VISITE A IGREJA BATISTA REGULAR DE IPANGUAÇU

"A Igreja deve atrair pela diferença e não pela igualdade" C.H. Spurgeon

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21 de jul de 2012

OS SEPARATISTAS INGLESES


A Inglaterra era um país em mudanças tanto política quanto religiosamente. Isto pode ser visto no rei Henrique VIII (1.509-1.547) e em seu Decreto de Supremacia (1.534). Este decreto separou a Igreja da Inglaterra do controle de Roma, todavia mesmo com esta separação a Inglaterra continuou amplamente católica na prática e na doutrina.

Então, o rei Eduardo VI subiu ao trono em 1.547. Apesar de ser apenas um garoto, ele conduziu seu país ao Protestantismo. Este movimento foi provavelmente devido ao fato de Eduardo ter sido treinado por conselheiros protestantes. Com seu zelo de jovem, Eduardo abriu a porta para a doutrina e a prática protestante fluir e crescer à medida que os anos se passavam.
Todavia, a morte prematura de Eduardo levou a uma radical e criminosa mudança na Inglaterra. Esta mudança trouxe a lume uma guerra pelo trono que foi finalmente tomado por Mary Tudor em 1.553. Durante seu reino de cinco anos, ela ativamente restaurou o sistema católico e começou a livrar sistematicamente a Inglaterra dos protestantes. Esta atividade deu-lhe o renomado nome de "Maria Sanguinária".
Elizabeth Tudor sucedeu Mary e governou de 1.559 a 1.603. Apesar de não ser uma pessoa realmente religiosa, Elizabeth mantinha um catolicismo de aparências. Porém, movimentos políticos levaram-na a aceitar o protestantismo. Esse movimento político, ligado à reações do povo contra a antiga rainha Mary, guiaram a Inglaterra à posição protestante mais uma vez. Elizabeth, não querendo perder nenhum tipo de vantagem política, organizou um compromisso entre católicos e protestantes. Este decreto foi chamado de "Acordo Elizabetano" e com ele surgiu o pensamento de que as guerras religiosas da Inglaterra estavam "resolvidas". Mas isso só durou por um curto período. Mesmo com esta "paz", muitos na Inglaterra ainda clamavam por reformas maiores na Igreja. Este clamor por mais reformas originou um grupo de pessoas que viria a formar grupo chamado puritano.

