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01 novembro 2014

RESENHA – “A BATALHA DE TODO HOMEM” – STEPHEN ARTERBURN & FRED STOEKER

Não há outra coisa a pensar, quando nos deparamos com a “batalha de todo homem”, que não seja as “tentações sexuais”. Não trago tal estatística através de qualquer pesquisa divulgada, mas sim com base no conhecimento das Escrituras e nas paixões que há em meu coração que é enganoso: ou seja, 99% dos homens têm dificuldades nesta área. Talvez 1% que não se enquadre neste contexto deva ter algum problema físico, mas não quero generalizar esta “minoria”.

Não por menos, Jó, homem reto e íntegro, foi louvado por Deus diante de satanás. Este mesmo Jó precisou treinar seus olhos para não cobiçar qualquer donzela (Jo 31.1). Sendo Jó homem reto e íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal, precisou ele de disciplina para manter-se puro, o que dirá de nós que temos grande facilidade para pecar devido a frouxidão moral que se encontra nesta era. Os recursos eletrônicos podem em apenas um click nos colocar na “ilha da fantasia”.

A obra em questão é daquelas a se tornar de cabeceira, visto que a li pela quarta vez, e esta, em especial, para escrever a resenha, ajudando assim os irmãos que não estão tendo vitória nesta área. Pois é, nós temos um problema, e todo problema precisa ser resolvido. O bom é saber que Cristo está do nosso lado. Em graça e misericórdia sabendo que somos pó, Ele nos ajudará e não nos abandonará ainda que haja tropeços nesta batalha (disso tenho certeza que terá).

A obra é divida em seis partes. No final de cada parte é reservado um espaço chamado: “O coração de uma mulher”! onde é há depoimentos e o parecer delas a respeito do assunto. É muito interessante os comentários! Pedi a minha esposa que lesse o livro. Entendendo um pouco mais as minhas lutas, hoje ela pode me ajudar ainda com mais propriedade a respeito do assunto, pois a “mulher sábia edifica sua casa”. Partiremos para uma breve abordagem na proposta de cada capítulo.

PARTE 1 – ONDE ESTAMOS?

O capítulo trata do “padrão de Deus” quanto à pureza sexual. O texto base que os (quatro) autores usa é Efésios 5.3: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiam entre vós”. Para o padrão de Deus existe qualquer rastro de impureza na sua vida que precisa ser tratado?, é a pergunta colocada pelo autor.

O autor compartilha a frieza e a indiferença que entraram na sua vida por conta deste departamento escondido no seu coração, a impureza sexual. Após perceber o seu estado espiritual ele fez uma oração em comprometimento a Deus: “estou pronto para trabalhar contigo se o Senhor estiver pronto para trabalhar comigo”. Aquele ato mudou sua vida; ele buscou um curso para receber orientações sobre os padrões sexuais conforme Deus ordena para o casamento.

O autor conta de como esteve mergulhado na pornografia antes do seu casamento. Após ter se casado não comprou nenhuma revista pornográfica, entretanto, para os padrões de Deus, ele ainda estava distante de uma vida consagrada para ser usada em prol do Reino de Jesus. Enfrentou várias lutas ao buscar a pureza estabelecida por Deus ao ponto das pessoas dizerem que tudo isso era normal e que Deus sabia de sua fraqueza e mesmo assim o amava.

A questão era na prática; sua fé era fraca e qualquer incidente ocorrido o atormentava pela culpa. Pensava ele que era por causa do seu pecado que vinham as intempéries ocorridas. Sendo o cabeça da casa, todo o corpo sofre as consequências por não ter a cabeça pensando da forma que deveria. Todos indiretamente estavam pagando o preço pelo seu pecado, a saber: a esposa, a igreja e os filhos.

O autor expõe o seu desespero contando sobre sua distancia para com Deus e as consequências de tudo isso. Aborda também o sentimento que invade os homens devido às derrotas quando estão lutando contra si em busca dos padrões morais de Deus.

Outra cousa muito importante que ele aborda neste capitulo é a questão se este problema é somente um vício ou algo mais. Ele traz um teste pelo qual você descobrirá o grau do seu problema. No meu caso foi certeiro!

CAPÍTULO 2 – COMO CHEGAMOS AQUI

O autor trata da procrastinação do pensar que seremos libertos deste pecado por obra mágica. Ele traz diversos depoimentos de pessoas que não eram saciadas sexualmente pelo seu cônjuge (seja pela falta de apetite sexual ou por questões físicas) e que atenuaram no seu coração a culpa pelo pecado e a consequência de sua gravidade. Como haverá mudança sem o reconhecimento que se precisa de uma mudança?

O autor faz uma abordagem bíblica do que o Senhor requer em nossa vida sexual. Vários textos são citados dentro do contexto da proposta do autor. Ele traz a diferença entre “obediência e excelência”. “Almejar ‘obediência’ é almejar a perfeição, não a ‘excelência’, a qual se encontra numa posição inferior”, diz o autor. É possível (pelo menos no mundo corporativo) buscar excelência não pagando muito por isso. Já a perfeição não tem como! Ela exige produtos perfeitos e serviços perfeitos, os quais consomem grande parte dos lucros. Muitos homens pararam no excelente; e para o padrão mundano, estão perfeitos. Mas aos olhos de Deus vai tudo mal; “sede perfeitos como perfeito é o pai de vocês”, disse Jesus. “Instruir-se sobre Cristo custa algo. Mas viver como Cristo tem um preço muito alto”, arrazoa o autor.

O que me atraiu neste livro foi a forma sincera que o autor aborda suas fraquezas e fracassos por durante dez anos de luta. Ele traz de uma forma científica este desejo intenso por sexo que os homens têm, contrapondo os das mulheres. Toda essa libido é da nossa natureza e assim Deus fez; basta saber usarmos da forma certa, no tempo certo e com a pessoa certa; o que não podemos é eliminar nossa masculinidade.

CAPÍTULO 3 – OPTANDO PELA VITÓRIA

Este é o capítulo da decisão! Quando reconhecemos a gravidade de nosso pecado e do quanto estamos atolados na lama da lascívia. Um homem verdadeiro age e comporta-se como homem. Em toda luta há os pontos mais difíceis da batalha. Na luta pela pureza sexual não é diferente. Os primeiros dias são mais tranquilos; no decorrer, a situação piora; lembre-se, Deus é Soberanos e faz o que lhe apraz, mas dificilmente irá fazer com que haja uma queda hormonal. Ou seja, não espere ter vontade de “não pecar”; o verdadeiro homem de Deus amortece pelo Espírito os seus desejos e crucifica suas paixões e concupiscências. É preciso tomar a decisão e “propor no coração” o desejo pela pureza estando disposto a morrer para si e viver para Cristo.

O autor trata daquilo que ele perdeu devido a sua impureza. Através desta luta e na vitória dela, ele recuperou o seu relacionamento com Deus - com a esposa - com os filhos - e com o seu ministério. Ele cita a experiência que D. L. Moody, quando Moody ao ouvir de alguém que “o mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com um homem completamente devotado a ele”: Moody respondeu: “Eu sou esse homem”.

Através de suas experiências, vitórias e fracassos, os autores traçam um plano de ação para lutar esta batalha focada no objetivo desta guerra. O plano envolve perímetros: 1) dos olhos, 2) da mente e 3) do coração. Com ajuda de Deus e construindo novos hábitos (impureza é um hábito), o autor diz que é possível deixar o velho estilo de vida em seis semanas. Sempre vigiando, mas é possível. Deus é bom! O autor trata do modo como devemos lidar com o mundo, com a carne e com o diabo.

CAPÍTULO 4 – VITÓRIA COM SEUS OLHOS

Neste capítulo o autor nos traz em “detalhes” os novos hábitos que nos ajudarão a manter-se puro de acordo com o padrão de Deus: 1) “desviando os olhos”; 2) “subjugando os olhos”; a 3) “espada e o escudo”. Este é o capítulo, talvez, mais interessante para aqueles que estão verdadeiramente dispostos agradarem a Deus e consagrar-se a Ele.

No Reino de Deus a obediência sempre termina em alegria e paz. Vale a pena! Preciosas dicas são apresentadas de uma forma prática para obtermos vitória em nossas emoções. Este capítulo só será útil para aquele que entendeu o padrão moral de Deus e também o tamanho de sua pecaminosidade. Este novo hábito trará suas recompensas. A principal delas será a paz pela comunhão com Deus por estar honrando-O e o glorificando-O.

CAPÍTULO 5 – VITÓRIA COM SUA MENTE

Nossa mente é indomável. Se não levarmos ela cativa a Cristo, cativa ela será por aquilo que procede do coração: lascívia, adultério e toda sorte de imoralidade. Neste capítulo o autor aborda como “transformar nossa mente” e purifica-la pelo exercício com ajuda da Palavra de Deus. Ele diz que a “mente é como um cavalo indomável, correndo livre, ora com pensamento organizado, ora sem qualquer ordem”.

Precisamos proteger nossos pensamentos, pensando no que é puro, naquilo que é louvável e de boa fama. Ele aborda também “aproximando-se do seu curral”, ou seja, mulheres que irão se aproximar de você: 1) mulheres que você acha atraentes e 2) mulheres que acha você atraente. Qual deve ser nossa postura diante destas situações. Aborda como devemos lidar com aquelas que já estão dentro do nosso curral: 1) antigas namoradas e 2) esposas dos nossos amigos.

Muitos não cuidaram do “seu curral” e hoje têm uma triste história para contar. Que Deus nos ajude, pois aquele que está de pé cuide-se para que não caia.

CAPÍTULO 6 – VITÓRIA EM SEU CORAÇÃO

Este capítulo aborda os perigos do nosso enganoso coração. Como está escrito: “Tudo o que se deve guardar, guarde o seu coração, pois dele procede as saídas da vida” (Pr 4.23). Como ocupar-se totalmente com o propósito de Deus de estimar sua esposa? É um assunto que ele trata de uma forma fantástica.

“Se os cristãos se ocupassem totalmente dos propósitos de Deus, isso se refletiria primeiro em nossos casamentos”. Essa frase reflete o verdadeiro e principal ministério instituído por Deus.  Infelizmente a taxa de divórcio no meio evangélico tem crescido de uma forma assustadora. Hoje [07.07.14] li algo muito interessante no facebook, dito pelo irmão Josemar Bessa: “Muitos casamentos acabam porque na obsessão de ser feliz, muitos amam imensamente a felicidade, não o outro”.

Precisamos lutar pela nossa família, que é o nosso bem mais precioso. O autor traz uma reflexão da fidelidade de Urias para com Deus. Um homem que tinha o temor e cuidava de sua esposa sendo sua “cordeirinha”. Quanta honra Urais me encoraja a buscar! Que exemplo de fidelidade em tudo – seja para com os homens – seja para com Deus. “Carregue a Honra”. Leia este relato em oração quando puder (2 Crônicas 11).

Honre sua esposa. Honre os familiares dela; lembre-se, você a tirou do conforto do seu lar; lá ela tinha toda mordomia e segurança, mas por amor a você, em confiança, submeteu a estar ao seu lado pela vida toda. Honre a esperança dela. Agindo assim Deus se agradará de você e te levará para Sua vontade que é boa, perfeita e agradável.

GUIA DE ESTUDO E DISCUSSÃO

No final do livro o autor disponibiliza um guia de estudo e discussão, onde poderá ser abordado em um grupo de homens. Vale a pena ler e aplicar esse estudo em reuniões de pequenos grupos.

MEU PARECER:

Não adianta maquiarmos o nosso problema. O pecado bate a porta, e quem é capaz de domina-lo? Precisamos de mais graça e misericórdia em nossos gabinetes, pois muitos não se sentem a vontade para compartilhar sua escravidão na área da sexualidade. É como um tumor não cuidado; vira um câncer e por vezes, em dias, mata sem a possibilidade de nenhuma de reação. Assim é este “pecado secreto”. Vale a pena se santificar! Vale a pena honrar a Deus através da fidelidade (inclusive da mente) para com nossa esposa. Quero deixar um trecho das Escrituras para a meditação dos irmãos; para aqueles que têm dificuldade nesta área (assim como eu e noventa e nove por cento dos cristãos). Arrazoe isso no seu coração! Dá tempo de reverter e viver uma vida de paz para com Deus e um romance maravilhoso com sua amada esposa.

“Diga à sabedoria: "Você é minha irmã", e chame ao entendimento seu parente; eles o manterão afastado da mulher imoral, da mulher leviana e suas palavras sedutoras. Da janela de minha casa olhei através da grade e vi entre os inexperientes, no meio dos jovens, um rapaz sem juízo. Ele vinha pela rua, próximo à esquina de certa mulher, andando em direção à casa dela. Era crepúsculo, o entardecer do dia, chegavam as sombras da noite, crescia a escuridão. A mulher veio então ao seu encontro, vestida como prostituta, cheia de astúcia no coração. (Ela é espalhafatosa e provocadora, seus pés nunca param em casa; uma hora na rua, outra nas praças, em cada esquina fica à espreita.) Ela agarrou o rapaz, beijou-o e lhe disse descaradamente: "Tenho em casa a carne dos sacrifícios de comunhão, que hoje fiz para cumprir os meus votos. Por isso saí para encontrá-lo; vim à sua procura e o encontrei! Estendi sobre o meu leito cobertas de linho fino do Egito. Perfumei a minha cama com mirra, aloés e canela. Venha, vamos embriagar-nos de carícias até o amanhecer; gozemos as delícias do amor! Pois o meu marido não está em casa; partiu para uma longa viagem. Levou uma bolsa cheia de prata e não voltará antes da lua cheia". Com a sedução das palavras o persuadiu, e o atraiu com o dulçor dos lábios. Imediatamente ele a seguiu como o boi levado ao matadouro, ou como o cervo que vai cair no laço até que uma flecha lhe atravesse o fígado, ou como o pássaro que salta para dentro do alçapão, sem saber que isso lhe custará a vida. Então, meu filho, ouça-me; dê atenção às minhas palavras. Não deixe que o seu coração se volte para os caminhos dela, nem se perca em tais veredas. Muitas foram as suas vítimas; os que matou são uma grande multidão. A casa dela é um caminho que desce para a sepultura, para as moradas da morte.” - (Provérbios 7. 4-27)

Pense nisso!

“Há caminho que parece reto ao homem, mas no final conduz à morte”.

