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27 abril 2012

CASAMENTO E DIVÓRCIO: Uma Abordagem Bíblica


CASAMENTO E DIVÓRCIO: Uma Abordagem Bíblica
Anderson Roque Gouveia
Seminário e Instituto Bíblico Bereiano
RESUMO
Quando se fala em casamento, deve sempre voltar ao passado quando Deus criou o homem. No princípio pode se dizer que o homem era solitário, Deus ainda não tinha criado uma companheira para ele. Criando a mulher a partir de uma de suas costelas e entregando-a ao homem para que lhe fosse sua mulher (Gn 2.22). Em Gênesis 2 Deus criou o casamento para suprir uma necessidade do homem, fazendo a mulher uma auxiliadora idônea ou em outras palavras, o Senhor criou a mulher apropriada para o homem. O Ele fez a Eva, e o homem falou "Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada" (Gn 2.23). Isso faz com que nos lembremos de onde foi feito a mulher, "não do pó pra que se iguale ao homem; nem dos pés para que o homem não pise nela, e muito menos da cabeça para que ela não pense que é superior ao homem, mas, da costela para lembrar que ambos são iguais perante Deus, com funções diferentes". Quando se observa o que Cristo falou, poderá ser visto que Deus criou o homem, deixando-o por algum tempo só e depois criou a mulher. Deus criou o homem para um relacionamento pessoal com Ele, e o homem vivesse em plena dependência de Deus. Cada dia que se passa, é visto que com o "passar do tempo", o casamento para alguns virou um "inferno". Teoricamente, o amor deveria aumentar de acordo com o tempo de convivência, mas ao invés disto ele diminui. Não as pessoas não podem mais sair com os amigos, tomar um refrigerante com colegas do trabalho depois do expediente do serviço, ou mesmo conversar com outra pessoa do sexo oposto sem levantar suspeita, onde seu cônjuge arde em ciúmes. Na falta do amor o casamento tende a si arruinar, conseqüentemente acontece o divórcio. O problema real que provoca a separação não é a falta de amor, e sim a falta de compreensão do verdadeiro amor. Quando observado o real significado do verdadeiro amor, percebe-se que ele não é como o amor sentimental. O casal deve ter a consciência que eles são uma nova família, e que seus pais continuam parte da família, mas, agora esta família que se inicia é do casal e não dos seus pais. O divórcio é o terceiro motivo de stress para as mulheres, perdendo somente para a morte do cônjuge e a do filho. Um dos primeiros problemas que enfrenta a mulher divorciada é a solidão. Muitas negligenciam o convívio social na época do casamento. O divórcio é realmente lamentável, vindo apenas para satisfazer o desejo egoísta do homem.

 
1 –    Introdução
Estamos vivendo em tempos, em que a humanidade vem se perdendo continuamente, onde seus princípios tantos éticos como morais, já não são os mesmos. A cada dia que se passa o homem procura satisfazer a si mesmo, não se importando mais com o seu próximo.
No casamento não é diferente, o homem vem procurando satisfazer o seu bem prazer, e se esquecendo de quem está ao seu redor. Entram em um casamento não pensando em fazer o seu cônjuge feliz, e sim querem que seu cônjuge lhe faça feliz. Invertendo o papel do relacionamento, onde cada pessoa tem que ter em sua mente fazer a outra pessoa feliz e não a si mesmo.
Com isso muitos entram nos tribunais para anularem seus casamentos e com muitas justificativas, que se pararmos para analisar não tem nenhum fundamento, na verdade as pessoas já casam pensando na separação, com o pensamento se não der certo se separa.

