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10 de mar de 2014

Por que Deus inspirou textos difíceis? Parte II

Na primeira postagem com esse título, apresentamos a defesa de que há tantos textos de fácil quanto de difícil interpretação nas Escrituras. Pedro foi nosso porta-voz nessa questão (2 Pe 3:15-16). Agora, queremos apresentar duas das quatro razões por que Deus inspirou textos difíceis. Nossa discussão é baseada principalmente em anotações do livro "Irmãos, Nós Não Somos Profissionais", do pastor e escritor John Piper (2009:115). 

DESESPERO

Paulo declara em 1 Coríntios 2:14 que: "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porquelhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." Todos nós deprovidos da obra do Espírito Santo não passamos de homens naturais, carentes da glória de Deus (Rm 3:23).

Na declaração paulina, ressaltamos três fatores sobre nossa incapacidade inata de entender coisas espirituais:

Primeiramente, não há aceitação do que a Palavra diz - lemos como uma predisposição quase instantânea de rejeitação consciente ou não do ensino divino.

Adicione a isso, a mente do homem do século XXI assim como a de seu antecessor, e o antecessor deste e assim em uma espiral que regrede até nossos pais no Éder, inclina-se em deter a verdade pela injustiça (Rm 1:18). Ou seja, trocamos a verdade pela injustiça, pela mentira.Consideramos o que Deus diz: L-O-U-C-U-R-A! Carson (2009:70) diz: "O espírito do mundo não pode achar sentido para a cruz".(1) Ryle (2011:387) acrescenta: "Enquanto o mundo existir, a cruz será reputada como loucura pelo homem natural".(2)

Por fim, a afirmação: o homem natural "não pode entendêr-las". Não se fala de capacidade intelectual ou lógica, mas dediscernimento espiritual. Não há entendimento porque o mundo não possui o Espírito de Deus. Assim ele não conhecer "que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente." (1Co 2:12).

Carson (2009:72) conta-nos um episódio que ilustra bem essa verdade:

"Lembro-me de haver dado uma cópia do Livro Cristiano Básico, de John Stott, a uma brilhante aluna de graduação na Universidade de Cambridge, vinte anos atrás. Alguns meses depois entrei em contato com ela, para saber o que fizera com o livro. Ela disse que lera todo o livro e se mostrara tão desconfiada, que examinou realmente muitas das referências bíblicas, para assegurar-se que o autor não estava tentando incutir-lhe algo sorrateiramente. Ela chegara a uma conclusão: o cristianismo era ótimo para pessoas boas, mas não para ela

Isso não é admirável? Como uma brilhante aluna de graduação compreendia tão erroneamente o que Stott estava falando? De algum modo, nada do que ele dissera se harmonizava para ela. As coisas de Deus permaneciam como loucura para ela, porque são discernidas espiritualmente".(3)

Semelhantes ao eunuco da rainha Candace (At 8:26-40) se formos interrogados por alguém sobre o que estamos lendo, entendermos perfeitamente o sentido do texto sobre o qual nos debruçamos? Quantas vezes, o texto nos pergunta: "Entendes o que lês?" (v.30). Nosso despero ou desapontamento seria semelhante ao daquele funcionário real: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?" (v.31).

Quando enfrentar dificuldades com os textos da Palavra de Deus, o desespero deveria ser minha primeira sensação. Mas não qualquer desespero, e sim aquele que me faça lembrar de minha dependência absoluta do auxílio divino. Piper (2009:115) acentua:


"E é isto que Deus quer que sintamos. 
É isto que Ele desencadeou ao inspirar passagens difíceis" (4)


SÚPLICA

Após sentirmos despero por não entedermos as Escrituras, o Senhor nos conduz ao vale da súplica. O salmo 119 é um cântico onde a perfeição da Palavra de Deus é destacada. No entanto, em meio a tanto deslumbre pela sabedoria ali presente, vemos orações por direção na compreensão e aplicação da Palavra na vida do leitor:

"Bendito és tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos" (v. 12)
"Eu te contei os meus caminhos, e tu me ouviste; ensina-me os teus estatutos." (v. 26)
"A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos." (v. 64)
"Tu és bom e fazes bem; ensina-me os teus estatutos." (v. 68)
"Usa com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus estatutos." (v. 124)
"Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos." (v. 135)
"Os meus lábios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus estatutos" (v. 171)


Quanto a oração está tão ausente de nossos períodos de leitura das Escrituras?! Willam Bridge, escritor puritano, disse: "Ler sem meditar é improdutivo; meditar sem ler é lesivo; meditar e ler sem orar em ambos é deixar de ser abençoado". (5)

Na obra, Amado Timóteo, compilada por Thomas K. Ascol, lemos: "Todo o nosso estudo deve ser transformado em oração e servir ao propósito da santificação - dos outros e de nós mesmos. Isto apenas nos lembra, novamente, da importãncia de um conhecimento prático de Deus para o nosso aprendizado teológico. [...] Somente isto já é o bastante para nos alertar da importância da oração e do Espírito Santo em nosso estudo. Na oração, mostramos nossa mais profunda dependência de Deus para a obtenção do verdadeiro conhecimento. Apenas através do Professor, do Espírito Santo, é que conseguimos o verdadeiro conhecimento e o verdadeiro conhecimento de Deus. Ambas as realidades devem permear todo o nosso método de estudo" (p. 184). (6)


Precisamos nos conscientizar de que somente rogando a abertura de nossos olhos, de nosso entendimento, poderemos contemplar as belezas da Lei de Deus (Sl 119:18) e ter o coração aquecido pela leitura, exposição e aplicação da Palavra em nossa vidas (Lc 24:27, 32)

Piper nos dar a honra de encerrar essa primeira apresentação de por que Deus inspirou textos difíceis, declarando: 


"Inspirando coisas difíceis de compreender, Deus desencadeou no mundo o desepero que leva à súplica - agarrando-se a Deus por auxílio". (7)



Até a última parte de nossa meditação!



NOTAS:


(1) CARSON, D. A. A Cruz e o Ministério Cristão - Lições sobre Liderança Basedas em 1 Coríntios.  São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. 174 p.

(2) RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Lucas. São José dos Campos: Editora Fiel, 2011. 397 p.
(3) CARSON, Ibidem.
(4) PIPER, John. Irmãos, Nós Não Somos Profissionais - Um apelo aos pastores para ter um ministério radical. São Paulo: Shedd Publicações, 2009.
(5) Bridge apud Whitney, p. 92. In: WHITNEY, Donald S. Disciplinas Espirituais para a Vida Cristã. São Paulo: Editora Batista Regular. 333 p.
(6) DUNCAN, Ligon. Continue Estudando, in: ASCOL, Thomas K. Amado Timóteo - Uma Coletânea de Cartas ao Pastor. São José dos Campos: Editora Fiel, 2005. 316 p.

http://gramaticateologica.blogspot.com.br/2014/01/por-que-deus-inspirou-textos-dificeis_17.html

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