- Provérbios 16.25 (NVI)
Por Fabio Campos

22 julho 2014

RESENHA – “PREGAÇÃO & PREGADORES” – D. MARTYN LLOYD-JONES

Ao término da leitura “Pregação e Pregadores” ajoelhei e supliquei a misericórdia de Deus sobre minha vida. O quão distante a igreja está do nível de pregação e estilo de Lloyd-Jones. Posso englobar “pentecostais e tradicionais”. Lloyd-Jones era de linha calvinista e por isso muita das vezes parei a leitura para pensar: “Já não se faz calvinistas como antigamente”. Quanto equilíbrio! Fervor junto da eloquência – Piedade com intelectualidade. 
Como iniciante na arte da exposição das Escrituras, tenho ainda muita dificuldade em preparar um sermão. Uma dificuldade ainda maior é de anuncia-lo de forma clara e organizada. Como esta obra me ajudou e colocou minha organização, desde o esboço, até a exposição, no prumo. Deus foi bom comigo por me apresentar esta obra. Por isso recomendo a todos e “gasto” meu tempo em escrever a respeito, encorajando aqueles que foram chamados para expor todo o “conselho de Deus” aos homens. Creio que tal obra é leitura obrigatória a todo pregador que ama a Palavra de Deus e deseja prega-la de forma fidedigna.
Preciso ser sincero quanto ao “prefácio da edição em português”. Com todo respeito ao Pr. Josafá Vasconcelos -, arrazoando seu escrito, julgo que ficou aquém do conteúdo do livro. Principalmente por chamar Charles G. Finney de pelagiano. Creio que o exagero maculou o prefácio e por isso não posso dizer que tal tem muito haver com as dicas preciosíssimas de M. Lloyd-Jones.
A obra é divida em 16 capítulos. Vou tratar objetivamente a respeito de cada um para que o leitor seja aguçado a mergulhar no estudo completo desta riquíssima obra. 

CAPÍTULO 1 – A PRIMAZIA DA PREGAÇÃO

O capítulo aborda a pregação sendo o “maior e a mais gloriosa vocação para alguém ser chamado”. Transcende o discurso metódico através de meios ou técnicas. A pregação não pode ser mecânica - nem tão pouco se trata de oratória. Pessoas previsíveis não passa confiança pela sinceridade que transmitem a Verdade de Deus. O capítulo aborda também os temas: “Grandes pregações sempre dependem de grandes temas. Grandes temas sempre produzem grandes discursos em qualquer campo; e, de fato, isto é particularmente veraz, como é óbvio, no campo da igreja”.
O Dr. afirma que a pregação não se trata de uma palestra ou ensaio. Por mais que pareça agradável a mente dos intelectuais este tipo de abordagem nas ministrações, não é para Deus, pois a pregação foi constituída para alimentar as almas e não a mente. Por conta deste método, Lloyd-Jones diz que “à medida que a pregação declina, o aconselhamento pessoal aumenta”.
O Dr. Também aborda o “evangelho social”. Trata da importância da igreja no contexto social, todavia, é necessário tomar cuidado para não transformarmos a igreja em uma ONG e a mensagem em Alto-ajuda. Lloyd-Jones diz: “A igreja não é uma organização ou instituição social, não é uma sociedade politica, não é uma sociedade cultural, é ‘coluna e baluarte da verdade’”.

CAPÍTULO 2 – NÃO HÁ SUBSTITUTOS

Não há atividade mais importante no culto do que a ministração da Palavra. Não há substitutos. O púlpito precisa estar no centro do culto e da igreja. Lloyd-Jones ratifica a importância dos que foram designados por embaixadores do Reino. Sua mensagem principal é a reconciliação de Deus com os homens. O homem é rebelde por natureza, desviado desde o ventre. O papel do embaixador é tornar-lhe isso conhecido.
Ainda que haja ajuda da psicologia e das ciências para que de algum modo posso suavizar a dor e o problemas da vida, ainda sim, o Evangelho é o único remédio eficaz, pois o levará para a eternidade. Lloyd-Jones argumenta que a pregação tem uma posição primordial, pois a verdadeira pregação aborda os problemas pessoais. Por isso ela não deve ser suprimida pelos aconselhamentos.

CAPÍTULO 3 – O SERMÃO E A PREGAÇÃO

Pregar não é debater. Ele argumenta que não podemos pregar por porfia nem tão pouco para ostentar intelectualidade. A grande maioria dos debates promove o debatedor e nunca a Cristo. Muitas das vezes Lloyd-Jones se recusou a participar de debates e acerca disso: “Debater sobre o ser de Deus de maneira casual, assentados confortavelmente em uma poltrona, fumando um cachimbo, um cigarro ou um charuto - isto é para mim algo que jamais deveríamos permitir, porque Deus, conforme venho dizendo, não é uma espécie de conceito ou X filosófico”. Ele ainda diz: “Nunca devemos nos aproximar desse tema de maneira leviana ou com mero espírito de debate; além disso, esse tema jamais deve ser considerado assunto [pregação] para entretenimento”.
A pregação não se trata de um ensaio moral ou alguma espécie sobre princípios éticos. É algo que transcende o entendimento humano. É a mensagem dada por Deus: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi”. Lloyd-Jones diz que é “isso que determina a mensagem ou o sermão como tal”. D. Martyn ratifica o papel de um embaixador dizendo ser “alguém enviado para falar em lugar de outrem. Ele é o porta-voz de seu governo, de seu presidente, de seu rei ou imperador ou de qualquer outra forma de governo que, porventura, exista em seu país”.

CAPÍTULO 4 – A FORMA DO SERMÃO

O Dr. Começa propondo neste capítulo que precisamos entender a relação existente entre teologia e pregação. A pregação deve sempre ser teológica. É impossível preparar um esboço sem pensar em Deus. Até mesmo a pregação evangelística precisa ser teológica. Tudo precisa estar alinhada com a Sã doutrina para não darmos comida estragada a pessoas. Pensar em Deus, de modo simples, também é fazer teologia.
Outro ponto também que ele aborda é que muitos falam belas coisas do Evangelho; demonstram o quão maravilhoso ele é. Todavia, precisamos pregar o evangelho e não pregar a respeito do evangelho. Lloyd-Jones diz que “o evangelho é maravilhoso, é digno de elogios, mas esta não é a tarefa primordial do pregador. Ele deve apresentar, declarar o evangelho”. E de fato muitos pregadores têm caído nesta armadilha, principalmente aqueles que tende a “poetizar a mensagem bíblica”.
Um sermão não é um ensaio e nem tão pouco uma palestra. Também não é um comentário expondo o significado de um versículo. Lloyd-Jones diz que “o que faz um sermão ser um sermão é que tem forma especifica que o diferencia de tudo mais”. Ao expor as Escrituras precisamos mostrar que não estamos tratando de um assunto acadêmico ou teórico, mas de algo vital para os ouvintes e que eles ouçam com todo seu ser, e isso ajudará a vivê-los.
Mesmo sendo iniciante, nestes poucos anos de experiência, posso afirmar com certeza que, até hoje, não pude experimentar tarefa mais difícil e trabalhosa do que pregar a palavra de Deus. Ser simples sem ser simplista é o maior desafio de todo pregador diante dessa solene incumbência.

CAPÍTULO 5 – O ATO DA PREGAÇÃO

Neste capítulo do Dr. aborda aquilo que pra mim é a parte mais importante na integridade da mensagem e a qual tenho maior dificuldade: “A entrega do sermão”, ou seja, o “ato de pregar”. Sermão é aquilo que escrevemos; pregação é aquilo que falamos. Os dois precisam estar muito bem alinhados.
O pregador deve constantemente lembrar que ali ele se encontra para “declarar” a mensagem de Deus e que pelos céus foi revestido de autoridade. O pregador precisa preparar o seu sermão com toda diligencia, contudo, não deve ficar preso a ele. Precisa estar livre no sentido da inspiração do momento. Lloyd-Jones traz um fato muito importante e ao mesmo tempo interessante: “Uma das coisas mais notáveis sobre a pregação é esta: descobrimos frequentemente que as melhores coisas ditas pelo pregador são aquelas que não foram premeditadas; aquelas sobre as quais ele não havia pensado durante a preparação do sermão, mas que lhe são dadas enquanto está no processo de falar e pregar”.  
Ele aborda também a importância da pregação “fervorosa”: “O pregador jamais deve ser monótono, nunca deve ser enfadonho; ele nunca deve ser o que se chama de ‘cansativo”. Lloyd-Jones ainda diz “como pode ser monótono um homem que trata desses assuntos? Quero dizer que um ‘pregador monótono’ é uma contradição; se ele é monótono, não é um pregador. Pode subir a um púlpito e falar, mas certamente não é um pregador. Ante o grandioso tema e mensagem da Bíblia, a monotonia se torna impossível”.
Ele aborda também o amor que o pregador precisa ter para com os seus ouvintes. Trata do elemento da “empatia e emoção”, dizendo ser extremamente vital para com expositor das Escritas. Uma frase dita pelo Dr. me chamou a atenção; parece que ele estava falando a muitos pregadores atuais dos dias de hoje. Ele diz que empatia e emoção são escassas em grande parte dos irmãos reformados. Ele continua argumentando: “Somos tão eruditos, dominados profundamente a verdade, que tendemos por desprezar os sentimentos. As pessoas comuns, pensamos, são emocionais e sentimentais, mas não têm qualquer compressão”.

CAPÍTULO 6 – O PREGADOR

O Dr. Martyn Lloyd-Jones aborda este capítulo com muita propriedade, por ter ele abandonado sua carreira de médico para se dedicar em tempo integral a pregação do evangelho. Ser pregador não algo dado pelos homens. É vocação dada por Deus. O ato de pregar em uma congregação não está aberta a todo homem. Ele informa que a chamada para o ministério da pregação veem pela conscientização no espírito onde todo o assunto é dirigido para o tema da pregação.
Diz que este chamado [o de pregar] “é algo do que nos tornamos conscientes, e não algo que realizamos; é colocada sobre nós, apresentada a nós e quase que constantemente reforçada por nós”.  “A característica deste chamado é que inclui o interesse pelo próximo, a preocupação pelos outros, a percepção de que se encontram em estado e condição de perdidos, bem como o desejo de fazer algo por eles: anunciar-lhes a mensagem e apontar-lhes o caminho da salvação”.
O Sr. Spurgeon costumava dizer aos jovens: “Se vocês podem fazer outra coisa, faça-o. Se podem ficar fora do ministério, fiquem fora do ministério”. Ele disse isso porque aquele que foi realmente chamado não consegue deixar de pregar a Cristo crucificado. “O elemento principal de todo pregador é o amor a Deus, o amor às almas, o conhecimento da verdade e a habitação do Espírito Santo em nós. Estas são as coisas que constituem um pregador”, diz Lloyd-Jones.

CAPÍTULO 7 – A CONGREGAÇÃO

Este capítulo aborda a importância do pregador em conhecer os seus ouvintes. Tornou-se um grande desafio ao pregador para expor a Bíblia nos dias de hoje, já que o homem moderno não está muito disposto a ouvir longos sermões. Como disse certo escritor: “O mundo está mais carente de bons ouvintes do que de bons pregadores”.
O cuidado em pregar o evangelho ao invés de querer impressionar os intelectuais é abordado neste capítulo. O Dr. traz várias fatos e experiências ocorridas ao longo de sua vida ministerial. Ele usa as palavras de Martinho Lutero para trazer luz a este contexto: “Um pregador deve ter a habilidade de ensinar de maneira mais simples, completa e clara àqueles que não têm boa instrução; porque ensinar é mais importante do que exortar”. E ainda nas palavras de Lutero, diz: “Quando prego, não levo em conta nem doutores nem magistrados, dos quais tenho mais de quarenta na minha congregação. Toda a minha atenção está focalizada nas empregadas e nas crianças. E, se os eruditos não estão satisfeitos com o que ouvem, bem, a porta está aberta”.
D. Martyn Lloyd-jones diz que “não existe maior erro do que pensar que precisamos de um evangelho diferente para pessoas especiais”. Este é o senso que o pregador precisa ter, que “não pode haver intelectual ou não-intelectual, ou operário, ou profissional liberal, ou qualquer outro tipo de pessoa. Somos todos iguais no pecado, no fracasso, no desespero, na necessidade que todos temos do Senhor Jesus Cristo e de sua grande salvação”.
Ele aborda também da necessidade de cuidarmos do “fraco na fé”, não pisoteando sua consciência, mas antes o ajudando sem discutir assuntos controversos.

CAPÍTULO 8 – O CARÁTER DA MENSAGEM

Este é o assunto onde Lloyd-Jones trata do relacionamento entre o pregador e os seus ouvintes. A importância da transmissão da mensagem onde possa ser compreensível sem muita dificuldade. Um grande conselho é dado aos jovens pelo Dr.: “A falha principal de todo pregador jovem consiste em pregar conforme gostaria que os ouvintes fossem e não conforme eles realmente são”. Gostam de expor as biografias de santos do passado e utilizar dos ensinos dos pais da igreja e dos reformadores. O que também é muito importante. Todavia, o povo é muito mais simples do que pensamos. É preciso pregar ao coração antes de preocupar-se em pregar para a mente.
A mensagem deve ser preparada e anunciada por aquele que a sentiu primeiro. Não importa qual caráter seja. Até um sermão evangelístico, se um crente, ainda que esteja por muitos anos no evangelho, caso ouça um sermão evangelístico e não se sente emocionado ou comovido, Lloyd-Jones diz que desconfia seriamente para saber se tal realmente é um crente. A mensagem precisa queimar em nosso coração para depois queima-la o coração das pessoas.
Lloyd-Jones ainda trata do zelo intelectual exagerado: “O evangelho não visa meramente ao intelecto; e, se a nossa pregação sempre for expositiva, [somente] para a edificação e o ensino, isso produzirá membros de igreja apáticos, frios e, com frequência, insensíveis e auto-satisfeitos. Desconheço outra coisa que mais provavelmente produzirá uma congregação de fariseus”.
O Dr. também trata neste capítulo a respeito da acústica. Ele diz que mais essencial em um templo bonito é ter boas propriedades acústicas.