 
2 -    Casamento
2.1 -     SIGNIFICADO E ORIGEM DO CASAMENTO
Muitos falam sobre o casamento, mas, não tem a idéia do que realmente significa está casado. Olhando para o dicionário é encontrado seu significado como: "Ato solene de união entre duas pessoas de sexos diferentes, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e/ou civil" (AURÉLIO, 1999). Já no Art. 1511 do código civil brasileiro, o casamento vem sendo descrito como: "O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges" (AGRIPINO, 2004). Muitos se baseiam nessa definição para se explicar o fato de estarem casadas, mas não olham a verdadeira razão porque estão casadas.
Langston nos dá mais uma definição para o casamento, ele fala que o casamento "é um pacto voluntário. É um pacto solene e sagrado feito entre um homem e uma mulher, baseado não numa convivência nem tão pouco no respeito mútuo, mas tão somente no amor verdadeiro de um para com o outro" (LANGSTON, 1954 p. 111).
Toda vez que ao se falar sobre casamento deve ser sempre ponderado voltar para o passado, quando Deus criou o homem. No princípio, é bom salientar que o homem era solitário, Deus não tinha criado ainda uma companheira para ele. Deus deixou que o homem sentisse a necessidade de uma pessoa para compartilhasse as coisas e que ficasse na dependência de Deus para suprir suas necessidades, quaisquer que fosse.
Por isso Deus disse "Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea." (Gn 2.18), para que fosse uma companheira para o homem. Criando a mulher a partir de uma de suas costelas e entregando-a ao homem para que lhe fosse sua mulher (Gn 2.22).
2.2 -    BASE BÍBLICA PARA O CASAMENTO
Vemos em Gênesis 2 que Deus criou o casamento para suprir uma necessidade do homem, fazendo a mulher uma auxiliadora idônea ou em outras palavras, Deus criou a mulher apropriada para o homem. O Senhor tirou a costela de Adão e fez a Eva, e o homem falou "Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada" (Gn 2.23). Isso faz com que nos lembremos de onde foi feito a mulher, "não do pó pra que se iguale ao homem; nem dos pés para que o homem não pise nela, e muito menos da cabeça para que ela não pense que é superior ao homem, mas, da costela para lembrar que ambos são iguais perante Deus, com funções diferentes." (anônimo).
Quando a palavra de Deus nos fala que o homem deve sair de sua casa deixando assim o local onde seus pais mora, saindo também do vínculo emocional, e financeiro dos seus pais (Gn 2.24), isso não quer dizer que devemos ter que quebrar todos os laços familiares, mas, que devemos ouvir conselhos e sugestões; mas o que está envolvido é se devo atender ou não, depois de casados, a pessoa não tem mais a obrigação de fazer do jeito que seus pais querem, mas, do modo que a pessoa acha conveniente.
No mundo que estamos vivendo, os homens se gloriam por terem vários relacionamentos com mulheres, e isso para eles é algo de status. Quando voltamos para os princípios bíblicos, iremos observar que não é bem assim, as escrituras nos mostra que Deus criou o homem para que vivesse exclusivamente para uma única e exclusiva mulher. Encontramos em Gênesis 2.24 o seguinte: "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne." Isso nos mostra que o casamento é um e não muitos, sendo monogâmico.
2.3 –     POR QUE DOIS?
Quando os fariseus vieram perante a Cristo, para o questionar se era lícito repudiar a sua mulher por qualquer motivo, no Capitulo 19 de Mateus.
Cristo simplesmente reponde, utilizando a palavra de Deus perguntando; "Não tendes lido que o Criador deste o princípio os fez homem e mulher, e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem (Mt 19.3-6)
O interessante é que os fariseus foram questionar a Cristo e ele utilizou de sabedoria em respondê-los. Pegando-os em suas próprias astúcias, Cristo pergunta: "Não tendes lido?" (Mt 19.4b). Cristo fez essa pergunta a eles, porque os fariseus se orgulhavam em serem os conhecedores da lei, e faziam questão em demonstrar seus conhecimentos.
Quando voltamos ao que Cristo falou, iremos ver que Deus criou o homem, deixando-o por algum tempo só e depois criou a mulher. Agora porque será que Deus criou o homem só e não criou a mulher junto com ele? Já que os demais seres foram criados, tanto macho e fêmea, ao mesmo tempo.
Deus quando criou os seres vivos, não os criou para terem um relacionamento com Ele, mas, o homem é totalmente ao contrário. O homem é o único ser vivo que Deus criou à sua imagem (Gn 1.27), os animais não.
Deus criou o homem para se relacionar com Ele, e o homem vivesse em plena dependência de Deus. Para que ele percebesse que não havia nem um ser que seria semelhante a ele. Vemos que Genevois acredita que Deus, "antes de realizar seu desígnio, parece desejar que o homem perceba, por si mesmo, que não existe ainda nenhum ser, entre os que povoavam a terra e espaço" (GENOVOIS, 1965, p.19)
E isso Adão percebeu quando Deus fez com que todos os animais viessem a ele para lhe colocarem o nome, e depois que ele viu que não tinha nenhum ser que lhe era idôneo (Gn 2.19-20).
Vemos que Deus criou a mulher para que homem fosse completado, ela é o ser que seria, podemos dizer assim: o que estava faltando em Adão, apesar de que ela foi feita de sua costela. Ela era um ser perfeito para o homem, onde iria suprir todas as suas necessidades, tanto físicas como emocionais.
2.4 –     O AMOR CRESCE OU MORRE?
Vemos que Deus criou o homem não para que ele vivesse só, mas, que se unisse a uma mulher, ali eles iriam constituir uma família. Cada dia que passa, vemos que com o passar do tempo, o casamento para alguns, aos seus olhos, poderiam dizer que o casamento virou um "inferno". Outros alegam que o "amor acabou", mas, será realmente que o amor pode se acabar, ou será que é só a falta de investimento nele que está faltando?
Quando Paulo escreve em sua carta para os Efésios, ele nos diz que homem deve amar sua esposa (Ef 5.25), e isso não se trata de escolha, o homem ama sua mulher se ele quiser, O verbo amar ali está no imperativo, isso significa que é uma ordem ao ouvinte para realizar uma determinada ação por comando e autoridade daquele que a emite (BOL MA). Em outras palavras o marido deve amar sua mulher e não esperar que venha um sentimento, pois, o amor é emocional, e também, é um sentimento racional.
Temos que nos lembrar do que nos diz a palavra de Deus, e isso é uma falha nossa, de que sempre esquecemos o que Deus nos instruiu nas escrituras. Quando voltamos nossos corações para o que Deus nos revelou, veremos que o amor, ele sempre será paciente. O amor ele não vai se irritar com a pessoa amada, o amor não tem ciúmes, pois, ele confia naquele a quem ama. O amor não trata com indiferença, pois, trata por igual. (1 Co 13.4-6).
O amor é algo tão surpreendente que ele tudo suporta, acredita em tudo, tem paciência em esperar e tudo sofre por quem ama (1 Co 13.7). E para aqueles que acreditam que o amor pode terminar, vemos que é totalmente o contrário, como vemos em 1 Coríntios 13.8a "O amor jamais acaba".
2.5 -     OBSTÁCULOS
Teoricamente, o amor deveria aumentar de acordo com o passar do tempo. Só que não é assim que podemos perceber, com o passar do tempo, as dificuldades vão aumentando, os conflitos crescem, e daí começa a surgir às brigas. Muitos utilizam destes argumentos para alegarem uma forma de não se casarem, eles utilizam de um artifício que eles chamam de "vamos nos juntar, se der certo".
Hoje em dia as pessoas não estão pensando em casamento para uma vida toda, eles já estão entrando no casamento com o intuito de que podem se separar. Não tendo a mesma visão dos mais antigos que diziam que "um casamento é para vida toda". Os homens não estão querendo ter mais esta responsabilidade, estão mais olhando para seu ego, para o seu bem prazer.
As pessoas não querem se auto-sacrificar pelo casamento, onde olham como se fosse uma penalidade ser casado, tirando sua liberdade. Não podendo sair mais com os amigos, tomar um refrigerante com colegas do trabalho depois do expediente do serviço, ou mesmo conversar com outra pessoa do sexo oposto sem levantar suspeita, onde seu cônjuge arde em ciúmes.
Podemos ver que o maior obstáculo ao casamento, são as próprias pessoas que são egoístas, e preferem perderem o prazer de estarem casadas com uma pessoa que amam, do que ficarem com elas e procurar solucionar seus problemas, vendo quem está errado, mas, o seu orgulho não permite, sempre quem vai está errada ou errado é a outra pessoa e não ela.
2.6 –     PERIGOS SUTIS
No casamento devemos andar como fosse pisando em ovos, procurando eliminar tudo que pode prejudicar nosso casamento, para evitar uma possível separação. Vemos que um dos obstáculos para que uma pessoa não se casar é o egoísmo, mas também ele é um grande causador de conflitos dentro do lar, chegando ao ponto de provocar separação.
Normalmente o homem é quem é mais egoísta, não descartando as mulheres, mais, no geral é mesmo o homem, ele com o seu censo de machismo, onde ele não deve fazer nada, que todo o serviço do lar é de obrigação exclusiva da mulher e que o homem, não foi feito para fazer estes tipos de serviços. Com o tempo ela vai se desgastando, ficando cada vez mais cansada, mais vulneráveis a ataques nervosos.
E por não bastar a mulher passar o dia lavando, passando, cuidando do almoço, da casa e do menino, e quando chega a noite não sabe como conseguiu, vem o homem no seu ar de ser o homem, quer ter relação com a mulher que literalmente está um "bagaço". Com o passar do tempo este tipo de atitude vai virar um motivo para brigas, discussões e desentendimentos, por a mulher não sentir vontade de ter relação com seu marido.
Com isso, a mulher empurra o homem a adulterar, pois, ele não vai agüentar ficar sem ter relação sexual por muito tempo, e ela acaba também de empurrando a si própria, pois vai encontrar alguém que vai escutar seus problemas, e como se diz: conversa vai, conversa vem, e ela acaba traindo seu marido.