OS PURITANOS
Tristemente, a maioria das pessoas hoje não possui uma compreensão apropriada dos puritanos. Eles tendem a ser interpretados como velhos fanáticos que só queriam estragar o prazer de todo mundo. Contudo, a visão moderna dos puritanos está longe da verdade. Talvez a contribuição seguinte sobre os verdadeiros puritanos nos coloque no caminho para um entendimento correto:
A questão essencial em entender os puritanos é que eles eram pregadores antes de qualquer outra coisa… em seus esforços eles eram conduzidos por sua preocupação em reformar o mundo através da Igreja, todavia estes esforços foram frustrados pelos líderes da Igreja. O que os manteve unidos, encorajou seus esforços, e deu-lhes a dinâmica para persistirem foi a sua consciência de que eram chamados para pregar o Evangelho.
Os puritanos queriam ver a verdadeira reforma bíblica alcançar a Igreja. Estes antigos puritanos foram conduzidos pelo Bispo Hooker e Thomas Cartwright e começaram a clamar por uma Igreja "pura". Contudo, a rainha e a Igreja da Inglaterra não estavam dispostas a discutir com estes puritanos e assim começaram a forçar a conformidade religiosa pela lei. Assim encerrou-se um breve período de paz religiosa.
OS SEPARATISTAS
Esta exigência de conformidade da parte das forças políticas e religiosas da Inglaterra originaram um grupo conhecido como os "Separatistas". Os princípios por trás deste movimento eram a liberdade da Igreja do domínio do Estado, doutrina pura ao invés de doutrina diluída ou comprometida, e reforma geral da Igreja. Os separatistas tomaram a Bíblia a sério e determinaram-se a conduzir suas vidas por seus ensinos. Eles enfatizavam que a Igreja era formada somente por aqueles que foram redimidos, não um corpo de oportunistas politicamente orientados. Eles se recusavam a crer que a Bíblia ensinasse um governo eclesiástico hierárquico (governo de cima para baixo), ao invés disso clamando por um governo eclesiástico que tivesse alguma participação do povo (governo a partir dos níveis mais rasteiros). Eles preferiam uma liturgia simples de adoração que enfatizasse o Deus Santo. Eles sentiam que os documentos estatais e os auxílios escritos da Igreja da Inglaterra levavam as pessoas a focalizarem sobre as formas e não sobre o Deus Soberano; por isso estes tipos de "auxílio" eram detestados.
Foi deste tipo de clamor por pureza na Igreja, tanto na adoração como na prática diária, que a "denominação batista", como é conhecida hoje, emergiu através do movimento separatista inglês. A melhor evidência histórica confirma esta origem, e nenhum grande erudito se levantou nesta metade de século para desafiá-la." (McBeth) Conforme dissemos anteriormente, os batistas emergiram com dois grupos separados. Voltemos nossa atenção agora para o exame destes dois grupos diferentes:
BATISTAS ANTIGOS OU GERAIS
Este grupo veio a ser conhecido como "Batistas Gerais" porque acreditavam na expiação geral. Os Batistas Gerais também tinham uma crença distinta em que os cristãos podiam enfrentar a possibilidade de "cair da graça". Os dois principais fundadores do movimento dos Batistas Gerais foram John Smyth e Thomas Helwys.
Acredita-se que a primeira Igreja Batista Geral foi fundada por volta de 1.608 ou 1.609. Seu fundador foi John Smyth (1.570-1.612) e está localizada na Holanda. A história de Smyth começa na Inglaterra onde ele foi ordenado como sacerdote anglicano em 1.594. Logo depois de sua ordenação, seu zelo levou-o à prisão por recusar-se a conformar-se aos ensinos e práticas da Igreja da Inglaterra. Ele foi um orador que era rápido em desafiar outros sobre suas crenças, mas era também tão rápido para mudar suas próprias posições à medida que sua própria teologia pessoal mudava. Smyth continuamente combateu a Igreja da Inglaterra até que começou a ficar óbvio que ele não podia mais ficar em comunhão com esta igreja. Assim, ele finalmente rompeu totalmente com ela e se tornou um "separatista".
Em 1.609, Smyth, junto com um grupo na Holanda, veio a crer no batismo do crente (oposto ao batismo de crianças que era a norma da época) e eles se uniram para formar a igreja "batista". No início, Smyth concordava com a posição ortodoxa típica da igreja; mas à medida que o tempo passava, como era tão típico, ele começou a mudar suas posições. Primeiro, Smyth insistiu que a verdadeira adoração era do coração e que qualquer forma de leitura a partir de um livro na adoração era uma invenção do homem pecador. Oração, cântico e pregação tinham que ser completamente espontâneos. Ele foi tão longe com esta mentalidade que não permitia a leitura da Bíblia durante a adoração "uma vez que ele considerava as traduções inglesas das Escrituras como algo menos do que a palavra direta de Deus" (McBeth, p 35).
Segundo, Smyth introduziu uma liderança eclesiástica de duas dobras, pastor e diácono. Isso estava em contraste com a liderança reformada de três dobras composta por presbítero-pastor, presbítero-leigo e diáconos.