CAPÍTULO 9 – O PREPARO DO PREGADOR

Este é momento de estudo do “pregador”, ou seja, a “pregação”. O pregador não tem feriado nem descanso. Sua mente não tira férias. Constantemente pensamentos e dizeres das Escrituras alimentam sua mente montando por si seu próximo sermão. O pregador precisa manusear bem a Palavra da Verdade, pois o Espírito Santo lhe trará a lembrança daquilo que ele já estudou e meditou. Ele ainda diz “que há muitos perigos na vida de um ministro. Diferentemente de homens ocupados em profissões e negócios, o ministro não está necessariamente limitado a horários e outras obrigações sociais, nem a condições de seu controle”. Por isso que o pregador em tempo integral precisa redobrar o cuidado para com sua disciplina.
Ele traz alguns conselhos e sugestões para o pregador. Em como se preparar; do que lê; como lê e os horários de leituras específicas. “Em tudo isso, literamente falando, o pregador tem de lutar pela própria vida, neste sentido”, diz Jones. O pregador precisa conhecer a si mesmo e a sua estrutura física. Cada um tem sua rotina e seus horários em que se é mais produtivo.
É preciso tempo de meditação, oração e estudos [sistematizados]. Llody-Jones aconselha os pregadores que façam leituras e estudos mais complexos pela manhã, deixando o devocional e a leitura mais simples para o período da noite para relaxar e ter uma boa noite de sono.
Ele diz que o pregador jamais deve ler a Bíblia somente para achar textos o qual possa apoiar sua exposição. Antes, precisa ler a Palavra de Deus para si, para o alimento de sua alma. Uma dica valiosíssima, Lloyd-Jones nos transmite por este livro: “Quando você estiver lendo as Escrituras dessa maneira [como seu alimento] – sem importar se lê pouco ou muito – se algum versículo destacar-se, pretendendo a sua atenção e arrebatando-o, não continue lendo.  Pare imediatamente e lhe dê ouvidos. Ele estará falando com você; portanto, escute-o e fale com ele. Interrompa a leitura imediatamente e concentre-se sobre a declaração que tanto o impressionou. Continue fazendo isso até que surja o ‘esqueleto’ de um sermão. Este versículo ou declaração falou com você, sugeriu-lhe uma mensagem”.
Por fim ele nos adverte da importância em cuidar de nossa estrutura física e principalmente de nossa mente. Ele diz que “é conveniente que a mente não seja por demais estimulada e exercitada, antes de nos recolhermos ao leito, se quisermos evitar a insônia”. Adverte que o “homem que se mostra muito tenso e sobrecarrega sua mente, não demorará a cair em dificuldades. Precisamos dar alívio e repouso à mente. Entretanto, aliviar a mente não significa que você deixará de ler, e sim que lerá algo diferente”. Uma mudança de leitura é uma ótima folga para a mente.
Ele cita como Karl Barth relaxava sua mente para pregar ou escrever: pelas manhãs ele ouvia Mozart. Alguém por isso repreendeu Lloyd-Jones, creio que por não conhecer o valor da música e de como ela nos relaxa. Sua resposta foi: “Barth não buscava em Mozart pensamentos ou ideias, mas Mozart fazia algo por ele em sentido geral. Mozart o colocava em bom estado de espírito, fazendo-o sentir-se feliz em sua alma. Mozart o liberava, deixando-o à vontade para pensar os seus próprios pensamentos”.

CAPÍTULO 10 – A PREPARAÇÃO DO SERMÃO

Este capítulo aborda a diferenciação entre “pregação” e “palestras”, “ensaios” e “ensinos”. Llody-Jones endossa que o pregador deve ser espontâneo e fale o que o Espírito lhe disser. Ele apreciava em muito os catecismos, contudo, não acreditava na pregação deles. Dizia que “os catecismos foram produzidos por homens, cujo intuito era enfatizar certas coisas, em sua situação histórica peculiar, em contraposição a outros ensinos ou atitudes específicos”.
Também não gostava de pregação em séries, capitulo por capitulo. Dizia ele ser isso um “atrevimento”. Ele cita C. H. Spurgeon que “o pregador não devia pessoalmente tomar essa decisão [de antecipar o que iria pregar], e sim que devia orar, pedindo orientação e direção da parte do Espírito Santo, para em seguida submeter a Ele”. O Dr. não condenava alguém assim que o fizesse, mas não era sua prática. Ele preservava a “Liberdade do Espírito”, expressão esta citada pelo “Príncipe dos Pregadores”, C. H. Spurgeon.
Precisamos aproveitar todas as oportunidades para proclamar a Cristo, e isto em tempo e fora de tempo. A respeito da pregação engessada na liturgia ou que foi predeterminada antes do dia de transmiti-la, Lloyd-Jones diz: “se você não pode ser desviado de uma rotina mecânica por meio de um terremoto, não há esperança para você”.
Sua advertência foi também em ser fiel ao texto e ao seu sentido. Terminando o capítulo posso concluir com aquilo que o Lloyd-Jones diz: “A tarefa do pregador consiste em persuadir e ensinar as pessoas a ‘aceitarem a verdade’, afastando-as do que é falso, mas não jogando sobre elas a verdade. Assim, ele deve estar ajustando continuamente, à medida que toma consciência da mudança das condições”.  

CAPÍTULO 11 – A ESTRUTURA DO SERMÃO

Lloyd-Jones inicia o capítulo: “Havendo descoberto a mensagem e o significado principal do texto, você deve prosseguir e afirmar isto em seu contexto e aplicação atual”. Ele trata de que não há um único método para estruturar o sermão. Mais importante em estruturar um sermão é de transmiti-lo. Por isso que a estrutura é importante, não para embeleza-lo na forma literária, mas em facilitar o trabalho do pregador em aplica-lo ao coração da congregação.
Um sermão consiste de vários pensamentos dados no decorrer dos dias. Por isso é importante anotar tudo o que o ajudará a iluminar a verdade na cabeça dos ouvintes. Cada um tem seu estilo. Um gosta de escrever o sermão na íntegra. Outros preferem um esboço, elaborando os principais tópicos a ser tratado. Spurgeon era um dos que não escrevia sermões; ele somente preparava e usava um esboço.
Jonathan Edwards por muito tempo escreveu seus sermões. Depois de algum tempo, passou a rabiscar algumas poucas notas. Lloyd-Jones define “o sermão não sendo uma simples coletânea de afirmações; ele tem qualidade, forma, totalidade”. A boca fala do que está cheio o coração. O pregador deve se preparar, todavia, precisa ter equilibro na qualidade literária. Lloyd-Jones diz que “a preocupação com a forma literária, se não for algo criteriosamente disciplinado, pode conduzir facilmente a um estilo primoroso e artificial, que pode arruinar a verdadeira pregação”.  

CAPÍTULO 12 – ILUSTRAÇÕES, ELOQUÊNCIA, HUMOR.

A ilustração dentro do sermão tem o objetivo de fixar conceitos que o pregador quer transmitir a congregação. Podemos usar ilustrações baseados em textos da própria Bíblia. A Escritura é composta de poesia, histórias e narrativas, epístola e provérbios de sabedoria, nos dando assim a oportunidade de tiramos o que temos do bom tesouro. Todavia, precisamos tomar cuidado com o excesso e de como vamos utilizá-las.
Outro fator importante abordado pelo Dr. é a eloquência. Ele diz que nenhum homem deve tentar ser eloquente. “Não somos estaditas ou outros profissionais que precisam de tal técnica”. Se Deus lhe conceder tal dom, assim será e grandemente será usado por Deus. Todavia, esse não pode ser um desejo do pregador. Isso precisa vir naturalmente! Assim aconteceu com Paulo-, ele “não usava de palavras de sabedoria humana”. Mas ao expor a doutrina, de forma natural, se tornava eloquente.
O humor também ocupa um papel fundamental na pregação, principalmente para aproximar os “antipáticos” ao pregador até então odiado. Certamente com muito equilibro ele [humor] terá o seu papel fundamental no momento de transmitir a mensagem e torna-la “aceitável”.

CAPÍTULO 13 – O QUE EVITAR

Um dos pontos que me chamou a atenção neste capítulo foi de “evitar” anunciar de antemão o tema que será ministrado no culto [não em palestras ou estudos]. Particularmente tinha esse hábito, mas o Dr. me convenceu que é errado [quando constante]. Ele diz que essa situação estimula um pseudo-intelectualismo e uma tentação no ouvinte de ser seletivo em qual culto ele deve ir ou não para satisfazer e ouvir conforme a sua necessidade.
Ele também adverte acerca do formalismo. Em uma exortação, Lloyd-Jones diz “quão diferente seria o estado das nossas igrejas se todos nos mostrássemos tão preocupados em ser ortodoxos em nossas crenças como o somos em nossa conformidade com as ‘coisas a fazer’ e com as ‘coisas feitas’ nas igrejas”.
É necessário também se prevenir do profissionalismo. O profissional olha para si; o outro é apenas uma oportunidade de negócio. O pregador precisa evitar o anseio de ser reconhecido. Por isso precisamos vigiar nossos pontos fortes, naquilo que “somos bons”, para não cairmos na armadilha mortal da soberba. Loyd-Jones nos receita um grande remédio para isso: “A melhor maneira de refrear qualquer tendência ao orgulho – na pregação ou em qualquer outra coisa que possamos ser ou fazer – consiste em ler, no domingo à noite, a biografia de algum grande santo de Deus”.
Precisamos evitar o excesso de compreensão das pessoas que nos escuta. “Somente uma em cada doze pessoas de sua congregação é realmente inteligente”, diz Lloyd-Jones. Por isso devemos evitar também assuntos polêmicos. Este tipo de abordagem tem os seus lugares específicos, talvez na academia, contudo, na pregação, devemos alimentar o rebanho. Jesus morreu também pelo simples e pelo de pouca instrução. Certamente seremos cobrados por não ter dado água nem alimento aos pequeninos que ele amavelmente os salvou através da sua morte.

CAPÍTULO 14 – APELANDO POR DECISÕES

O Dr. aborda os cuidados que devemos ter na liturgia do culto. Em especifico ele trata do ministério de louvor. Como os ministros de louvor são tentados a caírem no laço de satanás, a saber, o orgulho. Não precisa muito para identificar esta verdade; olhe para o ministério de louvor e logo veras as contendas que há pelos primeiros assentos. “A música deve ser conservada no seu devido lugar. Ela é uma criada, uma serva; não lhe devemos permitir que domine ou controle as coisas, em nenhum sentido”, diz Lloyd-Jones.  
O Dr. também aborda o “apelo” feito pelo pregador ao final da mensagem, convidando o pecador para “aceitar a Cristo”. Ele não é favorável, e acerca disso diz: “Noutras palavras, a obediência não resulta de uma pressão direta sobre a vontade; é consequência de uma mente iluminada e de um coração quebrantado. Para mim, este é um ponto crucial”. De fato este é um assunto controverso entre “pentecostais” e “tradicionais”.

CAPÍTULO 15 – OS ARDIS E O ROMANCE

Neste capitulo o Dr. diz acerca dos perigos de se repetir sermões. Não é proibido, mas é perigoso. Diversos “santos” fizeram isso no decorrer da história e foram bem sucedidos ao transmitir a verdade através dos sermões de outros pregadores já consolidados. Precisamos identificar quem ouvirá para nos asseguramos que não estamos repetindo o que já dissemos as mesmas pessoas.
Outro ponto abordado neste capitulo é a “preocupação excessiva” do pregador a despeito da sua reputação. Precisamos lembrar constantemente que o “vaso é de barro”, e que por isso, se pudermos usufruir usando sermões de outras pessoas, na direção do Espírito Santo, este será muito bem-vindo e edificará os santos naquilo que pelo foi designado pela Soberania de Deus.
Não existe nada mais belo e romântico ao pregador, de subir no púlpito para entregar a mensagem de Deus. O pregador pode estar com o problema que for, e ter passado por situações adversas naquele dia-, se ele subir ao púlpito em temor e tremor, Deus renovará suas energias e de lá este sairá revigorado para enfrentar suas batalhas de uma forma mais eficaz.

CAPÍTULO 16 – DEMONSTRAÇÃO DO ESPÍRITO E DE PODER

Quando pensei que já tinha me deleitado o bastante neste banquete, eis que surge o último capítulo, o qual trouxe a mim ainda mais admiração pelos ensinos de D. Martyn Lloyd-Jones. Ele trata este capítulo sendo a parte mais importante do livro e a mais eficaz que o pregador deve possuir: “... em última análise, é o assunto mais fundamental relacionado à pregação, ou seja, a unção do Espírito Santo”. Continua ele: “A razão por que fiz isso [deixar a parte mais importante para o fim] é que acredito que, se fizermos ou tentarmos fazer primeiro tudo aquilo a que me referi, essa unção será derramada sobre nós. [...] A maneira correta de encarar a unção do Espírito é pensar nela como aquilo que vem sobre a preparação”. Ele ilustra esta verdade através de Elias o qual preparou o altar, cortou a lenha e a arrumou para que, o Senhor então, mandasse fogo e consumisse seu sacrifício endossando-o seu ministério. O mesmo se deu com Moisés, quando no fim da construção do tabernáculo tinha feito como o Senhor ordenara. A glória de Deus encheu aquele lugar.
Só estaremos aptos para a obra da pregação se de fato tivermos sido revestidos de poder que vem do alto. Não há outro método, ainda que haja muita eloquência e erudição e uma séria de informações a respeito da teologia. Todas as vezes que o Senhor mandava sua Palavra para seu povo o Espírito estava sobre este arauto. Assim aconteceu quando foi dada a revelação do Apocalipse para João: “Achei-me no Espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz”.
Um fato dito por Lloyd-Jones muito me chamou a atenção. Acerca dos dons e de sua atualidade, talvez na posição “continualista”, assim diz Lloyd-Jones:
“Esta é a evidencia e o testemunho claro e inequívoco das Escrituras no tocante à pregação. Mas é possível que a sua posição seja: “Sim, aceito essa verdade e não tenho qualquer dificuldade a esse respeito”. Mas tudo isso terminou juntamente na era apostólica e, portanto, nada tem a ver comigo”. Minha resposta é que as Escrituras tencionavam ser aplicadas a nós hoje, porque, se confinarmos todas bênçãos à era apostólica, deixaremos muito pouco para nossa época. De qualquer modo, como podemos decidir o que tencionava ser aplicado somente aquela geração e que se aplica a nós? Que critério usamos para determinar isso? Quais seriam os critérios desse discernimento? Minha opinião é que tudo isso não passa de preconceitos. As Escrituras foram escritas para nós, e sua inteireza. No novo testamento encontramos um quadro sobre a igreja; e esse quadro é relevante para igreja e todos os séculos e em todas as épocas”.
Endosso esta obra a todo pregador do Evangelho independentemente do seu tempo de caminhada e de seu “nível” de intelectualidade ou de conhecimento. Vale a pena ler o livro e, não somente isso - tê-lo de cabeceira consultando sempre para lembrar constantemente destas dicas preciosíssimas que nos ajudará na preparação do sermão e na exposição do mesmo. Segue o último parágrafo do livro:
Então, o que devemos fazer a respeito disto [ser eficaz na pregação]? Só existe uma conclusão óbvia. Busque-O [Espírito Santo]! Busque-O [Espírito Santo]! Que poderíamos fazer sem Ele? Busque-O [Espírito Santo]! Busque-O [Espírito Santo] sempre! Mas além de busca-Lo, espere-O. Você espera que aconteça algo, quando se levanta para pregar em um púlpito? Ou simplesmente diz para si mesmo: ‘Bem, preparei o meu sermão e vou apresente-lo; alguns dos ouvintes o apreciarão, outros não’. Você está esperando que o sermão se torne algo crucial e transformador na vida de alguém? Está preparando que algum dos ouvintes tenha uma experiência culminante? Esse é o alvo da pregação. Isso é o que podemos encontrar na Bíblia e na história da igreja. Busque este poder, espere a manifestação deste poder, anele por este poder; e, quando ele vier, submeta-se a Ele. Não lhe ofereça resistência. Esqueça-se completamente do seu sermão, se necessário. Permita-lhe liberar você, permita-lhe manifestar o seu poder em você e através de você. Tenho a certeza, conforme já disse várias vezes, que nada terá qualquer valor, exceto o retorno desse poder do Espírito em nossa pregação. Este poder produz a verdadeira pregação, que é a maior necessidade de todos nós hoje – mais do que nunca. Nada pode substituir este poder. Contudo, uma vez outorgado, termos um povo que anelará e será disposto a ser ensinado, instruído e guiado mais ampla e profundamente à verdade, que está ‘em Cristo Jesus’. Esta ‘unção’ é o fator supremo. Busque-a, até que a possua. Não se contente com nada menos do que isso. E prossiga até dizer: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder”. Ele “ainda é capaz de fazer ‘infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos’”.


“Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo...”.
 – 2 Timóteo 4. 2a NVI
Soli Deo Gloria!

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Ficha técnica:

Autor: D. Martyn Lloyd-Jones
Paginas: 302
Editora: Fiel
Outubro de 2008

OBS: Todas as citações [“”] foram extraídas do próprio livro [“Pregação & Pregadores”] exceto as citações bíblicas as quais foram introduzidas pelo autor da resenha [Fabio Campos] apenas para trazer luz ao objetivo do contexto.

Fabio Campos

13 setembro 2012

SECULAR, SECULARISMO E SECULARIZAR

 Termo Secular tem um significado tanto geral quanto específico. De modo geral, sugere uma concentração sobre as coisas e preocupações deste mundo presente a partir de uma base que rejeita a ordem inteira dos objetos e usos usualmente considerados espirituais ou sagrados. No sentido mais específico, o termo sugere um modo de encarar a vida sem qualquer referência a Deus ou aos direitos divinos  sobre a vida humana. O homem secular não precisa ser um ateu formal; é mais exatamente descrito como ateu prático que vive como se não houvesse Deus. O homem e as preocupações humanas ficam no âmago do seu pensamento e dos seus esforços.
O Termo secularismo diz respeito mais diretamente à parte teorética da vida humana.  Pode ser definida como um sistema de crença e ação que rejeita todas as formas da religião pública, tanto da fé quanto do culto. Evita conscientemente qualquer expressão do elemento religioso e acha sua referência somente nas preocupações deste mundo e, portanto, é usualmente entendido no sentido de uma forma de filosofia sócio-político. Sua rejeição é aquela do elemento da transcendência, do sobrenatural.
A palavra secularizar tem vários sentidos comuns. No sentido mais amplo, indica um processo mediante o qual as coisas, as pessoas. Ou as instituições são separadas do uso religioso ou da influência religiosa. O objetivo é o de tornar tudo mundano, ou não-espiritual. Há um uso histórico do tremo, em que conotava a transferência de imóveis ou recursos econômicos do uso ou controle eclesiástico para o uso e posse civil.

Fonte: GUNDRY, Stnley. Teologia Contemporânea, São Paulo: Mundo Cristão, 1983

12 setembro 2012

Teísmo Aberto: A teologia de um Deus Limitado


WARE, Bruce A.. Teísmo Aberto: A teologia de um Deus Limitado . São Paulo: Vida Nova, 2008.
O livro de Teísmo Aberto de Bruce vem abordando de forma muito interessante o assunto, fazendo em cinco capítulos. No primeiro capitulo é tratado sofre o teísmo aberto e a fé onde começa montando o cenário. Nele o autor diz que Deus não pode conhecer o futuro, pois o futuro ainda não existe e que Deus só pode conhecer o passado e o presente, então passa a mostra à razão da crença deles e o porquê devemos nos preocupar. Ware fala que seu livro tem o propósito de nos ajudar a compreender o entendimento sobre Deus e da vida cristã se aceitarmos a visão aberta sobre Deus. Já no capitulo seguinte ele aborda sobre o Teísmo aberto e presciência divina, fazendo suas considerações através das Escrituras. Bruce tenta oferecer algumas respostas a argumentos fundamentais do teísmo aberto, seguidas de meditações e ensinos bíblicos, tudo com o objetivo de demonstrar a clareza e o vigor com os quais as Escrituras ensinam o completo e definitivo conhecimento divino do futuro. Ele diz que as Escrituras ensinam acerca de Deus e seu conhecimento do futuro, ao contrário do que falam os que defendem o teísmo aberto defendem.  O capítulo 3 entrará em uma das áreas que o teísta aberto torna sua visão tão atraente, a saber, o problema do sofrimento e do mal. Ainda que os seus defensores afirmem que o ponto de vista do teísmo aberto lida muito melhor com os problemas do sofrimento e da aflição do que o faz qualquer entendimento tradicional. O quarto capítulo aborda a prática da oração na vida cristã. Também nesse ponto o teísmo aberto afirma que orar a um Deus que enfrenta um futuro aberto torna real e vital a oração. Passa a falar da prática da oração na vida cristã e os problemas que são deixados ao cristão, nesse aspecto em particular, caso ele vá em direção ao teísmo aberto.  No último capítulo o autor perguntará que tipo de esperança no Deus do teísmo aberto podemos ter precisamente?  A resposta é muito interessante, ele mostra que o Deus verdadeiro deseja que seu povo espere somente nele, tanto na vida presente quanto na eternidade, já o Deus do teísmo aberto enfraquece essa esperança e priva os cristãos da confiança de saber que os propósitos de Deus não falharão e seus planos nunca vacilarão.

07 setembro 2012

O Louvor a Deus... Será?

FERREIRA, Damy. Louvor a Deus... será?.São Paulo: IBR, 1997.
O autor do livro foi pastor da Igreja Batista da Liberdade, na cidade de São Paulo nos anos 70. Com pouco tempo de ministério naquela igreja, ele se deparou com um problema que é o mesmo nos dias atuais. Ao ter que sair para uma conferência, um missionário que o ajudava colocou uma bateria na igreja, provocando grandes divergências entres os membros, dando início a um debate sobre o assunto, daí ele sentiu a necessidade de escrever sobre esse tema. O pastor passa então a fazer uma listagem do assunto, onde começa a dar prioridade na autoridade da Bíblia, onde vai ser o guia direcionando qualquer assunto, até o de música. Frisa que ela deve ser a nossa única regra de fé e prática, sendo interpretada com o auxílio do Espírito Santo e com alguns conhecimentos humanos, como a hermenêutica. Então passa a dar conceitos do que seria o louvor, abordando a necessidade de estarmos consciente naquilo que estamos fazendo e não fazer só porque outras pessoas fazem. Passa a notar alguns textos que acha importante, e descreve o que seria o culto, adoração e louvor, mostrando o que é um culto e que tipo de culto existe: o culto individual, o culto coletivo, a regulamentação do culto e o culto jovem. Neste último o autor acredita que pode assumir feições mais aceitáveis, com algumas mudanças, (1) o nome culto jovem, pois todo culto é um culto, (2) conservar as linhas gerais do culto prestado pela igreja, e principalmente tendo a supervisão pastoral. Depois passa a dizer o que é a aleluia e o amém, pois, muitos dizem, mas, não sabem o que significa e nem como usá-lo. Seguindo em frente o pastor fala sobre o louvor e a expressão corporal, onde por infelicidade o que se pode compreender é que ele é contra a coreografia, mas, quando chegamos ao final do livro ele deixa claro que é a favor dessa prática. O livro também trata da espiritualidade e louvor, fazendo a diferença entre espiritualidade e o emocionalidade.  Na música e o louvor encontraremos algumas considerações como: a música para louvar, a música espiritual, os efeitos da música, as emoções que são provocadas pelas músicas, e a questão da qualidade da música. Chegando quase ao fim o autor passa a falar da cultura e louvor, onde muitos alegam que podem louvar a Deus com músicas de suas próprias culturas. O pastor passa então a abordar alguns conceitos de cultura, e fala do cristianismo primitivo e a cultura e faz uma seleção de elementos culturais, terminando o livro com o título louvai ao Senhor, onde mostra algumas maneiras de louvar a Deus.

Como Adorar o Senhor Jesus Cristo

CARROL, Joseph S.. Como adorar o Senhor Jesus Cristo. São José dos Campos/SP: FIEL, 2003.
Carrol acredita que através da oração é que vamos ter uma vida de adoração autêntica, busca sua confirmação em alguns testemunhos de servos de Deus e no que eles falaram sobre o assunto, como C. S. Lewis “ao dizer que é durante o processo da adoração que Deus comunica a sua presença aos homens” e outros.
O autor começa o seu livro mostrando algumas coisas, nos dando algumas lições sobre a Adoração, nos mostrando que devemos ao orarmos começarmos a recitar alguns versículos, não como algo mecânico, mas, expressando a grandeza de Deus, e seu amor por nós, e com isso descreve que temos uma experiência da qual nunca esqueceremos. Passa então a falar de alguns personagens bíblicos, Davi onde o descreve, sendo um grande rei, guerreiro e principalmente um servo de Deus em que sua maior paixão era de buscar em oração e adoração estar sempre perto da presença de Deus. O autor do livro fala também de Paulo e sua paixão, onde seu desejo era de sempre procurar conhecer mais e melhor o nosso Senhor. Ao falar da escolha de Maria ele nos mostra a importância que muitas vezes é deixada de dar aos ensinamentos de Jesus; por causa da vida agitada que muitos possuem, acabam deixando a palavra de Deus no esquecimento, e esquecemos que o principal é a palavra de Deus e as demais coisas Deus vai nos proporcionar (Mateus 6.33).
Depois no seu segundo capítulo, Carrol passa a mostrar a adoração verdadeira, mostrando as verdades contidas através da adoração, expondo alguns testemunhos de acontecimentos de alguns irmãos que mudaram sua vida depois que realmente descobriram o que é a verdadeira adoração. Daí ele questiona o que seria então adoração verdadeira?  Primeiro ele mostra de onde vem a palavra adoração, que é do latim “adorare”, daí começa expor a capítulo 4 de Apocalipse, mas ainda existem algumas dificuldades na adoração, principalmente o desenvolvimento dos sentidos espirituais, está firmado na vontade de Deus e nos mantendo em prioridades, onde essas prioridades devem ser o serviço e adoração a Deus.
Ele então começa a falar do coração sincero, mostrando que devemos acreditar que Deus está sempre presente naqueles que o buscam e que todos devem fazê-lo de coração. Daí Carroll, descreve o que é o coração, na Palavra de Deus, não é apenas um órgão que bombeia o sangue, mas, é também o centro de nossas razões e nossas emoções.  Em seguida passa a descrever as ações de Abraão, de como ele não questionou e nem murmurou contra Deus quando Ele pediu o seu filho que tivera na velhice, mas, pelo contrário, ele acreditou de coração que mesmo Deus pedindo a vida de seu filho, Ele poderia ressuscitá-lo dentro os mortos.  E também fala de alguns servos de Deus que não estão escritos na Bíblia, servos estes que são nossos contemporâneos como D. L. Moody, Dr. Graham Scroggie, F. B. Meyer e Archibald Brown, tudo para mostrar que um coração sincero é um coração quebrantado, morto para o ego, e entregue a Deus, e que é possível e que cabe a cada um de nós fazer o mesmo.
No capítulo cinco, o autor passa a fazer uma exposição do capítulo quatro e cinco do livro de Apocalipse. Onde no capítulo quatro ele descreve a visão de Deus, depois a visão do trono e passa a falar da adoração a Deus. No capítulo cinco ele começa a descrever de quem é aquele que é digno de abrir os selos, e faz uma descrição dEle, passando a falar dos três grande coros que são descrito no versículo sete a quatorze.
Por fim no último capítulo Carrol mostra o “como” da adoração, onde ele mostra que a adoração é um sentimento de necessidades, é uma expressão de desejo, um espírito de humildade, privilégio da comunhão, espírito de questionamento, elo de união e uma atitude de consagração que cada um deve possuir, pois quando fomos adorar, devemos está em um lugar reservado, devemos ter confessado os nossos pecados, está na dependência do Espírito Santo, não nos distrairmos com outra coisa, por isso a importância de estar em um local reservado.  O autor nos mostra alguns exemplos que podemos ter na nossa prática de adoração, através das Escrituras, através de hinos de louvor e adoração a Deus, e através de livros. Por fim ele passa a mostrar alguns obstáculos à adoração como: um coração insubmisso, pecado não confessado, atitude errada, oposição do inimigo, cansaço físico, incredulidade e absorção em adoração.  Sendo que por meio da nossa fé, confessando nossos pecados e sabendo administrar o nosso cansaço, não tem nenhum obstáculo que possam nos deter em adorar ao nosso Senhor Jesus Cristo.

10 agosto 2012

RESUMO DO LIVRO DE ORRÚ, Geruásio F.. Os Manuscritos de Qumran e o Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.