 
3 -    DIVÓRCIO
3.1 -     SIGNIFICADO E ORIGEM DO DIVÓRCIO
Divórcio é uma palavra que tem sua origem do latim, da palavra divortiu, e seu significado é a "dissolução do vínculo matrimonial, ficando os divorciados livres para contraírem novas núpcias" (FERREIRA, 2004) ou simplesmente "separação".
Podemos perceber através de pesquisas arqueológicas, que o divórcio não é uma prática da modernidade, onde os sumérios que habitavam na Mesopotâmia, região que ficava entre os rios Tigre e Eufrates. Onde seus antepassados já se tinham notícias desde o ano de 9.500 a.c (FILHO, 2003).
Os escribas sumérios através dos seus relatos, passaram a descrever os feitos de seus reis, onde se encontravam as leis, a organização dos seus exércitos.
Portanto, através desses escritos milenares é que se tem conhecimento que a prática do divórcio já era difundida entre os povos da antiguidade, pois "o aumento da complexidade da sociedade suméria implicou o crescimento da demanda por leis uniformes que regulassem não apenas as transações comerciais, mas, também, a conduta civil e criminal" (FILHO, 2004, p. 9)
Deste modo podemos ver, que o divórcio não é algo que vem acontecendo recentemente, é algo que desde a muito tempo vem se introduzindo na sociedade. O homem devido sua natureza pecaminosa, vem desobedecendo as ordens de Deus, de que ele não venha se separar de sua mulher, mas que vivam em comunhão constante até que a morte venha a lhe separarem.
3.2 -     AS PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES PARA O DIVÓRCIO
Como era de se esperar, hoje não podemos mais duvidar de nada, como a Bíblia nos diz em 2 Timóteo 3, o homem nos últimos dias passará a ser mais desejoso pelos prazeres carnais do que ter um relacionamento verdadeiro com Deus. A verdade sobre o real motivo para o divórcio é simplesmente o desejo do homem de satisfazer o seu prazer, as justificativas que encontramos é só uma tentativa de esconder o motivo e de se explicar, algo que já sabemos o que é na verdade.
Hoje as pessoas não pensam em um relacionamento duradouro, as meninas não estão mais sonhando em casar e viver feliz para sempre, e muito menos em casar na igreja de véu e grinalda. O que a sociedade vem passando para as crianças que irão ser os adultos no futuro é que o relacionamento é bom enquanto ele durar, se não der certo, se separe.
As pessoas já entram no casamento pensando em se separar, e por essas e outras razões que o casamento da atualidade não estão dando certo.
3.2.1 -    As Justificativas atuais para o divórcio
Hoje é fácil encontrar muitos casais que se separaram por algum motivo, onde a motivação que ocasionou sua separação são diversas, mas, quando olhamos o que provocou o divórcio veremos que a grande maioria foi por motivos insignificantes e fúteis. As pesquisas feitas nesta área chegam a conclusão que durante os anos 70, tinham menos divórcio, e que tinham uma "base real" para que se separassem, como "infidelidade conjugal, negligência no lar, dificuldades financeiras, problemas com a família do cônjuge, violência doméstica" (MORAES, 2003, p. 16). Apesar que esses motivos são apenas um reflexo do estado espiritual de cada indivíduo.
Nos anos 80 as coisas mudaram e se antes considerávamos os motivos insuficientes para alegar o seu divórcio, agora que realmente não existe motivos que possamos dizer qualquer coisas, pois eles passaram a ser simplesmente a "falta de entrosamento, negligência de comunicação do parceiro, ausência de afetividade" (MORAES, 2003, p. 16).
3.2.2 -    Ausência de amor
Em qualquer relação o amor é um pré-requisito incontestável, e principalmente em um relacionamento que envolve um convívio que à principio deve ser duradouro. Na falta do amor o casamento tende-se a si arruinar, conseqüentemente ocasionando o divórcio.
O problema real que provoca a separação não é a falta de amor, e sim, a falta de compreensão do verdadeiro amor. Onde as pessoas esperam que seu casamento seja um amor baseados nos seus sentimentos, e esquece que sentimento não é constante, eles tanto podem aumentar com o passar do tempo como também, por sua vez, podem diminuir, tudo depende das circunstâncias que estão passando. (MORAES, 2003)
Quando nós olhamos o significado do verdadeiro amor, perceberemos que ele não é como o amor sentimental. O amor bíblico é aquele que se entrega totalmente, e que ver o bem da pessoa amada, é um amor sacrificial, como podemos ver no ato de Jesus para com o homem, "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Onde o amor de Deus é demonstrado no ato sacrificial de Cristo morrendo ali na cruz para pagar o preço que o pecado exigia.
O amor verdadeiro é baseado na razão, temos que decidir amar e querer amar nossos cônjuges, e não baseado em meros sentimentos que vão e vem a todos os momentos. Quando nós estamos sobre esta base, nossos casamentos serão durados.
3.2.3 -    Influências dos pais
Muitas das diversas separações que ocorrem é por não observarem corretamente o que as escrituras nos ensinam sobre os casamento em relação aos nossos pais. Encontramos em Gênesis 2.24 o seguinte: "Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne". Vimos que Deus estabeleceu o casamento para a formação de uma nova família e não para permanecer na mesma.
Muitos esquecem desse princípio e ainda continuam com um elo com sua antiga família, onde ele ou ela não cortou o seu cordão umbilical. Deixando que seus pais interfiram no seu casamento, e muitas das vezes tomando decisões que caberia o casal tomar e não seus pais.
O casal deve ter a consciência de que eles são uma nova família e que seus pais continuaram parte da família, mas, agora está família que se inicia é do casal e não do seus pais. Com seu amadurecimento irão resolver problemas sozinhos sem ajuda de seus pais como:
  • Deixar para trás relacionamento de dependência (emocional e financeira);
  • Deixar para trás a autoridade divina dada temporariamente a eles sobre você;
  • Modo de vida controlada e centralizado nos pais;
  • Abandonar os pais como principais confidentes;
  • Apegar-se à responsabilidade total pela vida e decisões
  • Apegar-se à opinião do seu companheiro, critérios e preocupações como os mais importantes; (MORAES, 2003, p. 21).
Quando olharmos este princípio veremos que nossos casamentos vão perdurar por muito e muito anos.
3.3 -     CONSEQÜÊNCIAS PRINCIPAIS DO DIVÓRCIO
Lamentavelmente muitos vêm se desquitando, e cada dia vem sendo com mais freqüência, e quem pensa que a sua separação não vai trazer conseqüências, se engana, pois não traz para o casal, mas para todos que estão ao seu redor e quem sofre realmente com isso são seus filhos.
A vida das pessoas ficam marcadas, e elas são marcas que vão perdurar pelo resto de suas vidas, só o fato que muitos quando tomam a decisão do divórcio, acabam em tribunais e grande partes são turbulentas, onde os filhos tem que passar por esses constrangimentos (FILHO, 2003). Onde podemos ver que ele provoca até problemas na saúde.
O divórcio é o terceiro motivo de stress para as mulheres, perdendo somente para a morte do cônjuge e a do filho. Um dos primeiros problemas que enfrenta a mulher divorciada é a solidão. Muitas negligenciam o convívio social na época do casamento. Quando se separam, se vêem sozinhas, pois, os amigos que tinham eram, na verdade, amigos do marido e pior é quando, além de só, descobrem que estão sem dinheiro. (FILHO, 2003, p. 20)
Fora o que passam os filhos, tendo o constrangimento de se explicar para os seus amigos o que está acontecendo com seus pais. O divórcio é realmente lamentável e que vem apenas para satisfazer o desejo egoísta do homem.

 
4 –     CONSIDERAÇÕES FINAIS
O casamento é uma instituição divina que devemos preservar a qualquer custo, e podemos ver que o divórcio é apenas uma das coisas que já era de se esperar em tempos que o homem procura mais o seu prazer pessoal do que fazer a vontade de Deus.
Devemos lutar, e lembrar que o amor bíblico não é apenas um sentimento que temos que sentir, mas, uma obrigação que Deus nos ordenou, "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5:25), por isso não devemos esperar que o amor acabe, e sim, procurar qual a fonte do verdadeiro amor, que é Deus.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGRIPINO, Jose. Novo Código Civil, Exposição de Motivos e Textos Sancionado, Senado Federal, Brasília, 2004.
ALLEM, Clifton J., Comentário Bíblico Brodmam: Novo Testamento Vol. 8, Rio de Janeiro, Juerp, 1983.
BITTENCOURT, B. P., Problemas de Uma Igreja Local, Rudge Ramos, Publicação da Associação Acadêmica "João Wesley", 1962.
DOCKERY, David S., Manual Bíblico Vida Nova, São Paulo, Vida Nova, 2001
DOUGLAS, J. D., O Novo Dicionário da Bíblia, Vida Nova, 1995
FERREIRA, Aurélio Buaque de Holanda, Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0, 3ª ed. Positivo, s/c , 2004 1 CD
FILHO, Lino Araujo, O Divórcio, Origem, Prática e Conseqüências, Natal, TCC, 2003.
GENEVOIS, M. A.,
O Casamento no Plano de Deus, 3ª Edição, AGIR, 1965.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos. 2001
LANGSTON, A. B., Notas Sobre Ética Prática, Casa Publicadora Batista, Rio, 1954.
MORAES, Walter Simpliciano, O Divórcio à Luz da Biblia, Natal, TCC, 2003.
PRIOR, David, A Mensagem de 1 Coríntios, São Paulo, 1993.
RYRIE, Charles Caldwell, A Bíblia Anotada - Tradução de João Ferreira de Almeida - Versão Revista e Atualizada, São Paulo, Mundo Cristão, 1995
TURNER, Donaldo D., I Epístola aos Coríntios, São Paulo, Imprensa Batista Regular.
WELCH, W. Wilbert, Comportamento Adequado aos Santos, São Paulo, Imprensa Batista Regular, 1985.
WILLIAMS, Morris, Comportamento do Crente, Florida, Vida, 1972.