Terceiro, com sua recém-descoberta posição sobre batismo, uma preocupação completamente nova surgiu para estes "batistas". Tendo sido batizados quando crianças, eles todos perceberam que tinham que ser rebatizados. Uma vez que não havia outro ministro para administrar o batismo, Smyth batizou-se a si mesmo e então continuou a batizar seu rebanho. Uma observação interessante neste ponto que deveria ser feita como fundamentação é que o modo do batismo usado era o da aspersão, pois a imersão não se tornaria o padrão durante mais uma geração. Antes de sua morte, como parece característica de Smyth, ele abandonou sua visão batista e começou a tentar trazer seu rebanho para a igreja menonita. Apesar de ter morrido antes que isso acontecesse, a maior parte da congregação uniu-se à igreja menonita depois de sua morte.
Agora voltamos nossa atenção para Thomas Helwys. Ele tinha um relacionamento meio agitado com Smyth, mas depois que Smyth começou a se afastar da fé dos batistas gerais, Helwys continuou com os primórdios batistas. Helwys levou seu pequeno grupo para a Inglaterra em 1611 e esta foi considerada a primeira igreja batista em solo inglês. Este grupo aferrado ao batismo do crente, rejeitou o calvinismo por uma posição favorável ao livre-arbítrio (o que incluía o cair da graça), e permitiu que cada igreja elegesse seus oficiais, tanto presbíteros como diáconos (ou diaconisas). Por volta de 1.624, havia cinco igrejas batistas gerais conhecidas e por volta de 1650 elas contavam pelo menos 47 (McBeth, p 39). Apesar de alguns poderem ver o movimento batista moderno neste grupo, temos que entender que as crenças deste grupo estão longe da herança reformada que modelou a fé dos batistas modernos.
BATISTAS PARTICULARES
Diz-se freqüentemente que os batistas na Inglaterra se dividiram sobre a doutrina da expiação, mas isso não é reflexo de uma verdade histórica. Sim, é verdade que os dois grupos mantinham diferentes visões sobre a expiação e doutrina em geral, mas eles não se dividiram. Antes, eles emergiram como dois grupos separados. Como foi com os batistas gerais, os batistas particulares surgiram do movimento separatista. Este grupo emergiu nos anos 1.630. Este grupo foi influenciado pelo grande reformador João Calvino e sustentava fortemente a expiação "particular". Acredita-se que a primeira igreja tenha sido fundada por volta de 1.633 ou 1.638, de acordo com alguns. Independentemente desta datação, porém, está claro que por volta de 1.644 os batistas particulares contavam pelo menos sete igrejas. Um ponto impressionante sobre este pequeno e muito jovem grupo é que em 1.644 estas igrejas atuaram juntas para redigir uma confissão de fé chamada de Primeira Confissão Batista de Londres. Esta confissão precedeu a amplamente conhecida Confissão de Fé de Westminster por dois anos. Conforme veremos, as atuais igrejas batistas podem recuar traçando uma linha até estes primeiros batistas.
Apesar da história batista típica ser atribuída mais ao movimento dos batistas gerais, é, na verdade, aos batistas particulares que a maioria dos batistas modernos devem sua doutrina e práticas. Como um historiador nos recorda, os batistas gerais sempre representaram uma pequena parte da vida batista na Inglaterra, e uma parte menor ainda na América. A influência deles sobre as principais correntes da vida batista em ambos os países parece ter sido muito pequena (McBeth, p 40).
A história do movimento batista particular começa com Henry Jacob (1.563-1.624). Apesar de Jacob nunca ter se tornado um batista, ele foi uma influência básica para o que seriam os batistas particulares. Poderíamos chamar Jacob um separatista moderado. Jacob não estava disposto a chamar a Igreja da Inglaterra de anticristo, portanto ele trabalhou continuamente para reformá-la. Em 1.603, Jacob assinou um documento que clamava por reforma na Igreja da Inglaterra. Este documento deveria ser vetado pelo rei Tiago I. Apesar de Jacob não pedir separação, ele escreveu um tratado intitulado "Razões" tirado da Palavra de Deus e dos melhores testemunhos humanos para provar a necessidade de reformar as igrejas na Inglaterra. Com a publicação deste livro, Jacob foi lançado na prisão por um curto período. Quando de sua libertação, ele foi para o exílio na Holanda como fizera a maioria dos separatistas. Apesar de estar relutante em cair radicalmente sobre a Igreja da Inglaterra, ele veio a fazer uma distinção entre as verdadeiras e falsas igrejas da Igreja da Inglaterra. Esta nova abordagem fê-lo clamar por liberdade para formar diferentes tipos de igrejas com diversos tipos de adoração.
Em 1.616, Jacob pôde retornar à Inglaterra e formou a Igreja JLJ, como é conhecida hoje (pelas iniciais de seus três primeiros pastores: Henry Jacob, John Lathrop, e Henry Jessey). Era essa igreja que daria mais tarde início aos batistas particulares. Esta igreja tinha vários debates surgindo em seu meio sobre batismo, debates que levaram a diferentes rompimentos na Igreja JLJ. Um rompimento aconteceu em 1.633 quando dezesseis pessoas pediram permissão para saírem da Igreja JLJ para formar uma igreja separada. As razões para esta divisão eram duplas. A primeira estava além da necessidade. A Igreja JLJ estava se tornando grande demais e corria perigo de ser "descoberta" (uma vez que era ilegal ficar fora da Igreja da Inglaterra). A segunda razão citada era a de que havia muita conformidade com a Igreja da Inglaterra. Em 1638, outro rompimento aconteceu quando seis pessoas deixaram a igreja JLJ por causa da questão do batismo de crentes, que eles mantinham fortemente. Assim, a primeira Igreja Batista Particular pode ser vinculada a uma ou ambas as igrejas. 
Anderson Roque Gouveia

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