Cap 1 – As descobertas de Qumran
No deserto da Judéia, no litoral do Mar Morto, Um dos jovens a tribo semibeduína dos Taamireh de apenas quinze anos de idade, chamado Muhammad edh-Bhib, dava pastagem ao rebanho de seu pai. Viu uma caverna, jogando uma pedra pode perceber um som de um jarro quebrando, ao entrar encontra vários jarros com manuscritos, o de Isaias era feito de tiras de couro, costurado de ponta a ponta, e medindo, desenrolado, 7,34m de comprimento por aproximadamente 0,26m de largura. O manuscrito de Lameque é o que estava em pior estado de conservação. Em certos lugares o couro se enrijeceu, tornando-se quebradiço e inflexível. Mede 2,53m de comprimento, isso na Gruta 1. A 1500 metros da Gruta 1, em direção ao sul, localiza-se Khirbet Qumram. Foi descoberto que ali tinha sido uma pequena fortaleza romana. O mosteiro é um complexo de construções que se estende num quadrilátero de 80m. ele é todo cercado de muros e protegido por uma torre. Acharam salas, que eram lidos os rolos, refeitório com pratos e copos. Casa que abrigava uma oficina com ferramentas, um quintal e um banheiro. Ao sul da Gruta 1 foi descoberto a Gruta 2 onde foi encontrado partes de dezessete manuscritos bíblicos e uma porção maior de partes de manuscritos não-bíblico. Na Gruta 3 foi descoberto vários fragmentos de pergaminhos, bem como documentos muito particular: ele consiste de três folhas de cobre muito fino, cada uma medindo 0,30m por 0,80m. o que parece, as folhas de cobre estavam ligadas entre si, formando um único rolo. A Gruta 4 localiza-se a mais de 3 km a sudoeste de Khirbet Qumran, e está separada dessas ruínas por um profundo barranco que talha ao norte para o socalco de Wadi Qumran. Nela continha milha milhares de fragmentos, e neles foram identificados 382, e desses cerca de 100 são bíblicos. Nessa gruta foram encontrados todos os livros do cânon, completos ou em partes, com exceção de Ester. Foram encontrados 14 manuscritos de Deuteronômio, 12 de Isaías e 10 de Salmos. 8 copias incompletas dos 12 profetas. Na Gruta 5 ao norte da Gruta 4 foi descoberto apenas poucos fragmentos, quase todos bem manchados devido à umidade. A Gruta 6 foram encontrado uma jarra, uma tampa e um número elevado de fragmentos, 57 fragmentos de pele e 718 de papiro. As Grutas 7, 8, 9 e 10 situam-se no socalco ao redor de Khirbet Qumran, as 3 primeiras ficam a leste das Gruta 4 e 5, a última a oeste. Essas grutas foram quase inteiramente destruídas pela erosão e pelo desmoronamento das orlas do terreno. Como resultado, seu conteúdo mostrou-se muito precário: alguns fragmentos de louça e vestígios de artigos de vime e tecido, além de 126 fragmentos inscritos em pergaminho e papiro. A Gruta 11 foi localizada ao norte, próximo da Gruta 3, uns 2 km do centro da comunidade. Seu conteúdo foram encontrados 7 manuscritos bem conservados, especialmente o livro de Salmos. Os manuscritos e fragmentos encontrados nas 11 grutas, sem duvida mostram que a divina providência protegeu esses manuscritos por aproximadamente 1900 entre68 a.D. a 1945 ou 1947.
Cap 2 – A Comunidade de Qumran
Com uma acurada investigação dos textos de Qumran e observação do que disseram escritores antigos, há suficiente evidência de que a Comunidade de Qumran identifica-se definitivamente com os essênios. Os essênios, como os fariseus, originaram-se dos hasidim, que significa “piedosos” ou “fieis”. Eles estavam entre os judeus que deram apoio a Judas Macabeu conforme diz! Macabeus 2.42. A Comunidade de Qumran organizou-se com o propósito de conseguir uma forma de perfeição e afastar-se das tentações, vivendo em rigorosa simplicidade. Os essênios demonstraram ser uma comunidade essencialmente apocalíptica, um Heilsgemeinschaft, imitando a antiga estada no deserto dos tempos de Moisés, em antecipação ao alvorecer do Reino de Deus. A Comunidade possuía dois órgãos administrativos. O primeiro, órgão máximo para todas as decisões, chamado Conselho da Comunidade, era composto de homens sábios, irrepreensíveis na conduta e destacados por suas virtudes. O segundo, chamado de Colégio Supremo por E. Laperrousaz e A. Dupont-Sommer. Para participar da vida comunitária, o candidato era primeiramente examinado pelo inspetor (mebaqqer). Se o exame fosse satisfatório, o candidato era aceito na aliança, para um período de experiência, de duração indeterminada. Depois desse período o candidato comparecia formalmente perante os Muitos, sendo aceito por eles, iniciava seu noviciado de dois anos. No primeiro ano era considerado como membro da comunidade, mas, não He era permitido tocar a purificação dos Muitos. No ano final era novamente examinado pelos Muitos, a fim de se avaliar o seu entendimento da Lei e sua conduta. A cerimônia de admissão era marcado por um juramento solene prestado pelo noviço. Diversos textos pressupõe que existia um grupo de pessoas que viviam como monges, sempre num estado de pureza cultural. Os essênios levavam muito a sério o casamento, não admitiam a poligamia nem o divórcio. Eles criam que eram o único Israel verdadeiro, observavam a Lei, criam em dois espíritos que são elementos alternativos oferecidos ao homem pelo próprio Deus. Criam na eleição divida, e destacava a soberania de Deus. Eles seguiam um calendário lunar com 354 dias e acreditavam em Dois messias.
Cap 3 – Os Manuscritos de Qumran e o Novo Testamento
O maior argumento para se afirmar que João Batista teve algum relacionamento com os essênios é o conteúdo da sua pregação. Na comunidade de Qumran havia uma mensagem semelhante a de João, uma mensagem de conversão tendo como meta a expectativa do fim dos dias. Seus membros deviam se afastar da multidão de Israel, que estava dominada pelo pecado. Mas havia diferenças nas pregações, João pregava um batismo de arrependimento para remissão de pecados, os essênios se preocupavam com uma vida de pureza interior, usava a prática de banhos ou imersões diárias. Com relação a Jesus eles argumentavam que não passou em Nazaré todo o tempo de sua vida antes de iniciar seu ministério público. Da idade de doze anos até aos trinta, Jesus teria se submetido à vida de intensa iniciação na Comunidade de Qumran, sujeitando-se a esse período de provas e ao ritual do batismo, antes de iniciar o seu ministério na Galiléia. Os ensinamentos de Jesus muitas vezes apresentam semelhanças com os textos de Qumran. Tais semelhanças variam grandemente em importância; vão desde paralelos verbais insignificantes até evidência de real afinidade espiritual. Onde há também contrates nos seus ensinos: como o guarda do sábado, que Jesus deixou bem claro que o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Já os essênios eram escravos da guarda do sábado. Os escritos de João têm uma linguagem teológica muito parecida com a linguagem dos textos da Comunidade de Qumran. Mas quanto ao conteúdo da mensagem há grande diferença. Levanta-se uma questão a respeito do apostolo Paulo, que quando estava em Damasco, teria se encontrado com membros da Comunidade de Qumram. A dificuldade é saber quando os essênios estiveram em Damasco, se é que algum tempo fixou residência naquele lugar. Existe um profundo paralelismo entre os ensinos paulino e o essênios no que tange à consciência da pecaminosidade do homem e ao reconhecimento de que a libertação só depende de Deus e quanto a maneira de Deus justificar o homem pecador, nota-se uma grande diferença entre a teologia paulina e a essênia.
Anderson Roque

01 junho 2012

Oração e Adoração

CARROL, Joseph S.. Como adorar o Senhor Jesus Cristo. São José dos Campos/SP: FIEL, 2003.

Carrol acredita que através da oração é que vamos ter uma vida de adoração autêntica, busca sua confirmação em alguns testemunhos de servos de Deus e no que eles falaram sobre o assunto, como C. S. Lewis “ao dizer que é durante o processo da adoração que Deus comunica a sua presença aos homens” e outros.
O autor começa o seu livro mostrando algumas coisas, nos dando algumas lições sobre a Adoração, nos mostrando que devemos ao orarmos começarmos a recitar alguns versículos, não como algo mecânico, mas, expressando a grandeza de Deus, e seu amor por nós, e com isso descreve que temos uma experiência da qual nunca esqueceremos. Passa então a falar de alguns personagens bíblicos, Davi onde o descreve, sendo um grande rei, guerreiro e principalmente um servo de Deus em que sua maior paixão era de buscar em oração e adoração estar sempre perto da presença de Deus. O autor do livro fala também de Paulo e sua paixão, onde seu desejo era de sempre procurar conhecer mais e melhor o nosso Senhor. Ao falar da escolha de Maria ele nos mostra a importância que muitas vezes é deixada de dar aos ensinamentos de Jesus; por causa da vida agitada que muitos possuem, acabam deixando a palavra de Deus no esquecimento, e esquecemos que o principal é a palavra de Deus e as demais coisas Deus vai nos proporcionar (Mateus 6.33).
Depois no seu segundo capítulo, Carrol passa a mostrar a adoração verdadeira, mostrando as verdades contidas através da adoração, expondo alguns testemunhos de acontecimentos de alguns irmãos que mudaram sua vida depois que realmente descobriram o que é a verdadeira adoração. Daí ele questiona o que seria então adoração verdadeira?  Primeiro ele mostra de onde vem a palavra adoração, que é do latim “adorare”, daí começa expor a capítulo 4 de Apocalipse, mas ainda existem algumas dificuldades na adoração, principalmente o desenvolvimento dos sentidos espirituais, está firmado na vontade de Deus e nos mantendo em prioridades, onde essas prioridades devem ser o serviço e adoração a Deus.
Ele então começa a falar do coração sincero, mostrando que devemos acreditar que Deus está sempre presente naqueles que o buscam e que todos devem fazê-lo de coração. Daí Carroll, descreve o que é o coração, na Palavra de Deus, não é apenas um órgão que bombeia o sangue, mas, é também o centro de nossas razões e nossas emoções.  Em seguida passa a descrever as ações de Abraão, de como ele não questionou e nem murmurou contra Deus quando Ele pediu o seu filho que tivera na velhice, mas, pelo contrário, ele acreditou de coração que mesmo Deus pedindo a vida de seu filho, Ele poderia ressuscitá-lo dentro os mortos.  E também fala de alguns servos de Deus que não estão escritos na Bíblia, servos estes que são nossos contemporâneos como D. L. Moody, Dr. Graham Scroggie, F. B. Meyer e Archibald Brown, tudo para mostrar que um coração sincero é um coração quebrantado, morto para o ego, e entregue a Deus, e que é possível e que cabe a cada um de nós fazer o mesmo.
No capítulo cinco, o autor passa a fazer uma exposição do capítulo quatro e cinco do livro de Apocalipse. Onde no capítulo quatro ele descreve a visão de Deus, depois a visão do trono e passa a falar da adoração a Deus. No capítulo cinco ele começa a descrever de quem é aquele que é digno de abrir os selos, e faz uma descrição dEle, passando a falar dos três grande coros que são descrito no versículo sete a quatorze.
Por fim no último capítulo Carrol mostra o “como” da adoração, onde ele mostra que a adoração é um sentimento de necessidades, é uma expressão de desejo, um espírito de humildade, privilégio da comunhão, espírito de questionamento, elo de união e uma atitude de consagração que cada um deve possuir, pois quando fomos adorar, devemos está em um lugar reservado, devemos ter confessado os nossos pecados, está na dependência do Espírito Santo, não nos distrairmos com outra coisa, por isso a importância de estar em um local reservado.  O autor nos mostra alguns exemplos que podemos ter na nossa prática de adoração, através das Escrituras, através de hinos de louvor e adoração a Deus, e através de livros. Por fim ele passa a mostrar alguns obstáculos à adoração como: um coração insubmisso, pecado não confessado, atitude errada, oposição do inimigo, cansaço físico, incredulidade e absorção em adoração.  Sendo que por meio da nossa fé, confessando nossos pecados e sabendo administrar o nosso cansaço, não tem nenhum obstáculo que possam nos deter em adorar ao nosso Senhor Jesus Cristo.
(Pr. Anderson Roque)

26 maio 2012

O Pastor Aprovado

Resenha de BAXTER, Richard. O Pastor Aprovado. 3ª Ed. São Paulo: PES, 2006.

No Primeiro capítulo, Baxter fala para os pastores enfatizando a importância de uma catequese e dar 6 significados: (1) é o ensinamento das pessoas os princípios da religião e os assuntos essências à salvação; (2) e ensinando esses princípios da maneira mais edificante e benéfica possível; (3) orientando, examinado e dando instruções pessoas dão muitas vantagens nesse processo de aprendizagem. (4) por isso que a instrução pessoal é recomendada pelas escrituras; (5) o pastor deve ter o cuidado e o amor estendido a todos e entender que precisa catequizar os membros da congregação; (6) esta obra corretamente realizada toma uma considerável parte do tempo. O autor faz 3 apelos para que os pastores, diz para (1) não exercer seus ministérios relaxadamente ou apenas superficialmente, mas pelo contrário deve ser feito vigorosamente com todas as forças. (2) A ter uma disposição unânime a respeito da disciplina cristã. (3) A união para promoção desta obra do Senhor.

No capítulo segundo já vem tratando sobre o caráter do pastor e divide em 12 partes, (1) fala da pureza dos motivos, dizendo que a obra ministerial deve ser realizada exclusivamente para Deus e pela salvação de seu povo; (2) Diligência e trabalho duro, onde a obra do ministério deve ser realizada muita diligencia e esforço; (3) Prudência e eficiência, sendo realizada com prudência e ordem deu uma forma sistemática; (4) Certeza quanto às doutrinas básicas, o pastor deve ter convicção no que ensina; (5) Ensino claro e simples; (6) Dependência de Deus e docilidade perante os outros, toda a obra deve ser levada adiante com humilde senso da nossa incapacidade. Estando confiante na dependência de Deus em todas as coisas; (7) Humildade; (8) Equilíbrio entre a severidade e a delicadeza, cada pessoa deve ser admoestado de acordo com o contexto da personalidade de cada pessoa e da situação em que nos encontramos; (9)  Espírito zeloso e afetuoso; (10) Reverência; (10) Amorosa preocupação pelo rebanho, todo o ministério deve ser conduzido com terno amor pela pessoas do rebanho; (12) Paciência, o pasto deve suporta muitos abusos e ofensas daqueles a quem estão fazendo o bem.

No Capitulo 3 mostra o cuidado de nós mesmo. Ele enfatiza que somos exortados a olhar por nós mesmos (1) para não suceder estarmos vazios da divina graça salvadora que estamos oferecendo a outros; (2) a não convivamos com os mesmo pecados contra os quais pregamos; (3) para não estejamos despreparados para as grandes tarefas que nos incumbimos de levar a cabo; (4) para vierem a ser exemplos de doutrina contraditória. Após isso ele dar os motivos para cuidarmos de nós mesmo. (1) temos o céu para ganhar ou perder, é possível a pregação ter êxito na salvação de outros, sem trazer santidade aos nossos próprios corações ou às nossas vidas. (2) por que temos a natureza depravada; (3) por que estamos expostos a maiores tentações do que os outros homens; (4) o inimigo ira ataca de forma implacável.

No capítulo quanto o autor fala sobre o pastor e sua necessidade de arrependimento, sedo que é muito comum esperarmos que o nosso povo se arrependa, quando nós mesmos não nos temos arrependido e passa a considerar quatro pecados da igreja atual: (1) o orgulho, um dos pecados mais odiosos; (2) a falta de união, muitos menosprezam a unidade e a paz da Igreja, eles não têm um interesse nem respeito universal pela igreja toda.; (3) a falta de consagração à causa de Deus, a falta de compromisso com a obra de Deus é por sermos negligentes nos nossos estudos e por não está realizando a obra vigorosamente.; (4) a falta de disciplina na igreja.