Missões?! O que eu tenho haver? _ Parte 2




3.    COMO IMPLANTAR MISSÕES NA MINHA IGREJA?
3.1.    RECONHECER A NECESSIDADE DE SE ENVIAR E SUSTENTAR UM MISSIONÁRIO.
Não adianta falar sobre missões e mencionar que é uma ordem de Deus, ou que há várias almas perdidas esperando para que alguém vá e pregue a mensagem do evangelho para elas, se não houver um reconhecimento desta necessidade.
A igreja poderá até dá início sustentando um missionário e este sustento pode durar até certo período, mas ao transcorrer do tempo, aquela chama que queimava por missões logo se extingue, pois não há uma fonte renovável de combustível. O que faz com que as pessoas prossigam em manter missões em suas igrejas é o verdadeiro amor pelas almas perdidas.
Observa este reconhecimento na vida do apóstolo Paulo, pois ele mesmo disse "ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1 Coríntios 9:16e), ele sabia o peso da responsabilidade que existia em suas mãos. O apóstolo reconhecia que era através da pregação do evangelho que as pessoas podiam aceitar a Cristo como salvador, em Romanos 1:14 ele escreveu: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego". Já no capitulo 10.17 tem escrito que: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus". Por isso que ele se sentia responsável pela pregação da palavra de Deus a todos aqueles que não O conheciam. Menciona que era "devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes" (Romanos 1:14), e estava pronto para anunciar o evangelho aonde que fosse.
Todo crente deve ter o mesmo sentimento que havia em Paulo. Deve arder constantemente nos corações o desejo de anunciar a mensagem de Deus, em ver as almas que estavam caminhando para o inferno e agora estão se regozijando na certeza que irão se encontrar com Jesus na glória. Para a realização de missões não "existem fronteiras que possam nos impedir de cumprirmos o ide de Jesus, na realidade a maior fronteira que precisa ser quebrada é a do nosso coração, e essa fronteira atrapalha muito o desempenho da obra." (CORDEIRO, s/a, p. 8). Então, partindo deste pressuposto poderá estabelecer o próximo passo, o de criar um departamento.
3.2.    CRIAR UM DEPARTAMENTO DE MISSÃO.
3.2.1.    Atribuições do departamento
Em um departamento de missões existem pelos menos 15 obrigações referentes aos seus membros. Os membros que compõem o departamento tem que (1) direcionar a Igreja em todo processo referente à Obra Missionária. Deve (2) verificar, Direcionar e supervisionar todos os programas referentes missões de acordo com as convicções da Igreja.
Eles vão Ajudar aos (3) novos membros da Igreja a reconhecerem sua responsabilidade dentro do programa de missões.(4) Manter a comunicação permanente entre a Igreja e os Missionários, isso pode ser feito através de cartas, e-mails, telefonemas, incentivando-o a prosseguir. Hoje temos a facilidade do MSN, Skype e outros, onde faz o elo igreja-missionário. Mas, também mobilizar os demais membros da igreja para que façam o mesmo. Quando o missionário se encontra longe da sua pátria, sente necessidade de manter viva a comunhão com os que ficaram na retaguarda.
Estar constantemente fazendo (5) menções dos missionários perante a igreja para que intensifique as orações ao seu favor. (6) estar Expondo no quadro de missões materiais de incentivo, tais como: cartas, fotos, boletins, artigo de jornais ou revistas missionárias. (7) Fazer a leitura de cartas Missionárias à Igreja.
(8) Verificar junto aos Missionários suas necessidades mais urgentes. (9) Verificar anualmente o Orçamento Financeiro, fazendo as correções salariais dentro das possibilidades e das circunstâncias do momento. (10) Cuidar junto com o Pastor para planejar as Conferências Missionárias da Igreja.
(11) Cuidar do processo total de renovação de Promessas de Fé, levando a igreja a trabalhar com alvos espirituais e financeiros bem definidos, pois ajudarão na avaliação dos resultados. Cada alvo atingido deve ser renovado e ampliado pela fé. Não se deve trabalhar com mais de dois alvos por mês.
(12) Agendar visitas dos futuros Candidatos à Igreja. (13) Cuidar junto à Igreja da estadia, alimentação dos Missionários durante sua visita a Igreja.
(14) Consultar atentamente o "Manual de Missões" a fim de conhecer bem sua responsabilidade. (15) Sabatinar os Candidatos ao quadro Missionário da Igreja.
3.2.2.    Quais devem ser os primeiro passos?
Acima de tudo o primeiro passo é oração, ela deve ser constante nesta comissão, mesmo depois de ser formada, a oração nunca deve ficar a parte. O segundo passo é estruturar a parte logística do departamento, dando-lhe tudo o que lhe é necessário.
3.2.3.    A logística do Departamento
O departamento de missões é essencial por uma questão de promoção, organização e administração de recursos. O departamento é muito importante, pois levará, não somente um grupo, mas toda a igreja a entender o seu papel e responsabilidade em missões. Alguns passos práticos e objetivos são necessários para alcançarmos um trabalho eficaz, e desenvolvimento da obra.
(1) Quem são as pessoas que podem servir no departamento de missões? Dada à importância do assunto, o pastor fará bem se orar e pedir a orientação de Deus na escolha das pessoas certas. Deus conhece os corações, enquanto o homem vê somente o exterior (1 Samuel 16.17). São escolhidas pessoas responsáveis, sinceras, não gananciosas, ou irrepreensíveis. É necessário eleger pessoas comprometidas, que tenham qualidades e sejam cheias do Espírito Santo. (Êxodo 18.21-22 Atos 6.3)
(2) Qual será o espaço físico a ser ocupado pelo departamento de missões? Alguns pastores tem uma visão que para o departamento de missões qualquer lugar serve, mas isso vai depender de cada caso. Por exemplo, se uma igreja for pequena e não tem condições de ter uma sala especifica para missões, então pode ser usada à sala da secretária para seu uso. Por sua vez, se a igreja já possui um porte, e possui salas disponíveis, nada melhor do que ceder uma delas para manter um espaço específico só para missões, onde serão feitas reuniões, planejamentos e discursões sobre o andamento da obra na igreja.
(3) Providenciar recursos técnicos, tais como: Computador, móveis, papéis, arquivos e uma pequena livraria com literaturas voltadas somente para missões. Geralmente, todos os recursos estão disponíveis aos membros da igreja, basta conscientiza-los e leva-los a ver missões como prioridade de Deus em suas vidas. Deus dará o melhor para quem der o melhor para Ele.
3.2.3.    Composição do Departamento
Como foi dito, a oração deve estar constante nesta comissão, por isso que tem uma (1) Comissão de Oração e Promoção que (a) levará aos irmãos a orar por missões, pelos missionários, pelos campos, por mantenedores etc. Conhecendo as necessidades, muitos sentirão o desejo de orar por missões espontaneamente. (b) Marcar reuniões de oração ou separar um período antes do culto para orar. Uma boa idéia é usar o livro Intercessão Mundial, que traz diariamente um país e suas necessidades; no fim do ano, a igreja terá intercedido por todos os países de forma objetiva. (c) O grupo deve Despertar e desenvolver um forte movimento de oração pró-missões na igreja e nos lares. O alvo é mobilizar toda a igreja para declarar guerra contra as trevas e orar com compromisso. Organizar grupos de oração com disciplina e participação. Prover informações das necessidades locais e mundiais. Promover novas estratégias para impactar a igreja local. Realizar apresentações missionárias, jograis, cantatas, hinos especiais, peças teatrais etc. Manter contato com missionários de campo e com os que estiverem em treinamento, a fim de orar e realimentar a igreja com informações.
(2) Comissão de Educação Missionária, esta comissão (a) promove cultos missionários, seminários, cursos e outras atividades similares para o departamento e para a igreja. (b) Ela Motiva os irmãos a lerem a Bíblia e livros, enfatizando a importância de se adquirir conhecimento. Os livros devem estar disponíveis para os que os solicitarem, ela também organiza a biblioteca missionária, buscando literaturas através de compras de livros novos, incentivando a doação. Os materiais podem ser emprestados, ela tem a finalidade de que todos tenham participado da leitura. (c) A comissão deve prover materiais e informações para a Comissão de Oração e Promoção. Os participantes devem organizar um boletim informativo contendo mensagens mostrando base bíblica para missões, projetos missionários, costumes e culturas de diferentes povos e tudo o que for necessário para despertar o interesse de todos.
A (3)Comissão de Finanças tem por finalidade (a)administrar as entradas e saídas de dinheiro. Isto é realizado com o aval do pastor e do coordenador. Ela vai (b) Promover, mobilizar e criar novos meios de arrecadação de recursos como, por exemplo, compromisso (oferta) de Fé; Oferta Mensal; Oferta Anual, etc.. Ela vai fazer o canal (c) do envio do sustento do missionário e (d) prestar conta para o Pastor e a igreja.
Por fim temos (4) a Comissão de Apoio, ela vai (a)organizar os programas missionários: cantinas, bazares, decoração, hospedagem, alimentação etc. dá (b) apoio as atividades das demais comissões, quando necessário. Em evento de grande porte, caso faltem os voluntários para a organização, transporte, limpeza etc., a Comissão de Apoio deve assessorar todos os eventos. Ele que alista voluntários com antecedência. (c)Ela deve auxiliar todos os missionários que voltam do campo providenciando moradia ou hospedagem para os mesmos.
Quando as pessoas despertam para o desenvolvimento de um departamento de missões em suas igrejas, verão que ao agir desta forma o trabalho de missões fluirá de tal forma, que muitos despertarão para esta tão gloriosa obra, e muitos missionários seja no campo ou na igreja terá um despertar para o evangelismo e discipulado local e o crescimento da igreja.

