Antigo
Estes incluem a natureza da autoria do antigo Testamento quando a correlação é a tipológica.
3 –     Argumentos a partir do silêncio
Os eruditos geralmente reconhecem que os argumentos a partir do silêncio são fracos; mas são mais fortes se podemos alegar que, em qualquer contexto particular, poderíamos ter esperado comentários adicionais por parte do falante ou narrador.
4 –     Problemas relativos à justaposição de textos
O problema é que todas as associações acabam produzindo um filtro que afeta a interpretação de outros textos. Podem existir falácias relacionadas não só AL modo pelo qual versículos isolados são interpretados, mas também ao modo pelo qual diversas passagens são associadas.
5 –     Problemas relativos a argumentos estatísticos
Muitas avaliações estatísticas são estruturadas em parte por decisões da crítica da redação que depende de números. Contudo, há muitas falácias metodológicas ligadas a argumentos estatísticos, falácias das quais muitos eruditos do Novo Testamento estão apenas vagamente conscientes. Ainda mais grave é o fato que foram feitos pouquíssimos estudos em literatura comparativa para sabermos se há padrões tradicionais de variabilidade nos escritos de um mesmo autor. Alem disso, muitas avaliações da crítica da redação tratam de palavras e frases "redacionais" e às vezes das passagens em que aparecem, como acréscimos posteriores ou referências a materiais não-históricos
6 –     O surgimento do estruturalismo
Uma nova geração de falácia vem sendo criada.
7 –     Problemas na distinção entre o figurado e o literal
É muito comum encontramos interpretações que tomo o literal pólo figurado ou vice-versa. Mais quais são os princípios que regem a determinação de distinções entre figurado/literal? O problema oferece mais um campo fértil para falácias de exegese
Ajuntando os pedaços
Necessariamente, esta discussão abordou as falácias em pedaços; todavia, na real tarefa da exegese, por serem extremamente complexas, algumas passagens provocam um infinidade de falácias ao mesmo tempo. Então, no auge das falácias estritamente exegéticas, enfrentamos novos perigos quando procuramos aplicar à nossa vida o significado do texto que descobrimos.
Pr. Anderson Roque

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