No quinto capitulo Baxter vem tratando sobre o cuidado do rebanho e mostra a natureza deste cuidado, onde (1) o supremo propósito do ministério é agradar e glorificar a Deus; depois fala sobre (2) o caráter espiritual do ministério, (3)
Fonte: Pr. Anderson Roque

09 maio 2012

A Guerra pela Verdade



MACARTHUR, John, A Guerra pela Verdade. São Jose dos Campos-SP: Fiel, 2008.

O autor trata de um assunto bem pertinente aos nossos dias: A Guerra Pela Verdade, principalmente quando muitos estão deixando de lutar por princípios que regem nossos modos de vida.  Pessoas que estão abandonando a sã doutrina para aproveitar os seus desejos, e não procuram fazer a vontade de Deus, mas a sua própria vontade.
No livro ele dá o ponto de partida fazendo uma pergunta: a verdade pode sobreviver numa sociedade pós-moderna? Com isso dá uma definição do que seja verdade, para ele a verdade é aquilo que é consistente com a mente, a vontade, o caráter, a glória e o ser de Deus. Sendo mais preciso: a verdade é a auto-expressão de Deus. Depois disto passa a tratar sobre assuntos como a modernidade, pós-modernismo, como questão sobre a incerteza que por sua vez está tomando o lugar da verdade.  Ele também mostra que a guerra pela verdade não é algo novo, que desde o período dos apóstolos que as igrejas vêm lutando pela verdade.
No segundo capitulo o autor passa aborda da guerra espiritual, e que a guerra pela verdade não é uma guerra carnal, não é um conflito por territórios e nações. Também não é uma batalha por terras e cidades, não é uma guerra entre clãs ou um conflito de personalidade entre indivíduos. Não é uma luta por influência entre denominações religiosa, não é um pequeno combate por bens materiais, mas é uma batalha pela verdadeira doutrina. Sendo que não podemos abrir mão dela e nem podemos ceder aos caprichos das pessoas, que no final faz com que as pessoas caiam na apostasia.
No capitulo três MacArthur faz uma descrição dos versos 1 ao 4 de Judas, mostrando que ele era irmão de Tiago e servo de Jesus, como também a sua intenção de escrever uma carta sobre a salvação, mas devido a urgência em ter que batalhar pela fé teve que escrever sobre aqueles que tinham entrado dissimuladamente distorcendo a verdade. Ele diz o seguinte: não devemos seguir o conselho de pessoas que se sentem à vontade para comprometer a verdade. Isto é algo que até nos nossos dias ainda é atual, pessoas que entram em nossas igrejas e introduzem heresias, as estes não podemos medir esforços para combate-los.
O autor menciona neste quarto capítulo a apostasia dissimulada e mostra como os falsos mestres se introduzem furtivamente na igreja, e os classifica-os como sendo os judaizantes e os Gnosticos. A estes os chama de terrorista e sabotadores espirituais dentro da igreja, que representam um ameaça muito mais séria do que as forças manifestamente hostis no lado de fora. Ele ainda acrescenta que desde o início da era da igreja, todos os ataques espiritualmente letais contra o evangelho surgiram de pessoas que fingiam ser cristãos.
No quinto capitulo vem abordando a sutileza da heresia: por que devemos permanecer vigilantes, ele mostra que a verdade nunca muda com o passar do tempo, mas a heresia sempre o faz.  Ou seja, as heresias constantemente vêm mudando, como mostra através dos exemplos de algumas heresias que surgiram durante a história da igreja como: o sabelianismo, o arianismo.  Daí em diante passa a mostrar como o arianismo teve predominância tão facilmente e depois mostras sua decadência.
Já no sexto ele mostra que os falsos mestres estão cometendo o erro de transformar a graça em licenciosidade. O fato é que a religião apóstata ensinam erros que corrompem o evangelho, como se estes fossem a verdade bíblica. Nas escrituras a apostasia é sempre retratada como um perigo mortífero, mas apesar de todas as suas tentativas sabemos que eles não poderão frustra os planos de Deus.
No sétimo mostra que muitos líderes eclesiásticos estão mudando radicalmente a maneira como vêem o evangelho, tratam como uma comodidade a ser vendida no mercado.  O autor vem tratando do abandono da sã doutrina e tirando a primazia de Cristo na igreja, e mostra quem colocou Cristo como sendo o cabeça da igreja.
Por fim, MarcArthu trata sobre como sobreviver numa época de apostasia, mostrando que devemos aprender com as lições da História. Fazendo com que não nos esqueçamos do que Judas falou, como a citação que faz de 2 Pedro. Dando quatro princípios: (1) devemos permanecer fieis; (2) ter uma estabilidade espiritual; (3) guarda-nos no amor de Deus; (4) esperar a volta do nosso Senhor Jesus Cristo.

Pr.  Anderson Roque

04 maio 2012

Evangélicos em Crise


ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise. São Paulo: Mundo Cristão, 1995.
O autor começa a aborda sobre a dimensão da crise, não mostrando que o evangelho está em crise, mas que a maneira que o povo encara o evangelho a cada dia vem se degradando. Tudo por que o discernimento vem diminuindo gradativamente, fazendo com que muitos não tenham uma ética cristã, é como o Romeiro menciona: "é possível na doutrina está com Deus e na prática, com Satanás". Ele mostra uma realidade que ainda perdura ainda hoje, a necessidade de lideres que levem a bíblia a sério teologicamente, que sirvam como modelos de oração, piedade e integridade. Uma verdade que ele menciona é que Satanás está usando a desunião do Corpo de Cristo. Depois o autor comenta sobre o resulto do seu livro intitulado SuperCrentes, onde comenta sobre algumas correntes teológicas, citando nomes de algumas pessoas e ele dá a razão por que citou, depois do seu lançamento surgiram novas tendências como um livro de um autor chamado Myles Munroe sob o titulo: "como compreender o seu potencial, a descoberta do seu verdadeiro eu" que possui vários problemas doutrinários. Ainda ele mostra que o ser humano é um povo adorador por natureza, por isso que muitos adoram personagem que estão em destaque na mídia, como artistas e políticos. E infelizmente isto não é só coisa do mundo, chega a influenciar também o meio cristão. Romero nos conta que é impossível valar de milagres sem mencionar o nome de Jesus, mas hoje, as pessoas estão relacionando milagres com as tendências que alguns maus intencionados estão criando como o "dente de outro" e a "unção do riso". Com o surgimento da maldição hereditária muitos acreditavam que seus problemas eram devidos algum pecado de um antepassado que passou para ele. Outro erro é dizer que uma pessoa tem uma doença hereditária e apoiar sua doutrina dizendo que foi devida a maldição hereditária. Não vemos em lugar nenhum que o Senhor Jesus ensinou tal doutrina. Outro aspecto da crise foi a ênfase na batalha espiritual, fazendo com que tivesse um desequilíbrio teológico, estão dando mais ênfase no Diabo do que no próprio Jesus. Algo que ainda persiste nos dias atuais, podemos ver que algumas igrejas nos seus cultos estão mais preocupadas em expulsar demônios do que glorificar o nome de Deus. O autor menciona que concorda com os lideres religiosos assumirem cargos político, onde diz que eles vão influenciar positivamente a sociedade no seu todo, só que isso na prática não é realidade, os crentes não devem se volver politica que por si só já é corrompida e vai corromper ou deixar omisso todos os que se envolvem com ela. Com a chegada de um novo milênio, muitos fizeram suas profecias para o fim do mundo e retorno de Cristo, mas o alto foi feliz em sua colocação sobre o assunto, ele diz que "ninguém possui uma teologia capaz de determinar quando ele virá". Algo que Romero menciona que de extrema importância, nós temos que ter o discernimento, para saber o que vamos ler ou ouvir, saber que tipo de igreja frequentar. Ele mostra alguns critérios para essa escola, e um dos critérios mais importante que ele dá é: "Seja um crente bereano (At. 17.11, 12)".
Pr. Anderson Roque