25 abril 2012

Dia

Dia

Neste assunto existem quatro ponto de vistas envolvidos, pós, há aqueles que não acreditam na interpretação literal da bíblia no que se refere a criação de Deus em seis dias. Surgindo assim esses quatro pontos de vista, serão encontrados (1) aqueles que acreditam que o dia ali descrito é realmente literal, dia com o significado de tempo com 24 horas de duração, depois (2) os que acreditam em dia sendo como era, para facilitar sua teoria da era geológica; porém, ainda são encontradas pessoas (3) que acreditam em dias solares, mas, com um intervalo de tempo entre eles, não seguindo um dia após o outro, por fim (4) aqueles que acreditam em dia como sendo revelação, dizendo que o dia não tem nada haver com a criação de Deus, mas, com a revelação divina dessa questão a Moisés.

Eis alguns argumentos em favor de que a palavra "dia" tem o seu significado literal de um período de tempo de 24 horas

(1) Geralmente quando a palavra "dia" é utilizada no Pentateuco indica um período que é compreendido de 24 horas de um e outro alvorecer,

(2) E na frase que diz: "houve tarde e manhã" onde é uma expressão dos hebreus para se referir um período de tempo de 24 horas, para os hebreus o dia era considerado do entardecer a outro entardecer, restringido o significado da palavra "dia" a um período de 24 horas.

(3) Notemos as palavras "primeiro, segundo e terceiro," etc, pois de acordo com o Dr. Raymond Surburg, em seu livro "Darwin, Criação e Evolução," a palavra "dia" é usada 1.480 vezes no Antigo Testamento. Sempre que ela é usada com um numero, ela designa um período de 24 horas.

(4) Em Gênesis 1:4 lemos que o sol, a lua e as estrelas foram criados para designar dias, estações e anos.

(5) Podemos também encontra em Êxodo 20:11e 31:17 declarando que Deus criou o mundo em 6 "dias" literais com 24 horas,

Pr. Anderson Roque Gouveia

24 abril 2012

Uma Análise Física da Arca de Noé


INTRODUÇÃO
Quando se vai falar sobre a Arca de Noé, se entra um leque de argumentos a respeito deste assunto. Todo mundo sabe de um modo geral, que Deus ordenou a Noé a construir a arca, com um propósito de destruir a iniqüidade que havia instaurado sobre a Terra aproximadamente há 4.000 anos atrás. Onde pode ser visto que muitos entram em contradições a respeito do período de duração do dilúvio, mas, pouco se observa sobre a ordenança de Deus para Noé. Em Gênesis 6.13-21 o Senhor disse a Noé para construir a arca, por isso, será abordado neste material de forma superficial a ordem de Deus para Noé, fazendo uma análise física da Arca, vendo os possíveis materiais que ele utilizou para construí-la.
1.–    Uma análise do Material utilizado na Arca.
1.1-    Madeira de "Cipreste"
É percebível que há muita divergência sobre qual seria a espécie de árvore que Noé utilizou para construir a Arca, pois só se encontra esse tipo de árvore apenas em Gênesis 6.14, e isso dificulta ainda mais a possibilidade de identificá-la. Champlin alega que, muito dos autores judeus acreditam que a madeira descrita como "cipreste" em Gênesis 6.14, pode ser considerada como a madeira que conhecemos por "Cedro", mas, ainda têm outros que crêem que pode ser o "pinheiro", o "Abeto", "Plátano" Indiano ou o "Cipreste" (devido que no hebraico o som do nome da madeira se assemelha ao do "Cipreste") será tomado por base a árvore que é conhecida como Cipreste devido sua características.
A árvore que é conhecida por Cipreste tem uma nomenclatura cientifica de: Cupressus glauca Lam. (Sin.Cupressus lusitanica Mill.) pertencente à família Cupressaceae. Chamada vulgarmente no Brasil por árvore-da-vida, cedro-do-bussaco, cedro-português e cipreste. Sendo uma madeira xerófila, isso nos dar a entender que ela possui uma resistência à seca e por sua vez o cipreste também possui certa tolerância ao frio e a geada. O cipreste também é moderadamente heliófilo, conseguindo se adaptar em solos calcários. O cipreste cresce em quase todo tipo de solo, menos em solos encharcados, rochosos, ácidos e superficiais, ele pode chegar de 15 a 30 metros de altura.
O Cipreste possui uma madeira muito fina e aromática, sendo muito apreciada para a fabricação de instrumento de cordas e tendo diferentes usos e utilidades tecnológicas, ela mostra ter uma durabilidade natural contra todos os agentes de degradação, variações dimensionais são muito reduzidas, e possui uma dureza e resistência similar às outras madeiras semi-duras, tendo um grão fino e acabamento de qualidade.
Avaliando a madeira do Cipreste pelas propriedades mecânicas que ela possui, podemos perceber que:
Os valores médios da densidade seca, verde, básica e aparente foram de 0,45, 1,14, 0,41 e 0,51 g/cm³, respectivamente..., o cipreste estudado é considerado madeira leve, cuja densidade básica média foi inferior a 0,50 g/cm³. ..., também apresentaram densidade básica média de 0,389 a 0,391 g/cm³ para a mesma espécie com 11 anos de idade. Conforme citado em IBAMA (1997), a madeira de cipreste é de baixa contração volumétrica, menor do que 11,5%. Em relação às contrações lineares a madeira de cipreste apresentou uma razão média CT/CR de 1,6 e conforme Silva (2001), ... . Os resultados das propriedades mecânicas, nas condições verde e seca a 12% de teor de umidade,... . No geral, os valores de propriedades mecânicas estão bem homogêneos entre as árvores...
Em resumo podemos dizer que a madeira de Cipreste é uma madeira leve, fácil de ser transportada, fácil de ser trabalhada, pois ela apresenta na sua "secagem convencional, pequena tendência ao encurvamento" , Facilitando assim o manejo para a construção da arca. A madeira de Cipreste é utilizada em construções leves, em fabricações de móveis ou painéis e até em embarcações. O cipreste possui uma resistência natural aos ataques de microorganismo, entre eles o fungo de podridão e tendo uma boa durabilidade.
1.2-    Betume
O nome betume é designado a toda substância natural combustível composta de hidrocarbonetos, podendo ser Sólidos que são chamados de asfalto, Líquidos chamados de Petróleo e Gasosos chamados de gás natural.
A sua origem ocorreu num determinado período da história da Terra, quando uma grande quantidade de matéria orgânica (organismos vegetais e animais) foi submersa ou depositada no fundo dos mares e lagos numa determinada profundidade onde não há oxigênio. Os organismos que vivem nessa profundidade retiram do material submerso o oxigênio necessário para sobreviverem, deixando substâncias ricas em hidrogênio e carbono (hidrocarbonetos). Com o passar do tempo pela ação do empilhamento de camadas devido erosão, esses depósitos orgânicos sofreram reações termoquímicas e transformaram-se em óleo e gás.
Já no dicionário Aurélio, podemos encontrar outra definição do betume como uma "Mistura líquida, sólida ou semi-sólida de hidrocarbonetos, solúvel em solventes orgânicos, natural ou obtida em processo de destilação; pez mineral" , e no hebraico vem da palavra rpk
kopher que pode significar: "(1) preço de uma vida, (2) resgate, (3) asfalto" .
Deus quando mandou Noé construir a arca, ele disse para que a calafetasse tanto por dentro como por fora, ou seja, ia fazer uma vedação com o betume, pois o betume tem uma propriedade de impermeabilizante, o qual faz a vedação da arca. Noé não teria problema em encontrar a quantidade necessária para as dimensões gigantescas da arca, pois, o betume é encontrado facilmente nas regiões do antigo crescente do Mar Morto, onde grandes massas de betume flutuando no Mar Morto e era encontrado abundantemente na Babilônia.
Betume calafetado por fora da arca protege a todas as pessoas que estão dentro da arca do juízo de Deus, fazendo com que a água não penetre. E o betume calafetado por dentro da arca não era precisamente para proteger para que a água não penetrasse, se não, que tinha a função de dar tranqüilidade àqueles que estavam dentro da arca preocupados pensando:
2–     Uma análise das Medidas da Arca.
2.1-    Côvado
Quando nós lemos a palavra de Deus referente à construção da Arca de Noé, muitas vezes nos pegamos tentando imaginar a magnitude que foi o seu tamanho, e ela usa uma medida onde se descreve de "Côvado", onde no geral é a medida do cotovelo do homem até a ponta do seu dedo médio, nós podemos encontrar duas variações principais do tamanho em centímetros do côvado, temos principalmente 44,5 centímetro, 52,4 centímetros e 65 centímetros
O côvado é uma unidade de medida muito antiga, sabe-se que os egípcios por volta de 3000 a.C., eles subdividiram o côvado em submúltiplos básicos que chamaram de "dígito", onde o nome nos sugere da largura de um dedo. Os egípcios tinham um bloco de granito negro que usavam como padrão para o côvado, onde tinha 28 dígitos. De acordo com o que foi encontrado nos hieróglifos, a padronização do côvado se deve ao faraó Anemenés I, onde reinou entre 1991 e 1962 a.C. está padronização ao qual fizeram tinha uma precisão que depois de 4.500 anos depois da construção da pirâmide de Quéops, os seus lados tiveram uma variação de apenas 0,05 por cento da largura média que é de 230 metros
2.2-    Tamanho da Arca
Deus instruiu a Noé de como ele iria construir a arca dando-lhe as medidas que precisaria para construí-la. Estas medidas podem ser encontradas no livro de Gênesis que diz: "Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, a largura; e a altura, de trinta
2.2.1 – Côvado com 44,5 cm
Com a base nessas medidas e tendo o côvado com um valor de 44,5 centímetros encontraremos suas dimensões aproximadamente com 133,5 metros de comprimento, por 22,3 metros de largura, por 13,40 metros de altura. Isto daria à arca cerca de 40 mil m³ de volume bruto. Internamente, seus 3 convés forneceriam uma área total de mais de 8 900 m² de espaço útil.
2.2.2 – Côvado com 52,4 cm
Se basearmos o côvado com 52,4 centímetros vamos encontrar suas dimensões aproximadamente com 157,2 metros de comprimento, por 26,26 metros de largura, por 15,78 metros de altura. Isto daria à arca cerca de 47,1 mil m³ de volume bruto. Internamente, seus 3 convés forneceriam uma área total de mais de 10 480 m² de espaço útil.
2.2.3 – Côvado com 65 cm
Caso nos baseássemos no côvado com 65 centímetros iríamos ter as suas dimensões aproximadamente com 195 metros de comprimento, por 32,57 metros de largura, por 19,57 metros de altura. Isto daria à arca cerca de 58,4 mil m³ de volume bruto. Internamente, seus 3 convés forneceriam uma área total de mais de 13 000 m² de espaço útil.
3–     Uma análise da Capacidade da Arca.
Apesar de alguns acreditarem que a arca deveria ser 40 metros mais comprida do que a construída por Noé, fazendo cálculos, eles dizem chegar a uma aproximação do que seriam necessários para suportar a quantidade de animais existentes, sendo em torno de 23.600 espécies, dando um total de 47.200 animais, já outros como:
"Jan Lever, professor de Geologia na Free University em Armsterdã, de que a expressão "sete de cada" em GN 7:2,3 significa, na verdade, 14 pares. Ele afirma que atualmente existem 15.000 espécies de pássaros; isso significa que 210.000 pássaros teriam de ter sido colocados na Arca. Morris e Whitcomb argumentam que pode ter havido apenas 8.600 espécies de pássaros; e que a expressão "sete de cada" é uma referência apenas a animais considerados cerimonialmente limpos e que havia muitos animais impuros a bordo."
Morris e Whitcomb fez uma lista da possibilidade dos animais que estavam dentro da arca, excluindo os animais que eram marinhos e agrupando os outros, podemos ver que eles encontraram em torno de 35.000 espécies de animais, chegando a seguinte conclusão:
Considerando o tamanho médio dos animais como sendo do tamanho de uma ovelha, eles calcularam que 240 animais poderiam ter sido abrigados em um espaço do tamanho de um vagão de trem. A Arca, por sua vez, tinha espaço suficiente para abrigar o conteúdo de 522 vagões. Assim sendo, seriam necessários apenas 146 vagões para comportar todas as 35.000 variedades de animais, deixando dois terços da Arca para armazenamento de comida, água, etc
Agora podemos dizer que temos um pequeno e grande problema! Como é que Noé iria tomar de conta de tantos animais, dar de comer e dar de beber? Alguns acreditam que o Senhor tenha colocado certos animais em um estado de hibernação, tendo assim certa redução na quantidade de animais para cuidar, e os que hibernaram teriam seus cuidados reduzidos. 
4 –    Uma análise da Possibilidade de como foi construída a Arca
Quando lemos em Gênesis a ordem de Deus a Noé para construir a arca, Deus deu todas as informações que ele iria precisar para construí-la. Deus deu as medidas tanto da altura, como largura e comprimento, o suficiente para que ele pudesse planejar e se organizar para ver como iria construir a arca.
Em primeiro lugar ele teria de conseguir o material para construção, vimos que a madeira que ele utilizou foi a de Cipreste, devido sua madeira ser leve facilitando o seu transporte de onde foi retirada para o local que seria trabalhada. Sua madeira também era de baixa densidade, fazendo com que tivesse a certeza que ela iria flutuar e não teria perigo de afundar.
A Madeira por ter uma tendência natural ao encurvamento, dando a Noé uma facilidade a mais para a construção da Arca. Onde apenas podemos supor que a montagem da arca poderia ser feita com tábuas uma após outra, fixada com pinos feitos com a própria madeira, e revestida com o betume e talvez com uma substância que a base dela é a serragem, fazendo uma vedação extra.
Conclusão
Concluímos apenas confirmando o que nós já sabemos e acreditamos apesar de muitos crerem que a arca não foi uma estrutura de uma magnitude que aos nossos olhos poderíamos alegar que para um simples homem, com pouca ajuda, poderia ter construído tal obra magnífica. Mas temos que lembrar que tal obra não é de um homem, mas, sim de Deus, o qual deu todas as condições possíveis para Noé construir a arca.
Referências Bibliográfica
BALSINGER, Dave e Charles E. Secher Jr. Em Busca da Arca de Noé, Rio, Recorde, 1976.
CHAMPLIN, Russell Normam, O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo Vol. I, São Paulo, Hagnos, 2001.
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Arquivo retirado da pág. web http://www.espirito.org.br/portal/ download/pdf/ese/glossario.pdf acessado em 27/09/07
Arquivo retirado da pág. web http://pt.wikipedia.org/wiki/Arca_de_Noé acessado em 27/09/07

 
Pr. Anderson Roque Gouveia

Aliança Noética

Aliança Noética

Esta aliança pode ser encontrada no capitulo nove do livro de Gênesis, onde se ver de um modo tão claro. O qual nos chama a atenção para o fato de não ter a menor ligação com um acordo firmado entre duas partes (nos pensamentos modernos).

A palavra-chave no contexto é "Eis que estabeleço a minha aliança convosco, e com a vossa descendência", pode ser visto que as características dessa afirmação são: (1) Quem estabeleceu a aliança foi o próprio Deus consigo mesmo. (2) Foi uma aliança universal que não apenas incluía a Noé e sua descendência, mas, a todo ser vivente. (3) Ela é uma aliança incondicional, ou seja, não há requisitos ou uma condição para que Deus cumpra com ela. (4) O monergismo divino é intensamente exibido nessa aliança, não havendo nenhuma contribuição do homem nesta aliança. O sinal que Deus colocou nos céus entre as nuvens, o arco-íris, tem como proposito exclusivo de demonstrar a fidelidade de Deus, trazendo a memória de Deus a promessa envolvida nessa aliança. (5) Ela é eterna e correlativa a seu caráter unilateral e ao monagismo divino. Nesta aliança não há incerteza ou mutabilidade, pois ela é incondicional. A aliança Noética é uma administração soberana da graça e da magnanimidade, divina tanto em sua origem como em sua revelação, confirmação e cumprimento.