27 abril 2012

Resumo: Os perigos da interpretação bíblica


CARSON D.D, Os perigos da interpretação bíblica, Vida Nova, São Paulo: SP, 2007
INTRODUÇÃO
Enfocar falácia, exegética ou de qualquer outro tipo, parece um pouco enfocar o pecado: as partes culpadas talvez fiquem ressentidas e detenham-se de maneira apenas breve para examinar seus erros, sem que haja algo intrigante redentor nessa atitude Antes de prosseguir, quero expor a importância deste trabalho e riscos inerentes a ele, reconhecendo abertamente as muitas limitações por mim.
A importância deste estudo
Este estudo é importante porque, infelizmente, as falácias exegéticas são freqüentemente entre nós, cuja graça e responsabilidade recebidas de Deus são a fiel proclamação de Sua Palavra. A essência de toda a crítica, no melhor sentido dessa palavra tão mal usada, é a justificação de opiniões. Uma interpretação crítica das Escrituras é aquela que possui justificação adequada, em outras palavras, exegese crítica neste sentido é aquela que dá boas razões para as escolhas que faz e as posições que adota. Uma abordagem cuidadosa da Bíblia capacitar-nos-á a "ouvi-la" um pouco melhor. A importância deste tipo de estudo não pode ser superestimada se pretendemos alcançar unanimidade nas questões de interpretação que ainda nos dividem. Por outro lado, claro, os motivos nem sempre são racionais ou podem ser corrigidos apenas com maior rigor exegéticos. Superficialmente, é óbvio que pode haver vários obstáculos de natureza apenas prática para serem transpostos. A princípio, evidentemente, é possível que uma discussão aberta e extensa não consiga mais do que expor a natureza das diferenças ou mostrar como elas estão entrelaçadas com questões mais amplas. No final, porém uma vez que todos esses desvios tenham sido cuidadosa e humildemente examinados, cada um deles tendo levantado difíceis problemas exegéticos, as discussões restantes entre aqueles que possuem uma concepção elevada das Escrituras serão apenas exegéticas e hermenêuticas. A última razão pela qual este estudo tornou-se importante é a mudança no ambiente teológico do mundo ocidental durante os últimos trinta ou quarenta anos. Isso significa que em tais casos uma apologética tradicional é irrelevante. Tendo sido atacados de todos os lados pelas frentes hermenêuticas e exegéticas, e um dos passos a serem dados para retornarmos a discussão é examinar nossas ferramentas exegéticas e hermenêuticas novamente.
Os riscos deste estudo
Se existe razões pelas quais um estudo das falácias exegéticas é importante, há também razões pelas quais tal estudo é arriscado. A primeira delas é o fato de que um negativismo contínuo é espiritualmente perigoso. Se a principal ambição da vida de alguém é descobrir tudo o que está errado, essa pessoa está se expondo à destruição espiritual. Por outro lado, concentrar-se por muito tempo em erros e falácias pode produzir um efeito bastante diferente em algumas pessoas. Para aqueles que já são inseguros quanto a sim mesmo ou estão profundamente amedrontados pelas responsabilidades que pesam sobre os ombros dos que foram comissionados para pregar todo o desígnio de Deus, um estudo assim poderá levá-lo ao desânimo, até mesmo ao desespero. O perigo fundamental em todo estudo crítico da Bíblia encontra-se no que os especialistas da hermenêutica chamam "distanciamento". O distanciamento é um componente necessário do trabalho crítico; contudo, é uma tarefa difícil e, às vezes, penosa. O distanciamento é difícil e pode ser penoso. Mas não posso deixar de enfatizar veementemente que ele não é um fim em si mesmo. Seu correlativo característico é a fusão de horizontes de compreensão.
Os limites deste estudo
Esta não é uma discussão altamente técnica. Por não ser um estudo técnico, não forneço informações bibliográficas extensas. Incluí apenas as obras realmente citadas ou referidas em minha apresentação. Está obra concentra-se em falácias exegéticas, não em falácias históricas e teológicas. Nestas páginas, não há nenhuma discussão sistemática sobre o papel do Espírito Santo em nosso trabalho exegético.
1 –     FALÁCIAS VOCABULARES
Como as palavras são surpreendentes! Elas podem transmitir informações e expressar ou evocar emoções. São os veículos que nos capacitam a pensar. As palavras estão entre os instrumentos básicos de um pregador. Minhas pretensões é simplesmente a registras, descrever e exemplificar uma séria de falácias comuns.
Falácias semânticas comuns
1 –     A falácia do radical
Pressupões que toda palavra realmente tem um sentido ligado à sua forma ou a seus componentes. O significado é determinado pela etimologia, ou seja, pela raiz ou raízes de uma palavra. A busca de significados ocultos associada à etimologia torna-se ainda mais ridícula quando duas palavras com significados totalmente diferentes compartilham da mesma etimologia. Apresso-me em acrescentar três advertências. Em primeiro lugar, não estou dizendo que qualquer palavra pode significar qualquer coisa. Normalmente, observamos que cada palavra isolada tem um determinado campo semântico restrito e, portanto, o contexto pode modificar ou adaptar o significado de um termo somente dentro de certos limites. A segundo advertência é que o sentido de uma palavra pode refletir os significas de seus componentes. O significado de uma palavra pode refletir sua etimologia; deve-se admitir que em línguas sintéticas como grego e alemão, com suas porcentagens relativamente altas de palavras transparentes, isto é mais comum do que em uma língua como o inglês, na qual as palavras são "opacas". Finalmente, não estou sugerindo de forma alguma que o estudo etimológico é inútil.
2 –     Anacronismo semântico
Esta falácia ocorre quando um significado mais recente de certa palavra é transportado para a literatura antiga. Contudo, o problema apresenta um segundo aspecto quando acrescentamos também uma mudança de língua. A terceira faceta do mesmo problema foi arduamente exemplificada em três artigos sobre o sangue, na revista Christianity Today. Os autores realizaram um trabalho admirável explicando as maravilhosas descobertas das ciências sobre o que o sangue pode fazer – em particular, sua função purificadora na medida em que lava as impurezas celulares e transporta alimento para todas as partes do corpo.
3 –     Obsolescência semântica
Em alguns aspectos, esta falácia é a imagem refletida pelo anacronismo semântico. Aqui, o intérprete atribui a certa palavra de seu texto um significado que o termo em questão costumava ter em tempos passados, mas que não é mais encontrado dentro do atual campo semântico da palavra; ou seja, o significado é semanticamente obsoleto. É evidente que algumas palavras simplesmente perdem sua utilidade e desligam-se do uso comum da língua. Algumas mudanças deixam-se demarcar com bastante facilidade. Podemos dizer que as palavras mudam de significado com o decorrer do tempo. Conseqüentemente, devemos suspeitar um pouco quando algum trecho e exegese tenta estabelecer o significado de uma palavra recorrendo, antes de tudo, o seu uso no grego clássico, em vez do emprego no grego helenístico.
4 –    Reivindicação de significados desconhecido ou improváveis
Podemos continuar utilizando o exemplo anterior. Os Mickelsen não só recorrem ao LSJ, mas também deixam de notar os limites que até o LSJ impõe à evidência. Eles dão grande importância à idéia de nascente de um rio, como sendo a "fonte" do rio. Os Mickelsn estão tentando reivindicar um significado desconhecido ou improvável. Tudo isto serve apenas para mostrar que esta quarta falácia pode ser obscurecida por uma razoável habilidade exegética; mas ainda assim continua sendo uma falácia.
5 –     Negligência no uso de material de apoio
Após considerar com o máximo cuidado possível todas as opções das quais tinha algum conhecimento, rejeitei as varias interpretações sacramentais, julgando-as anacrônicas, contextualmente improváveis e discordantes dos temas. De fato, as analogias não são boas, mas minha hesitante defesa desse ponto de vista tem se mostrado tanto inconvincente quanto desnecessária. O segundo exemplo está em minha exposição de caráter popular sobre o Sermão do Monte. Nesta obra, expliquei a famosa discrepância entre a referência de Mateus a um monte e a menção que Lucas faz de uma planura minha apologética tinha um padrão mais ou menos conservador: mesmo um monte possui lugares planos, e assim por diante.
6 –     Paralelomania verbal
Samuel Sandmel cunhou o termo paralelomania para denominar a tendência que muitos estudiosos bíblicos tem de citar "paralelismos" de valor questionável. Uma subdivisão de tal abuso é a paralelomania verbal – a enumeração de paralelismo verbais de alguma obra literária como se esses meros fenômenos demonstrassem elos conceituais ou mesmo dependência.
7 –     A associação entre língua e mentalidade
Há não muito tempo atrás esta falácia deu origem a várias obras. Se for mencionado um livro como Hebrew Thought Compared with Greek em uma sala onde há muitas pessoas lingüisticamente competentes, logo haverá diversas expressões de aborrecimentos e resmungos. A essência desta falácia é a pressuposição de que qualquer língua confina de tal forma os processos mentais de seus falantes que as pessoas são forçadas a ter certos padrões de pensamento e proteger-se de outros.
8 –    Falsa pressuposições sobre significados técnicos
Nesta falácia, o intérprete supõe erradamente que uma palavra sempre ou quase sempre tem um determinado significado técnico – um sentido geralmente derivado de uma subdivisão da evidência ou da teologia sistemática pessoal desse estudioso. Às vezes, a descoberta de um suposto terminus technicus está ligada a argumentos perceptíveis, mas complexos. Um corolário desta falácia é que alguns intérpretes avançarão outro estágio e reduzirão uma doutrina inteira a apenas uma palavra que acreditam ser um termo técnico.
9 –     Problemas envolvendo sinônimos e análise de componentes
Há duas falácias principais e relacionadas que eu gostaria de abordar sob esse título. A primeira surge do fato de que os termos sinonímia e equivalência são tão pouco compreendidos por muitos de nós que nem sempre distinções adequadas são mantidas. O ponto central desta prática tão árdua não é denegrir o trabalho de um erudito bíblico, pois se pode argumentar, por exemplo, que Sanders não pretende considerar a palavra "sinonimicamente", à semelhança da forma rigorosa exigida pelos lingüistas modernos. Para apresentar o segundo problema, devo falar um pouco sobre a análise de componentes. Este tipo de estudo tenta isolar os componentes do significado. Por varias razões, duvido muito que haja uma distinção intencional. Se eu me dispusesse a provar esta questão, teria de discutir o significado de "pela terceira vez", fazer uma exegese detalhada do texto, rever a evidência de que, em geral, introduz expressões sinônimas em termos precisos ou gerais, e assim por diante.
10 –    Uso seletivo e preconceituoso das evidências
Agora, proponho-me a descrever uma falácia um pouco diferente, que pode estar relacionada a matérias de apoio, mas que com certeza não se restringe a isso. Refiro-me a uma espécie de reivindicação de evidências seletivas, o que capacita o intérprete a dizer o que quer, sem realmente ouvir o que diz a Palavra de Deus.
11 –     Disjunções e restrições semânticas injustificadas
Não são poucos os estudos vocabulares que oferecem ao leitor alternativa do tipo "e/ou" e então forçam uma decisão. Em outras palavras, exigem uma disjunção semântica, quando talvez a complementação fosse possível.
12 –     Restrição injustificada do campo semântico
Há muitas maneiras diferentes de se entender mal o significado de uma palavra em determinado contexto, restringindo-se de forma ilegítima seu campo semântico. Isto acontece se erroneamente a declaramos um terminus technicus, recorrendo a disjunções semânticas ou usando de forma inadequada algum material de apoio. Às vezes, deixamos de notar o quanto é amplo todo o campo semântico de uma palavra; assim, quando nos dispomos a fazer exegese de certa passagem, não consideramos a apropriadamente as opções em potencial e, sem perceber, acabamos por excluir algumas possibilidades dente as quais poderia estar a correta. Seja como for, insisto em que restringir de forma injustificada e precipitada o campo semântico de uma palavra é um erro metodológico. A falácia está na crença de que em qualquer caso é possível ter a interpretação correta de uma passagem; muitas vezes isso não é possível
13 –     Adoção injustificada de um campo semântico expandido
Neste caso, a falácia está na suposição de que o significado de uma palavra em determinado contexto é muito mais amplo do que o contexto em si permite, podendo trazer consigo todo o campo semântico do termo em questão. Às vezes, esta medida é chamada "transferência ilegítima da totalidade".
14 –     Problemas relativos ao contexto semítico do Novo Testamento grego
Os tipos de problemas que tenho em mente podem ser revelados fazendo-se algumas perguntas retóricas: até que ponto o vocabulário do Novo Testamento grego é configurado pelas línguas semíticas que, presume-se, dão-lhe a base de longos trechos? Até que ponto o campo semântico normal das palavras do Novo Testamento grego é alterado pelo impacto dos antecedentes semíticos pessoais de algum escritor do Novo Testamento, por sua leitura do Antigo Testamento hebraico, quando pertinente, ou pela influência indireta do Antigo Testamento hebraico sobre a Septuaginta, que por sua vez influenciou o Novo Testamento?
15 –     Negligência injustificada de particularidades distintivas de um grupo de palavras
Neste caso, a falácia está na falsa suposição de que o uso predominante de qualquer palavra em um dos escritores do Novo Testamento é basicamente o mesmo em todos os outros quase nunca isso acontece
16 –     Associação injustificada de sentido e referência
Referência ou denotação é a representação de alguma entidade não-lingüística por meio de um símbolo lingüístico. Nem todas as palavras são referenciais. Nomes próprios sem dúvidas o são. Fica claro, portanto, que os conceitos de sentido e referente podem ser distinguidos. Provavelmente, porém, a maior parte dos eruditos bíblicos usa essas categorias com menos precisão do que os lingüistas. A falta de compreensão destas questões foi um dos impulsos que fez surgir o Theological Dictionary of the New Testamente (dicionário Teológico do Novo Testamento), especialmente os primeiro volumes.
A essência da questão: o conflito com o contexto
Talvez a principal razão pela qual os estudos vocabulares constituem uma fonte de falácias exegéticas particularmente ricas seja o fato de que muitos pregadores e professores bíblicos conhecem a língua grega apenas o bastante para usar concordância ou talvez um pouco mais. Avançar além da lista apresentada neste capítulo e tentar fornecer algumas diretrizes positivas seria modificar o propósito deste livro; assim, paro aqui.
2 –     FALÁCIAS GRAMATICAIS
Seria de esperar que uma lista de falácia exegéticas encontradas no campo gramatical incluísse exemplos muito mais numerosos e diversos do que a relacionada a estudos vocabulares. Todavia, componho este capítulo de forma mais breve que o anterior. Há diversas razões para este decisão. Em primeiro lugar, os estudos vocabulares somam tantas falácias porque muitos pastores formados em seminários têm bagagem suficiente para gerá-las, mas, não para cometer alguns tipos de erros gramaticais. Em segundo lugar, a análise gramatical não tem sido popular nas últimas décadas de estudo bíblico. Muito mais tempo e esforços têm sido consagrados à semântica léxica do que à gramática.
A flexibilidade do Novo Testamento grego
Antes de começarmos este levantamento de algumas falácias gramaticais elementares, é importante lembrar que o princípio da entropia opera tanto em línguas vivas quanto em física. A importância prática deste fato é que a gramática do período grego clássico, relativamente mais estruturada, não pode ser aplicada de uma só vez de maneira legítima ao Novo Testamento grego.
Falácias relacionadas a tempos e modos verbais diversos
1 –     O tempo aoristo
Frank Stagg escreveu um artigo sobre o uso inadequado do aoristo. Stagg via um problema no fato de que, a partir da presença de um verbo no aoristo, estudiosos competentes estavam deduzindo que a ação referida era "definitiva" ou "completa". A dificuldade surge em parte porque o aoristo é freqüentemente descrito como o tempo pontilear. Stagg não tem sido o único a advertir contra o mau uso do aoristo; mesmo assim, ainda é possível encontrar não só pregadores, mas também competentes estudiosos cometendo o erro de conferir-lhe peso excessivo. Contudo, é possível ir longe demais com este tipo de crítica uma questão bem ilustrada em um artigo sobre a obra de Stagg de Charles R. Smith. Não só afirma que Stagg tem sido ignorado, como também procura ir além deste autor, insistindo em que a evidência requer que descartemos para sempre todas as denominações como aoristo global, constativo ingressivo e outras semelhantes. Isso, porém, não é lingüisticamente ingênuo. Smith chega à sua conclusão apresentando contra-exemplos bíblicos para cada tipo de classificação de aoristo mencionada pelos gramáticos; mas tudo o que esses contra-exemplos provam é que nem todo aoristo é usado daquela maneira e não que nenhum aoristo é empregado assim. Todavia, a principal razão pela qual o tempo aoristo pode, em suas relações com contextos específicos, expressar uma imensa variedade de tipos de ação é justamente o fato de ser mais maleável que os outros tempos verbais. Em resumo, delineei duas falácias. Na mais comum, sustenta-se erroneamente que o tempo aoristo sempre traz um significado altamente especifico. Na segunda, afirma-se que o tempo aoristo não pode carregar nenhum peso semântico além do valor semântico não-marcado do aoristo, mesmo quando está em um contexto muito específico.
2 –     A primeira pessoa do aoristo do subjuntivo
Gostaria de usar este item como um caso exemplar – uma amostra do tipo de questão levantada em estudos gramaticais mais avançados. O que gostaria de abordar aqui não é exatamente uma falácia, a menos que possamos incluir sob esse título aqueles rótulos gramaticais tão inadequados que ocultam mais do que revelam. A definição típica de subjuntivo deliberativo de fato abrange três categorias bastante distintas. O verdadeiro deliberativo, como o subjuntivo hortativo, é intramural. A segunda e terceira categorias são pseudodeliberações. O sujeito na primeira pessoa do subjuntivo não faz a pergunta para si mesmo. Meu argumento é triplo: existe ainda muito território gramatical a ser vencido, os resultados podem ser exegeticamente proveitosos e, entretanto, não poucas categorias gramaticais tanto ocultam quanto revelam.
3 –     A voz média
A falácia mais comum ligada à voz média é a suposição de que praticamente todo ponto em que ela ocorre é reflexivo ou sugere que o sujeito age por si só. É claro que os gramáticos competentes não são tão ingênuos, mas ainda assim esta falácia tem aparecido em muitas obras e, normalmente, surge com o propósito de sustentar alguma doutrina preferencial.
4 –     O perfeito perifrástico em Mateus 16.19
O problema tão discutido aqui é como o texto deve ser traduzido. Durante os últimos cinqüenta anos, foram publicadas em periódicas discussões calorosamente redigidas a respeito deste ponto. Quando passamos para questões paradigmáticas, contudo, pode-se progredir. Um exame preliminar da evidência sugere que a força de futuro é provável nos caos onde o particípio perfeito normalmente tem forças de presente, porque o verbo é defectivo. Estas questões não fornecem respostas absolutamente incontestáveis; mas neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras. Evita-se assim a falácia de pressupor que todos os problemas relativos ao significado dos tempos verbais podem ou devem ser resolvidos recorrendo-se apenas a considerações morfológicas e sintagmáticas.
Falácias ligadas a várias unidades sintáticas
1 –     Condicionais
Três falácias merecem ser mencionadas sob este titulo. A primeira é comum. Em condicionais de primeira classe, geralmente chamadas condicionais "reais", com freqüência acredita-se que a prótase é considerada verdadeira, isto é, a coisa suposta é real. Em condicional de primeira classe, a prótase é considerada verdadeira por causa do argumento, mas a coisa realmente suposta pode ser verdadeira ou não. Em segundo lugar, é uma falácia sustentar que condicionais de terceira classe têm alguma expectativa implícita de cumprimento, seja ela duvidosa ou não. Em terceiro lugar, porém, quando um argumento que não há uma "referência temporal" evidente na apódose é futura em seu significado, seja o verbo um aoristo do imperativo, um subjuntivo. Um presente do indicativo, um futuro do indicativo, um aoristo do subjuntivo com îna, ou alguma outra forma.
2 –     O artigo: considerações preliminares
O artigo definido em grego é extremamente difícil de ser classificado de maneira exaustiva. Contudo, existem alguns princípios orientadores, e aqueles que os ignoram ou deixam de entendê-los acabam por cometer muitos enganos. Os gramáticos, claro, compreendem essas questões. Contudo, é espantoso como o mesmo não parece acontecer com muitos comentaristas.
3 –     O artigo: a regra de Graville Sharp
Algumas gramáticas apresentam a regra de forma bastante simplista. A falácia está em considerar esta regra em termos absolutos demais; pois, na verdade, certas condições são necessárias para que uma evidência concreta seja abrangida por esta regra. A falácia consiste em pressupor a validade universal da forma estrita da regra de Granville Sharp.
4 –     O artigo: a regra de Colwell e questões relacionadas
Sabe-se bem agora que em uma oração como kaì yeòv hn ò logov, o substantivo com o artigo constitui o sujeito, ainda que esteja colocado depois do verbo. Entretanto, além dessas limitações, a regra de Colwell pode ser facilmente utilizada de forma inadequada. A falácia em muitas reivindicações populares de Colwell está na crença de que a parte de sua regra que diz respeito a João 1.1 baseia-se em uma análise de todos os predicados anartros que precedem verbos de ligação. Em outras palavras, baseando-se no fato de que um substantivo predicativo precedendo um verbo de ligação é anartro, é uma falácia afirmar que é muito provável que ele seja definido.
5 –     Relação entre tempos verbais
Falácias exegéticas e teológicas surgem nesta área quando são tiradas conclusões sem se prestar a devida atenção às relações entre uma oração e outra, estabelecida pelas formas verbais.
O potencial para uma precisão renovada
Surpreendentemente, nas últimas décadas houve pouco progresso em gramática grega, refletindo em parte padrões decadentes na educação clássica e em parte um desvio de interesse para algum outro ponto. Esta situação pode mudar de maneira bastante rápida com a chegada do programa GRAMCORD, que é um programa de computador que consiste de um texto do Novo Testamento grego e um programa consideravelmente sofisticado que capacita o usuário a buscar qualquer construção gramatical de posicionalmente definida.
3 –     FALÁCIAS LÓGICAS
A natureza e a universalidade da lógica
A questão é lógica no primeiro sentido é natural. Não deve ser descartada como a peculiar e discutível teoria de Aristóteles. Antes é a série de relações que devem ser válidas se qualquer conhecimento e qualquer comunicação de conhecimento proposicional é possível.
Uma seleção de falácias lógicas
1 –     Falsas disjunções: uso inadequado da lei do termo médio excluído
São extraordinariamente comuns e potencialmente muito prejudiciais a uma exegese justa e imparcial. Naturalmente, algumas disjunções formais são apenas recursos estilísticos que não devem ser interpretados como verdadeiras disjunções. A poesia hebraica tende a expor esses recursos e o Novo Testamento também o faz.
2 –     Deixar de reconhecer distinções
Um bom exemplo desta falácia – aquela que argumenta que, por serem x e y semelhantes em certos aspectos, eles são semelhantes em todos os aspectos.
3 –     Uso de evidência seletiva
Um exemplo simples é o uso que alguns cristãos muito conservadores fazem de 1 Coríntios 14.33-36 para argumentar que as mulheres devem sempre manter silêncio na igreja. Elas não devem orar em voz alta, oferecer testemunho ou falar em circunstância alguma. Admite-se que tais versículos poderiam ser considerados dessa forma; mas uma interpretação assim resulta em um conflito inevitável com o que Paulo diz três capítulos antes, onde ele permite que, sob certas condições, as mulheres orem e profetizem na igreja.
4 –     Uso inadequado de silogismos
A falácia consiste em achar que certos argumentos são bons, quando uma breve reflexão mostra que não têm valor algum. Um ensino ocasionado por uma situação local não é universalmente aplicável. O ensino em questão (em 1 Timóteo 2.11-15) é ocasionado por uma situação local. Portanto, o ensino em questão não é universalmente aplicável. Neste caso, a forma do argumento é válida, mas a primeira premissa esta muito generalizada para que se possa acreditar nela.
5 –     Confusão de cosmovisões
A falácia consiste em alguém acreditar que a experiência e a interpretação da realidade individuais de uma pessoa são a estrutura adequada para se interpretar o texto bíblico; na verdade, porém, se examinarmos além do nível superficial, pode haver diferenças tão profundas que descobrimos que estão sendo usadas diferentes categorias, e a lei do termo médio excluído pode ser aplicada. A falácia em questão apresenta a necessidade mais evidente de distanciamento por parte do intérprete. A menos que reconheçamos a distância que nos separa do texto que está sendo estudado, iremos negligenciar diferenças de perspectiva, vocabulário e interesse; e involuntariamente estaremos transferindo nossa carga mental para o texto, sem nos determos para questionar se isso é apropriado. Isso não significa que o conhecimento real seja impossível. Antes significa que o conhecimento real é quase impossível se deixarmos de reconhecer nossas próprias suposições, indagações, interesse e procurarmos fazer concessões, estaremos mais capacitado separa evitar a confusão de nossa própria cosmovisão com as dos escritores
6 –     Falácia de estrutura interrogativa
Esta é uma subdivisão da falácia anterior. Ela faz uma pergunta que impinge uma situação desconfortável sobre o homem a quem a pergunta é dirigida. Todavia, antes que nós, teólogos, agradeçamos a Deus com presunção por não sermos basicamente historiadores, precisamos reconhecer que nós mesmos caímos em muitas falácias devido à forma em que estruturamos as questões.
7 –     Confusão injustificada entre verdade e precisão
Às vezes, a veracidade das Escrituras é depreciada devido à sua demonstrável imprecisão. Contudo, é uma falácia confundir essas duas categorias ou achar que há algum tipo de vinculo entre os dois conceitos.
8 –     Apelo puramente emotivos
É claro que não há nada intrinsecamente errado com a emoção. Contudo, apelos emotivos às vezes mascaram as questões ou escondem as falhas do argumento racional subjacente. Infelizmente, quando mais discutida a questão, mais freqüentes se tornam os apelos emocionais ilegítimos, e às vezes estes aparecem entrelaçados com o sarcasmo. O apelo a argumento emocionais pode abranger os modos pelos quais os dados são apresentados.
9 –     Generalização e demasiada especificação injustificadas
Neste caso, a falácia consiste na crença de que uma proposição particular pode ser generalizada apenas porque se adapta ao que queremos que o texto transmita, ou na crença de que um texto diz mais do que na verdade diz. Infelizmente, às vezes os evangélicos caem na mesma armadilha.
10 –     Influências negativas
Se uma proposição é verdadeira, isto não significa necessariamente que uma inferência negativa a partir dessa proposição também seja verdadeira. A inferência negativa pode ser verdadeira; mas isto não deve ser tomado como certo, e em qualquer caso ela nunca é verdadeira porque é uma inferência negativa.
11 –     Inferências injustificadas
Esta é uma subdivisão particular da quinta falácia deste capítulo. Ela ocorre quando uma palavra ou expressão desencadeia uma idéia, conceito ou experiências associados que não têm nenhuma relação direta com o texto em questão, mas mesmo assim são usados para interpretá-lo. Este erro é surpreendente fácil de ser cometido na pregação textual, negligenciando a velha máxima de que um texto fora de contexto torna-se pretexto para um texto-prova.
12 –     Falsas declarações
É surpreendente a freqüência com que livros ou artigos dão informações falsas; e se nos basearmos demais em tais obras, nossa exegese será mal direcionada. Até mesmo eruditos que geralmente são cuidadosos cometem erros, às vezes porque se baseiam em fontes secundárias incertas, outras porque a própria memória os enganou.
13 –     O non sequitur
Este caso diz respeito a conclusões que "não seguem" da evidência e dos argumentos apresentados. Há muitas formas, com freqüência facilmente apresentadas pelo silogismo.
14 –     Rejeição arrogante
Neste caso, a falácia consiste em pensar que o argumento de um opositor já foi realmente discutido, quando na verdade foi apenas colocado de lado.
15 –     Falácia baseadas em argumentação equívocas
Com este título geral, refiro-me a argumentos que não podem ser considerados errados, mas que mesmo assim são imperfeitos, equívocos, insatisfatórios. Eles alegam proferir mais do que podem. Há diversos tipos de argumentações equivocada. Um intérprete pode fazer a pergunta retórica, contudo a pergunta retórica pode estar baseada na pressuposição implícita, que o autor concluiu antecipadamente para si. Ainda menos recomendável é aquela forma de argumenta que busca com determinação a linguagem mais ambígua possível a fim de assegurar a mais ampla concordância. Outro tipo de argumentação equivocada ocorre quando consciente ou inconscientemente um comentarista expressa sua explanação de forma tal que deixa duas ou mais opções abertas.
16 –     Analogia inadequadas
A falácia aqui esta na suposição de que determinada analogia esclarece um texto ou tema bíblico quando, na verdade, ela é comprovadamente inadequada ou imprópria. Analogias sempre incluem elementos tanto de continuidade quanto de descontinuidade junto com o que se propõem a explicar; mas para que uma analogia seja de alguma forma válida, os elementos de continuidade devem predominar no momento da explicação.
17 –     Uso impróprio de expressões como "obviamente" e outras semelhantes
É perfeitamente adequado que um comentarista use expressões como "obviamente", "nada pode ser mais evidente" ou algo assim, quando ele já dispôs evidências tão irrefutáveis que a grande maioria dos leitores concordaria que o assunto é evidente ou que o argumento é logicamente conclusivo. Contudo, é impróprio usar tais expressões quando argumentos opostos ainda não foram refutados definitivamente, e é uma falácia achar que as expressões em si acrescentam algo significativo à argumentação.
18 –     Reivindicações simplistas de autoridade
Pode-se reivindicar a autoridade de ilustres eruditos, pastores respeitados ou autores célebres, a opinião da maioria e várias outras. A falácia consiste na crença de que recorrer à autoridade de outros justifica determinada interpretação de um texto; na verdade, porém, a menos que as razões de tais autoridades sejam expostas, a única coisa que tais reivindicações demonstram é o que o escritor está sob a influência daquela autoridade importante.
4 –     FALÁCIAS HISTÓRICAS E DE PRESSUPOSTOS
A Bíblia contém muitos dados históricos; e onde os seres humanos limitados e decaídos lidam com a história, falácias de historiadores serão encontradas. A exegese envolve uma linha de pensamente e argumentação sistematizadas, e onde houver tal raciocínio sistematizado, aí também encontraremos falácias de pressupostos.
A influência da nova hermenêutica
Nas atuais circunstâncias, é essencial mencionar a revolução no pensamento provocada pelo surgimento da "Nov hermenêutica". A nova hermenêutica derruba a rigorosa disjunção sujeito / objeto característica da antiga teoria hermenêutica. Em algumas exposições da nova hermenêutica, o significado real e objetivo em um texto é uma miragem, e buscá-lo é algo tão útil quanto procurar uma agulha em um palheiro. Escritores mais sofisticados entendem que o círculo hermenêutico não é vicioso: idealmente, é mais uma espiral hermenêutica. Se é verdade que a nova hermenêutica pode nos ensinar a sermos cuidadosos e auto-conscientes de nossas próprias limitações e preconceitos quando abordamos a Palavra de Deus teremos um grande proveito; mais será prejudicial se servir como fundamento para a "relativização" de todas as opiniões a respeito do que as Escrituras estão dizendo.
Algumas falácias históricas e de pressuposto
1 –     Reconstrução histórica livre
A falácia está em enfatizar demais reconstruções especulativas da história judaica e cristã do primeiro século na exegese de documentos do Novo Testamento. O problema é não temos quase nenhum acesso à história da igreja primitiva durante suas primeiras cinco ou seis décadas à parte dos documentos do Novo Testamento. O problema é tão endêmico para a erudição do Novo Testamento que muitas divisões entre eruditos conservadores e liberais podem ser determinadas em termos desta falácia metodológica. Ainda pior é o fato de tal reconstrução histórica livre muitas vezes estar ligada às abordagens mais extravagantes a fim de formular críticas que geram obras duplamente livre.
2 –     Falácia de causalidade
Falácias de causalidade são explicações falhas das causas dos eventos. Não é difícil encontrar exemplos destas e de outras falácias nos escritos dos eruditos do Novo Testamento.
3 –     Falácia de motivação
Falácias de motivação podem ser consideradas uma subdivisão das falácias causais: "Uma explicação baseada na motivação pode ser entendida como um tipo especial de explicação casual na qual o efeito é um ato inteligente, e a causa é o pensamento por trás disso; ou pode ser concebida em termos não-causais, como um paradigma de comportamento exemplar". A proporção mais alta de falácia de motivação surge hoje em alguns estudos radicais da crítica da redação do Novo Testamento.
4 –     Paralelomania conceitual
Esta é uma réplica conceitual da paralelomania verbal abordada no capitulo 1. Em particular, a paralelomania conceitual é atraente para aqueles que fizeram estudo avançados em um campo especializado, mas que não têm mais do que um sério conhecimento de escola dominical das Escrituras.
5 –     Falácia que surgem da falta de distanciamento no processo interpretativo.
A mais óbvia destas é a transferência de uma teologia pessoal para o texto. Contudo, se às vezes transferimos nossa própria teologia para o texto, a solução não está em retroceder para tentar a neutralidade, procurando tornar a mente uma tábua rasa para que sejamos capazes de ouvir o texto sem preconceitos.
5 –     REFLEXÕES FINAIS
Oportunidades para outras falácias
1 –     Problemas relativos ao gênero literário
Há muitos. Nossas definições modernas de "parábola" ou "alegoria" podem não ser exatamente o que os escritores antigos queriam dizer com esses termos. Como podemos estruturar nossas perguntas sobre gênero por meio do gênero sendo estudado? Muitos entram em choque com a necessidade de equilíbrio entes vínculos e desconexões quando dois trechos literários estão sendo comparados.
2 –     Problemas relativos ao uso que o Novo Testamento faz do Antigo
Estes incluem a natureza da autoria do antigo Testamento quando a correlação é a tipológica.
3 –     Argumentos a partir do silêncio
Os eruditos geralmente reconhecem que os argumentos a partir do silêncio são fracos; mas são mais fortes se podemos alegar que, em qualquer contexto particular, poderíamos ter esperado comentários adicionais por parte do falante ou narrador.
4 –     Problemas relativos à justaposição de textos
O problema é que todas as associações acabam produzindo um filtro que afeta a interpretação de outros textos. Podem existir falácias relacionadas não só AL modo pelo qual versículos isolados são interpretados, mas também ao modo pelo qual diversas passagens são associadas.
5 –     Problemas relativos a argumentos estatísticos
Muitas avaliações estatísticas são estruturadas em parte por decisões da crítica da redação que depende de números. Contudo, há muitas falácias metodológicas ligadas a argumentos estatísticos, falácias das quais muitos eruditos do Novo Testamento estão apenas vagamente conscientes. Ainda mais grave é o fato que foram feitos pouquíssimos estudos em literatura comparativa para sabermos se há padrões tradicionais de variabilidade nos escritos de um mesmo autor. Alem disso, muitas avaliações da crítica da redação tratam de palavras e frases "redacionais" e às vezes das passagens em que aparecem, como acréscimos posteriores ou referências a materiais não-históricos
6 –     O surgimento do estruturalismo
Uma nova geração de falácia vem sendo criada.
7 –     Problemas na distinção entre o figurado e o literal
É muito comum encontramos interpretações que tomo o literal pólo figurado ou vice-versa. Mais quais são os princípios que regem a determinação de distinções entre figurado/literal? O problema oferece mais um campo fértil para falácias de exegese
Ajuntando os pedaços
Necessariamente, esta discussão abordou as falácias em pedaços; todavia, na real tarefa da exegese, por serem extremamente complexas, algumas passagens provocam um infinidade de falácias ao mesmo tempo. Então, no auge das falácias estritamente exegéticas, enfrentamos novos perigos quando procuramos aplicar à nossa vida o significado do texto que descobrimos.
Pr. Anderson Roque