Pr. Anderson Roque Gouveia

19 outubro 2011

Missões?! Parte 1

1. INTRODUÇÃO

Infelizmente nos dias atuais as pessoas não estão tendo uma visão do que seja fazer missões. Uma igreja missionária é mais do que enviar uma pessoa para o campo e ficar mandando mensalmente uma oferta para seu sustento. Segundo a visão de J. Andrew Kirk "a Igreja é missionária pôr natureza a ponto de que, se ela deixa de ser missionária, ela não tem simplesmente falhado em uma de suas tarefas, ela deixa de ser Igreja." (FRANÇA, 2011).De certa maneira ele tem razão, a igreja existe para pregar a palavra de Deus, não apenas na localidade em que si encontra, mas deve ir até os confins da terra (Atos. 1.8).

Missões deve está no coração da igreja, pois é a sua missão, ou seja, a missão da igreja é fazer missões, Stott menciona que a "Missão, antes de tudo, significa tudo aquilo que a Igreja é enviada ao mundo para fazer."(FRANÇA, 2011). Quando se relaciona as obrigações principais da igreja, ela sem dúvida é para está no topo da lista. Muitos se iludem e acabam colocando coisas banais como uma prioridade, como por exemplo, certa igreja cortou o sustento de um missionário alegando que estavam passando por uma dificuldade financeira e não teria condições de mantê-lo. Com pouco tempo o missionário descobriu qual era a dificuldade que a igreja estava passando, ela tinha contratado uma empresa de construção para reformar o templo, colocando o material como prioridade. Ramon Lull um espanhol, nascido em Majorca, disse que "A missão ao mundo não-cristão, pensava ele, devia ser primeiro interesse de toda a Igreja" (FOSTER, 1961, p. 42).

A missão deve ser levada a sério, ela precisa está no foco da igreja, por isso será abordado o que seja missão para ver sua definição. Também será visto como implantar missão na igreja local, visando uma organização no departamento de missões e por fim, o que eu posso fazer por missões, dando a ênfase na dedicação pessoal a este ministério.

2. O QUE É MISSÃO?

2.1. ALGUMAS ESTATÍSTICAS.

2.1.1- Indígenas

Atualmente existe cerca de 147 etnias que ainda não há nenhuma presença de qualquer tipo de missionários, sendo destas 97 são conhecidas, 27 são isoladas e 25 que ainda faltam ser pesquisadas.(SOMA, 2010)

Esta pesquisa foi coordenada pelo antropólogo e pastor Ronaldo Lidório, onde também indica que:

a Igreja Indígena está presente, em diferentes níveis de representação, em 150 etnias, possuindo igreja local com liderança própria em 51 e sem liderança própria em 99. A presença missionária evangélica se encontra em 182 etnias indígenas, representando mais de 30 agências missionárias evangélicas e quase 100 diferentes denominações. Em 165 destas etnias há programas e projetos sociais coordenados por missionários evangélicos. Destas, 92 possuem um programa social ativo, 54 possuem dois programas sociais ativos, e 19 possuem 3 ou mais programas perfazendo 257 programas e projetos com ênfase nas áreas de educação (análise linguística, registro, letramento, publicações locais e tradução), saúde (assistência básica, primeiros socorros e clínicas médicas), subsistência e sociocultural (valorização cultural, promoção da cidadania, mercado justo e inclusão social. (SOMA, 2010)

Existem em torno de 16 seminários e cursos bíblicos no Brasil voltado para o preparo de missionário para o trabalho indígena e ainda mais três movimentos nacionais que estão atuando nesta área, o (1) Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI); a (2) Associação de Mulheres Evangélicas Indígenas (AMEI) e a (3) Associação Indígena de Tradutores Evangélicos (AITE). (SOMA, 2010)

Encontramos que "dentre as 182 etnias com presença missionária evangélica, 132 possuem indígenas evangélicos e 50 não possuem." (LIDÓRIO, 2010, p. 5) E que é de suma importância sabermos que destas 37 etnias vivem com risco de extinção, pois em alguns casos a população é inferior a 35 pessoas, e com a limitação do acesso a assistência de saúde, os conflitos e dispersão, são as causas principais no processo de extinção de um grupo. (LIDÓRIO, 2010).

Podemos considerar que existem 181 línguas indígenas no Brasil, mesmo que ajam discussões e estudos ainda inconclusivos sobre várias delas, hoje:

Em 54 línguas há programas de análise linguística e letramento em andamento, sob iniciativa evangélica. Em 31 destas línguas há também programas de tradução bíblica em andamento. No momento contamos com 58 línguas que possuem porções bíblicas, o Novo Testamento ou a Bíblia completa em seu próprio idioma, material este que serve a 66 etnias.

Em 3 línguas há a Bíblia completa (que serve a 7 etnias); em 32 há o Novo Testamento completo (que serve a 36 etnias) e em 23 há porções bíblicas, que servem ao mesmo número de etnias.

Há 10 línguas com clara necessidade de tradução bíblica, 28 com necessidade de um projeto especial de tradução com base na oralidade e 31 com situação ainda indefinida, a avaliar. Estas 31 línguas a avaliar são faladas por 59 etnias. Tanto as línguas com necessidade de projetos de tradução quanto aquelas com necessidade de um projeto especial de oralidade possuem pouquíssima possibilidade de compreensão do Evangelho em alguma outra língua, por outros meios de comunicação ou outros grupos próximos.

Há cerca de 132 etnias indígenas que falam o Português. 66 destas etnias falam somente o Português e 66 são bilíngues ou trilíngues com o Português. 48 destas 132 etnias manifestam a necessidade de uma nova versão da Bíblia em Português, que facilite o seu entendimento. Este assunto estará sendo alvo de maiores pesquisas e se avalia a possibilidade de desenvolvimento de um material oral para esta finalidade.

Com isso se vê a necessidade extremamente grande de se investir em missões! Há um grande desafio, mas estas pessoas só poderão conhecer a Cristo se alguém for desafiada a ir ou pelo menos manter aqueles que Deus separou para esta tão maravilhosa obra.

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! (Romanos 10.13-15)

2.1.1- Não Indígenas

A população total do Brasil é de 190.732.694, a do Nordeste é de 53.078.137 e a do Rio Grande do Norte 3.168.027, o estado teve um aumento de 14,09%, o seu crescimento foi maior do que a média nacional que foi de 12,33%. (ZAULI, 2010)

Uma pesquisa mostra que 6.86% da população do Rio Grande do Norte não possui religião, 73,98% se dizem católicos. 11,34% alegam ser pentecostais e 4,27% participam de alguma igreja evangélica não pentecostal e outras religiões totalizam 3,55% da população norte rio-grandense. (NERI, 2011),

A intenção de trazer esses números é para não desfocalizar a real missão da igreja, o de transmitir as boas novas aonde quer que seja. Quando se olha para Atos 1.8 que Diz: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. "Este versículo é um resumo de todo o livro de Atos, pode ser visto o percurso dos discípulos por todo o livro, em Jerusalém cobre os capítulos 1-7; em toda a Judéia e Samaria cobre os capítulos 8:1 - 11:18; e aos confins da terra vai de 11:19 até o final do livro.

2.2. O QUE É MISSÕES

Quando as pessoas estão pensando em missões, devem se lembrar de que isso pesa sobre os seus ombros, pois é uma grande responsabilidade e privilégio de serem usados por Cristo na transmissão das boas novas para humanidade. Privilégio tal, que em 1 Pedro 1.12 mostra que os anjos estão anelando em fazer, mas não podem desfrutar desta honra, porquanto foi conferido apenas aos embaixadores de Cristo na terra. (CORDEIRO, s/a)

George Peters diz que missões é o envio de pessoas que foram autorizadas pela igreja a irem além de suas fronteiras e influenciando-as para proclamar o evangelho; para ganhar convertidos sem religião ou de outras religiões para Jesus Cristo, estabelecendo congregações locais que funcionem e se multipliquem, dando frutos cristãos naquela comunidade e naquele país (MORAES, 2006).

Champlin mostra a necessidade de pregar o evangelho de Deus para que as pessoas virem discípulos de Cristo, ele diz que:

O fazer discípulos envolve, em primeiro lugar, a necessidade do evangelismo ou da pregação do evangelho; mas também subentende um exercício de treinamento e orientação, de forma que esses discípulos sejam melhor firmados e instruídos na plenitude da mensagem das Escrituras Sagradas. (CHAMPLIN, 2001, p. 654, v. 1)

Missão nada mais é do que pregar a palavra de Deus para aqueles que não a conhecem, e para isto temos que proclamar as boas novas. Existem pessoas dizendo que missões não é evangelismo, mas por outro lado o que seria de missões se não houvesse o evangelismo. O objetivo de missões não é evangelizar os povos não alcançados? Atos 1.8 diz: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra". a Missão se inicia pela nossa localidade, depois a comunidade, para então irmos além das nossas fronteiras. Orivaldo Pimentel Júnior Lopes da uma descrição do que é missão, ele diz que:

MISSÃO é o cumprimento da vontade de Deus para a igreja em termos de evangelização, ação social, adoração e edificação no contexto social imediato onde se acha inserida. MISSÕES é o cumprimento de todas essas coisas em outro contexto, isso é, ocorre a obra de missões quando a igreja tem que transpor uma fronteira para cumprir sua missão.

Missões é parte integral da missão, de modo que não se pode falar sobre um conceito sem se pensar no outro. A igreja que não realiza "missões" não está cumprindo sua missão. (LOPES, 2011)

Por sua vez, Wal Cordeiro entende que missão vai muito além de uma simples conferência missionária, é a dedicação pessoal constante a este ministério, ele diz que:

missões é mais do que realizarmos uma conferência missionária uma vez por ano em nossas igrejas. É saber que existe uma grande massa de pessoas que precisa ser evangelizada. Que precisa ser discipulada, e este envolvimento deve ser sempre, o ano inteiro. Missões é se envolver de corpo e alma no maior projeto de vida estabelecido pelo próprio Senhor Jesus Cristo. É ter a consciência que Deus nos chamou para esse projeto tão espetacular e a Sua palavra nos garante esse chamado. (CORDEIRO, s/a, p. 5)

Com isso podemos dizer que missão é:

2.2.1. É o plano de Deus:

Desde antes do principio, Deus na sua soberania já sabia que o homem iria pecar. Então na sua graça e misericórdia, preparou de antemão o plano para salvação do homem. Neste plano, Deus revela o conteúdo de sua obra missionária, anunciando ao mundo o Evangelho de salvação para os perdidos (Gênesis 3:15; Apocalipse 13:8; Efésios 1:4; 1 Timóteo 1:9; 1Pedro 1:19-20). (IDÉIA, 2011)

2.2.2. É a ordem de Jesus:

Já sabemos que missão estava dentro do plano divino da salvação, tanto que Deus O enviou ao mundo para que ele morresse pelos nossos pecados. Jesus cumpriu com seu papel e deixou um legado para que seguíssemos, deixou uma ordem para que obedecêssemos, deixou a grande comissão registrada em Mateus e Marcos, em Mateus diz: "Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." (Mateus 28:19-20). Já em Marcos diz: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15).

Este foi um dos principais mandamentos de Jesus registrado nas Escrituras, a nossa obrigação de fazer missões (Marcos 16:15; Mateus 28:19-20). Antes da ascensão, sua última ordem foi: "Ide por todo o mundo". (Marcos 16:15)

Barclay comentando este versículo ele mostra que o grande interesse da igreja reside em saber qual é o seu dever. Ele mostra que a Igreja tinha certas tarefas que Jesus lhe tinha encarregado.

(1) A Igreja tem a tarefa de pregar. É dever da Igreja, e isto quer dizer de cada cristão, contar a história das boas novas de Jesus àqueles que nunca a ouviram. O dever do cristão é ser arauto de Jesus Cristo.

(2) A Igreja tem uma tarefa curadora. Vimos este fato uma e outra vez. O cristianismo tem que ver com o corpo dos homens tanto como com sua mente. Jesus quis trazer saúde ao corpo e à alma.

(3) A Igreja era uma Igreja de poder. Não precisamos tomar tudo literalmente. Não precisamos acreditar que o cristão tem que ter literalmente o poder de levantar víboras venenosas e beber líquidos venenosos sem correr perigo. Mas no fundo desta linguagem pitoresca está a convicção de que o cristão está imbuído de um poder para enfrentar a vida e lidar com ela que outros não têm nem podem ter.

(4) A Igreja nunca seria deixada sozinha para trabalhar na realização de sua obra. Cristo sempre opera com ela e nela e por meio dela. O Senhor da Igreja está ainda nela e é ainda o Senhor de poder.

E assim termina o Evangelho com a mensagem de que a vida cristã é a vida vivida na presença e no poder daquele que foi crucificado e ressuscitou. (BARCLAY, 2010, p. 360)

2.2.3. É a obra do Espírito Santo:

O Espírito Santo habita em todo aquele que foi redimido dando-lhes a capacidade necessária para o desenvolvimento da obra de Deus. Encontramos em 1 Coríntios 12:4 dizendo que "há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo."(1 Coríntios 12:4) e no verso 11 diz que é "o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer". (1 Coríntios 12:11).

É só através da capacitação do Espirito Santo que o homem pode fazer alguma coisa, principalmente a obra missionária, pois se o Espirito não for com ele no seu trabalho, tudo o que fizer será em vão, sem mencionar que é Ele quem convence o homem do pecado, do juízo e da Justiça de Deus e não o homem (João 16:8).

2.2.4. É dever da Igreja:

Como foi visto, Jesus não deixou a responsabilidade de se pregar as boas novas para nenhuma instituição humana, não deixou aos anjos que por suas vez anelam a fazê-lo (1 Pedro 1.12). Mas, esta obrigação foi incumbida a Igreja (Mateus 28:20; Jô 15:16; 17:18-20).

2.2.5. É responsabilidade de cada cristão:

Nem é preciso mencionar este peso que recai sobre os ombros de cada crente, pois cada cristão tem a responsabilidade de anunciar a palavra de Deus (1 Coríntios 9:16) quanto mais apoiar a obra missionária com oração. (Romanos 15:30; Efésios 6:18-20; Colossenses 4:2-4); com contribuição (Filemon 4:10-20; 2Co 9:6-14); e evangelização (1 Coríntios9:16; Ezequiel 33:6-8).

2.3. O QUE NÃO É MISSÕES

2.3.1. Opção doutrinária:

A ordem de pregar a palavra em Marcos 16.15 não é uma opção, mas uma obrigação que deve ser cumprida e dada por certo.

2.3.2. Fator secundário:

Missões não é algo para segundo plano, mas é o principal de todos os projetos da Igreja e deve ser valorizado (2 Reis 7:9). Não se pode colocar, por exemplo, uma reforma do templo impedir de manter missões na igreja.

2.3.3. Projeto:

Não se pode colocar missões como um projeto a ser alcançado, mas como Stott disse "Missão, antes de tudo, significa tudo aquilo que a Igreja é enviada ao mundo para fazer."(FRANÇA, 2011). A igreja deve parar de pensar de apenas fazer cálculos e depois organizar comissões, de fazer reuniões para depois sustentar algum missionário. Ela deve entrar logo em ação! Deve-se lembra de que enquanto as pessoas estão falando e pensando, o mundo está perecendo (1 Cônicas 28:10; 1 Coríntios 15:58; Romanos 12:11).

Wal Cordeiro fala que a igreja foi chamada para evangelizar e mostrar a luz para aqueles que se encontram em trevas, provocando neles sede da palavra. E que quando perde essa visão não tem o motivo para existir. (CORDEIRO, s/a) ele diz que:

A igreja foi chamada para evangelizar, ser luz e sal neste mundo tenebroso. Quando perde ou não vive essa visão, não tem motivo para existir, pois o fim das coisas que fazemos na terra, não deve ser a nossa própria glória mas sim a glória de Deus. Isso só pode ser alcançado quando nos envolvemos na obra de reconciliação da humanidade com Cristo, que veio para salvar o que se havia perdido. (CORDEIRO, s/a, p. 5)

2.3.4. Privilégio de algumas Igrejas:

Missões somente são realizadas por quem tem fé em Deus e amor pelas almas perdidas. As Missões não são necessários milhões para serem realizadas, mas quando cada pessoa reconhece que tudo o que possui não é seu, mas de Deus que lhe incumbiu de administrá-lo da melhor forma possível, e quando ela possui uma fé genuína, principalmente uma dependência total de Deus, não vai ter problema em dar as ofertas para Missões.